EUA: só o pó – branco – fecha as contas

Na foto a constrangedora apreensão de aproximadamente 20 toneladas de cocaína que se encontrava no navio MSC Gayane de propriedade da entidade financeira JP Morgan Chase em julho de 2019 e que teria saído do Chile. O valor econômico das drogas ilícitas foi estimado em 1.3 bilhões de dólares. 

 

Por Pedro Augusto Pinho

Creio que já decorreram 30 anos, foi perto da queda da URSS, quando escrevi minhas primeiras considerações sobre as finanças internacionais.
O domínio estadunidense era nítido, a vitória da banca também, e o que se poderia prever? O caos. E foi por isso, pois o mundo parecia não ver, que escrevi.
Havia uma dívida gigantesca, muito superior aos ativos que a deveriam suportar, e, surpreendentemente, uma falta de controle dos EUA sobre o meio circulante de sua moeda, espalhada pelo mundo.
Confesso que a inclusão dos capitais marginais não me ocorreu à época. Hoje se transformaram no mais importante player.
Recentemente foi divulgado que a dívida correspondia a duas vezes o PIB mundial. Bobagem. Conta de burocrata bancário.
O que ocorre é a falta de ativos reais para suportar os papéis emitidos, principalmente pelos EUA.
Então há um jogo/pressão para valorizar os papéis e continuarem existindo. Caso contrário se armará mais uma bolha imobiliária, como ocorreu intencionalmente no Japão (veja as crises da banca).
Por que não pode descarregar no ouro? Questão geopolítica. