Como a pequeno-burguesia petista jogou os militares – e o Brasil – no colo dos EUA

O “expressonauta” O.G.M. é acadêmico de exatas que conhece o PT desde o seu nascimento. E que vem observando, desde então, as implicações políticas da tensão ideológica existente entre, de um lado, os elementos sindicais do partido – capitaneados por Lula, é claro – e, do outro, os pequeno-burgueses. A seguir, ele explica como o desequilíbrio nessa soma de vetores a partir do governo Dilma seria DETERMINANTE para o fim, de fato, do Estado nacional brasileiro (a partir de 2016).
Partindo dos comentários do antropólogo Piero Leirner sobre o posicionamento dos militares brasileiros na quadra atual, OGM faz um belo apanhado de como a moralidade pequeno-burguesa de boa parte do PT – e da esquerda brasileira em geral –, bem como a sua proximidade (inclusive pecuniária) com a China, contribuiu de forma decisiva para o estranhamento dos militares com relação ao partido. E mais: também com relação aos próprios chineses.

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Proposta política, marketing eleitoral e o Brasil pós-eleitoral

Páginas na internet que se apresentam como “de esquerda” estão perdidas. Não sabem como tratar de um “Haddad Tucano” e um “Bolsonaro Comunista”. Esquecem que numa eleição fake a lógica é não ter lógica. Falam da “importância de derrotar o fascismo”, mas batem firme em Ciro Gomes que, segundo todas as pesquisas, seria uma garantia de vitória contra Bolsonaro. Isso apenas mostra que a luta de muitos é pelas “oportunidades de uma eventual vitória”.

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99%, UNÍ-VOS! III – Os Dez Anos da Crise de 2008

Não se deixe levar pelas sucessivas mensagens veiculadas na mídia corporativa sobre a nobreza do austerícidio praticado pelo Ocidente. Isso serve apenas para que nós – os 99% – continuemos a engordar aquele 1% sob um discurso de que o baixo crescimento é parte de um “novo normal  secular” depois de passados dez anos da crise global de 2008. Nada disso! Vamos romper essas ideias olhando o formato de desenvolvimento impulsionado e conduzido pela mão estatal no Oriente, e como isso tem produzido resultados muito mais relevantes do que aqueles observados nos meridianos de cá da esfera terrestre.

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Guerras comerciais dos EUA contra a China: o que realmente está em disputa

A bizarra e em ininterrupta escalada “guerra comercial” que Washington move contra os chineses nada tem a ver com equilibrar superávits comerciais. E parece que, agora, os chineses já concluíram também nessa direção. Tudo ali tem a ver com assalto frontal contra a estratégia chinesa de se autoconverter em país líder, de economia avançada, autoconfiante, em pés de igualdade, no campo da tecnologia com o ocidente e, possivelmente, ainda mais avançada. Essa é basicamente a meta da estratégia nacional econômica de Xi Jinping, Made in China: 2025.
Os EUA como superpotência mundial dominante de modo algum poderiam permitir que as coisas andassem como os chineses planejam.

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Guerra econômica contra o Irã é guerra contra a integração da Eurásia

A histeria reina suprema depois que a primeira rodada de sanções dos EUA entrou em vigência novamente contra o Irã, semana passada. São vários os cenários de guerra, mas mesmo assim o aspecto chave da guerra econômica lançada pelo governo Trump tem passado despercebido: o Irã é peça central num tabuleiro de xadrez muito maior.


A ofensiva de sanções dos EUA, lançada depois da retirada unilateral de Washington do acordo nuclear iraniano, tem de ser interpretada como um gambito para avançar no Novo Grande Jogo, em cujo centro estão a Nova Rota da Seda da China – o mais importante projeto de infraestrutura, pode-se dizer, do século 21 – e a integração da Eurásia.


As manobras do governo Trump dão prova de o quanto a Nova Rota da Seda da China, ou Iniciativa Cinturão e Estrada (ICE), ameaça o establishment norte-americano.



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UE caiu na armadilha de Washington, para a guerra comercial anti-China


Embora muitos na União Europeia (UE) tenham respirado aliviados ante o aparente sucesso das recentes conversações sobre tarifas comerciais entre Juncker, presidente da Comissão da UE, e o governo Trump, na realidade parece que Washington conseguiu arrastar ardilosamente a UE, especialmente a Alemanha, a fechar a porta contra qualquer possível colaboração com a China para o desenvolvimento comercial e econômico.
Apesar de haver problemas com a política econômica da China, os recentes desenvolvimentos sugerem que se criou algum consenso na UE para dar as costas aos monumentais potenciais do espaço econômico eurasiano com centro na China, a favor de uma aliança com EUA e com o Japão – ambos países hostis ao desenvolvimento da China. É desdobramento que pode ferir gravemente o desenvolvimento da economia da UE.

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A grande disputa geopolítica do século XXI: mobilidade, meio ambiente e inteligência artificial – Série em 10 artigos

Dada a velocidade da expansão chinesa nos carros elétricos, pode-se esperar que a indústria automobilística vigente estará decadente em menos de 12 anos. Muitos sucumbirão em razão da depreciação de seus ativos. Os governos, mais uma vez, salvarão suas marcas e Campeões Nacionais, para salvar o seu próprio futuro. Enquanto se adaptam ao carro elétrico e aos asiáticos, muitos campeões serão estatais, para-estatais ou simplesmente viverão à custa do Estado. O governo americano, francês, japonês e inglês já anunciaram pesados subsídios à pesquisa. A indústria automobilista vive uma grande corrida em busca do Santo Graal elétrico. Há quem preveja que 86% das vendas de automóveis em 2030 será de carros elétrico.

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A grande disputa geopolítica do século XXI: mobilidade, meio ambiente e inteligência artificial – Parte 9

A grande depressão dos anos 30 só foi superada pela Segunda Guerra Mundial que, ao destruir grande volume de capital, restabelecer as bases de cooperação econômica no ocidente e criar um enorme conjunto de novas tecnologias preparou o terreno para uma reconstrução que viabilizou o crescimento contínuo por 25 anos.
Felizmente o mundo hoje não tem mais a mesma propensão à guerra. Esperamos ao menos…
A solução da crise então passa por um aumento constante dos gastos e déficit público ou por uma revolução tecnológica radical que destrua boa parte da capacidade produtiva mundial e abra espaço para um grande volume de investimentos privados.

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A grande disputa geopolítica do século XXI: mobilidade, meio ambiente e inteligência artificial – Parte 8: Guerra ambiental e crise: China, Ocidente e Brasil

Disputas geopolíticas, desemprego, baixos salários e estagnação fazem com que os governos optem pela adoção de políticas protecionistas.
Se isso acontecer, haverá uma segunda onda de crise, porque poucos países podem substituir rapidamente suas importações e o protecionismo implicará em aumento de preços e redução global da produção. Em termos globais, o protecionismo pode ajudar muito pouco na recuperação, porque o que um país ganha em superávit comercial é o que o outro perde.
As únicas formas do mundo se manter em crescimento são aumentando ainda mais o déficit público ou uma revolução tecnológica radical que deprecie imediatamente boa parte da capacidade produtiva no planeta.

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Mercado vs. Lula vs. Bolsonaro: sinais trocando?

É possível que a Folha finalmente tenha detectado que o antes “espantalho de Lula” chamado Bolsonaro agora tem o interesse direto da Casa Branca. Podemos suspeitar também que para a Finança Internacional é interessante esse tipo de gente governando em pontos localizados, assim cada Macron que aparece por aí se torna uma espécie de miragem de esquerda, sem sê-lo. Trata-se de controlar criando frações, estratégia tão antiga quanto aquela dos imperadores romanos que dividiam o senado de propósito. Está cada vez mais claro que Trump agora vê no Brasil uma possibilidade de ter um espelho, o que não é pouca coisa. De maneira bastante sutil, o embaixador chinês deu o sinal para que o povo acorde por aqui. Talvez a Folha tenha começado.

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A grande disputa geopolítica do século XXI: mobilidade, meio ambiente e inteligência artificial – Parte 7: Europa industrial e a nova crise global

A crise do euro permitiu que a Alemanha impusesse seu modelo de desenvolvimento baseado em exportações ao resto da Europa. Dessa forma, o continente dependerá do crescimento das exportações para não voltar à recessão. Mas as suas exportações terão muita dificuldade em continuar crescendo, pois estão muito concentradas nos setores em que a China está apostando para manter o crescimento histórico de suas exportações, em particular a metal-mecânica.

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A grande disputa geopolítica do século XXI: mobilidade, meio ambiente e inteligência artificial – Parte 6: As ameaças aos campeões do Brasil

Estamos preparados para esse novo mundo? Quais nossos riscos e oportunidades?
A prosperidade de uma nação depende do crescimento contínuo de suas exportações. O governo brasileiro está consciente em relação a isso. Nos governos do PT, quando ainda havia cuidado com interesse público, apostou-se junto com o setor empresarial em cinco estratégias para aumentar nossas exportações: (1) Petróleo e derivados do Pré-Sal, (2) Etanol, (3) Carnes e grãos, (4) Minério, (5) Cadeia metal-mecânica com enfoque na automobilística do diesel e dos carros populares.

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A grande disputa geopolítica do século XXI: mobilidade, meio ambiente e inteligência artificial – Parte 5: O carro elétrico está chegando?

O carro elétrico é imprescindível para a viabilização da economia de baixo carbono. A economia de baixo carbono se baseia em um tripé: (1) mais eficiência, (2) eletricidade de baixo carbono e (2) mobilidade de baixo carbono. Das três, hoje, a eletricidade de baixo carbono é a única que se pode dizer que está avançando de forma substantiva. Mas não podemos apostar só na geração de eletricidade, pois a mobilidade sozinha consome entre 20 e 30% da energia global. Na mobilidade, o carro elétrico é solução perfeita, pois tem zero de emissão direta e aproveita as fontes alternativas de geração elétrica. Além disso, ela é também a mais eficiente em termos energéticos, pois o motor elétrico tem uma eficiência de quase 94%, se reabastece na frenagem, na descida e não gasta energia em ponto morto.

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A grande disputa geopolítica do século XXI: mobilidade, meio ambiente e inteligência artificial – Parte 4

Ninguém jamais ousou imaginar que o governo americano um dia estatizaria a General Motors – GM, como fez em 2009, qualquer que fosse a crise. Primeiramente, porque a GM foi durante a maior parte do século XX a maior empresa do mundo e orgulho do capitalismo americano. A gigante já passou incólume por muitas crises incluindo a grande depressão dos anos 30. Segundo, porque os EUA sempre foram os grandes defensores da livre iniciativa, das privatizações e combateram as estatizações em todo o mundo. Jamais alguém imaginou que o governo americano iria controlar uma empresa industrial. Isso é um abalo absolutamente inusitado em nossas crenças sobre economia e política.
Deixando de lado a questão ideológica, faz-se necessário avaliar o motivo dessa medida tão inesperada.

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Começam hoje 50 anos de guerra de tarifas?

Muito mais que primeiro tiro à meia-noite de hoje do que pode converter-se em terrível guerra comercial, a queda de braços de tarifas entre EUA e China deve ser vista no contexto de grande virada no Grande Quadro geopolítico e econômico.


O jogo de passar adiante as culpas, e todos os tipos de cenários de especulação de como pode evoluir a disputa de tarifas, são questões periféricas. O alvo crucialmente decisivo do que hoje se inicia não é algum “livre comércio” que seria disfuncional; o alvo é o projeto “Made in China 2025” – a China autoconfigurada como usina geradora de alta tecnologia equivalente, ou mesmo superando EUA e UE.



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Balcanização da América do Sul – e o papel das 5as Colunas pelo mundo

Durante recente encontro em Caracas da Comissão Presidencial de Aconselhamento Econômico, em meados de junho de 2018, o presidente Maduro disse algo perturbador, mas também excepcionalmente interessante – e nos dois casos muito importante, que merece máxima atenção de toda a região.

O presidente Maduro falou da Iugoslávia, dos conflitos locais induzidos, das rupturas e do desmembramento da Iugoslávia, que começou com a “Guerra dos Dez Dias” contra a Eslovênia em 1991; seguida pela Guerra da Croácia (1991-95); a Guerra da Bósnia (1992-95); a Guerra do Kosovo (1998-99), que culminou com os 69 dias de bombardeio pela OTAN ordenado por Clinton contra o Kosovo, e que foi comandado pelo então comandante europeu da OTAN Wesley Clark (hoje “O Arrependido” –, porque lastimar em retrospectiva é fácil), fingindo que salvava os albaneses do Kosovo que estariam sofrendo atrocidades da Sérvia de Milosevic. Como Milosevic serviu como pau mandado das forças imperiais é outra história.


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A grande disputa geopolítica do século XXI: mobilidade, meio ambiente e inteligência artificial – Parte 3

O contínuo aumento consumo de combustíveis fósseis em razão da adoção do modelo fordista-petroleiro americano pela maior parte do mundo em desenvolvimento está levando à perda de prestígio desse modelo e ao crescente investimento em tecnologias e infraestrutura alternativa a ele.
Essa alternativa já foi escolhida: é a mobilidade elétrica com trens e carros elétricos e a substituição do carvão e o óleo combustível por tecnologias de conservação de energia e fontes mais limpas de produção de eletricidade como gás natural, energia eólica e solar.

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Drama das sanções anti-Irã e a OPEP-plus 

É possível que a história já tenha conhecido mais estranhos parceiros de cama geopolítica. Mas no mundo atual da OPEP-plus, as regras do jogo já são controladas de facto pela Arábia Saudita, usina de produção de petróleo da OPEP, em uníssono com a Rússia, non-OPEP.


Pode acontecer até de a Rússia unir-se à OPEP como membro associado. Una-se ou não, já há uma cláusula chave no acordo bilateral Riad-Moscou, que estipula que, agora, a nova regra para elevar ou reduzir a produção de petróleo são as intervenções conjuntas. Alguns dos principais membros da OPEP não estão exatamente muito felizes.

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Fachin, o “Molechin” da vez

Molechin, ou melhor!, Fachin, quer “plantar” algo que não consta no pedido da defesa de Lula para “fazer as vezes do TSE”, antecipando um impedimento de Lula na corrida eleitoral 2018. Uma jogada de malandro que deve ser repudiada pelos amantes do direito e da justiça.

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Irã e Venezuela: Vanguarda de um novo mundo? 

Venezuela é estado campeão em democracia, em eleições democráticas, como ficou provado duas vezes nos últimos 12 meses, e mais de uma dúzia de vezes desde 1999. Pouco importa que o ocidente lunático não queira ver – simplesmente porque o ocidente (EUA e seus paus mandados e os vassalos europeus) não pode tolerar que um país socialista prospere – e tão próximo da fronteira do império e, como se fosse pouco, país riquíssimo em recursos naturais, como petróleo e minerais. O sucesso econômico da Venezuela poderia disparar ondas de choque “de esquerda” sobre a população norte-americana, zumbificada e bestializada, com fragmentos que ricocheteariam diretamente contra a Europa de olhos bem vendados.



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Guerra comercial China x EUA se intensifica na sucessão presidencial brasileira

O governo chinês tem que alimentar mais de 2 bilhões de habitantes e precisa de fontes seguras de abastecimento.
Ficar na mão dos americanos, para os chineses, nem pensar.
Por isso, joga com vara de dois bicos:
1 – pressiona o agronegócio e o setor mineral a apoiar eleições livres para todos, para ter amigo disputando eleição e
2 – amplia outros mercados, como na África, de onde os chineses possam comprar, pagando metade do frete, relativamente, ao Brasil etc.
O recado chinês chegou aos políticos conservadores do Centro Oeste brasileiro: de que lado vocês estão?

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O que vai tirar Lula da prisão

A pressão política chinesa que iniciou com a taxação dos frangos e agora deve avançar para o setor de minérios tem revelado o tamanho da burrada de “dormir com o inimigo”, praticada pelos empresários que ganhavam com a China e optaram por apoiar quem quer vê-los pelas costas: os EUA.

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PMDB-PSDB detona Petrobras e agronegócio para favorecer Trump na guerra comercial contra China

O agronegócio nacional entrou em pânico com a geopolítica estratégica adotada pelo governo PSDB-PMDB do ilegítimo Temer de aliar-se ao presidente Trump no contexto da guerra comercial global Estados Unidos X China.
Os agricultores perdem mercado chinês, grande consumidor do agronegócio nacional, e tem seus custos de produção elevados com a política de preços ditada pelo mercado internacional mediante oscilação das cotações do dólar e do petróleo, com a Petrobras controlada, imperialmente, por Washington.

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Metais sexy: peça que faltava no quebra-cabeça coreano

Tudo sugere que o xis da questão no abraço que o governo Trump oferece a Kim Jong-un tenha tudo a ver com um dos maiores depósitos de terras raras (ing. rare earth elements, REEs) do mundo, a apenas 150km ao norte de Pyongyang que vale, parece, vários bilhões de EUA-dólares.



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Alerta: “Plano B” e STF tramam cassação de Gleisi amanhã

O disparo dos arsenais do Golpe vai sendo feito, sucessivamente, conforme a necessidade:
(1) Não ganharam em 2014?
Destituíram a Presidente eleita.
(2) A campanha judicial-midiática não inviabilizou Lula eleitoralmente, conforme o planejado?
Cassam-se os seus direitos políticos.
E aí chegamos ao novo degrau:
(3) Não conseguiram dobrar Lula e fazê-lo entrar “no esquema” nem com o seu encarceramento?
Certificam-se de que, abatendo todas as demais opções, não terão como não impor – ao próprio – o nome a ser indicado como “o candidato do Lula” (sic).
E é aí que entra a Senadora Gleisi Hoffmann. Por tratar-se de “decisão colegiada”, eventual condenação de Gleisi no STF amanhã cassaria os seus direitos políticos por força da Lei da Ficha Limpa. Numa tacada só (i) derrubam uma rival à “unção” – contratada – do “Plano B”; e (ii) deixam Gleisi à mercê das violências jurídicas perpetradas por Sergio Moro.
Conveniente: dessa maneira, a parcialidade do STF, que livrou Aécio e Serra, não ficaria evidenciada. “O problema é o Moro”, sabe…

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Mandarins do Serviço Público: o dia em que Confúcio, sem querer, inventou Moro e Dallagnol

Como na China imperial, aqueles oriundos dos extratos sociais privilegiados obviamente têm acesso à melhor educação desde a pré-escola aos cursos universitários. E podem, terminada a graduação nas melhores instituições de ensino, passar anos sem trabalhar. Ora, os concursos para a Magistratura ou para o Ministério Público Federal significam, em média, três a quatro anos de investimento e esforço, pagando cursos e livros e viajando pelo Brasil, em busca dos editais abertos.
Fator extra de empoderamento: o Golpe de 2016. Hoje, como em qualquer Estado fascista, o Direito é o que os golpistas dizem que é o Direito. E, nesse curioso golpe, que não foi perfilhado e que foi incapaz de produzir líderes, eles, os novos mandarins, deixaram os bastidores e ocuparam o vácuo deixado. É uma República juristocrática de Mandarins.

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O agronegócio da China – O frango vai devorar a águia (e o pato amarelo)

Faca no pescoço do agronegócio: os chineses estão dispostos a continuar importando proteína animal do Brasil, mas sinalizam, com o aumento de 38% das tarifas de importação sobre produto nacional, disposição política favorável a Lula livre, aliado da China, na disputa eleitoral.
Na prática, portanto, a geopolítica global, hoje colocando em polos opostos China-Russia, de um lado, e Estados Unidos, de outro, passou a influenciar a sucessão presidencial brasileira.

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Oriente vs. Ocidente – O “duelo das cúpulas”: Esse fim de semana 
tem algo para os livros de História

É descomunal virada de jogo, porque oficialmente, pelo menos até agora, era só “parceria ampla”. É a primeira vez que Xi destaca, oficialmente, o aspecto “estratégico”. Outra vez, em palavras dele: “É o relacionamento de mais alto nível, mas profundo e estrategicamente mais significativo que se vê hoje entre grandes países do mundo.”


E, como se o alcance ainda não fosse suficientemente amplo e profundo, a coisa é também pessoal. Xi, falando de Putin e dando talvez bom uso à bonomia que Trump dispensa aos líderes com os quais simpatiza, disse “É meu melhor amigo, meu amigo mais próximo.”



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Eurásia dilacerada entre guerra e paz

Dois encontros – o aperto de mãos transfronteiras que sacudiu o mundo, entre Kim e Moon em Panmunjom, e o passeio cordial de Xi e Modi junto ao lago em Wuhan – podem ter deixado a impressão de que a integração da Eurásia estaria começando a andar por trilha mais suave.


Não, nada disso. Tudo é outra vez confronto: e no centro, como se podia prever, está o acordo nuclear iraniano, real, efetivo, que funciona, o Plano de Ação Conjunto Global (ing. Joint Comprehensive Plan of Action, JCPOA).



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Por que a Europa teme as “Novas Rotas da Seda” patrocinadas pela China

A “Iniciativa Cinturões e Estradas”, para Pequim, tem tudo a ver com geopolítica, mas principalmente com projeção geoeconômica – incluindo a promoção de novos padrões e normas globais de comércio que podem não ser exatamente as praticadas pela União Europeia. E isso nos leva ao coração da matéria, que não se lê no relatório interno da Comissão Europeia vazado: a intersecção entre a “Iniciativa Cinturão e Estrada” e outra, a “Made in China: 2025”.
Pequim está dedicada a se tornar um dos líderes globais no campo da alta tecnologia em menos de sete anos. “Made in China: 2025” identificou 10 setores – incluindo Inteligência Artificial, robótica, aeroespaço, carros e navios e estaleiros verdes – como prioritários.

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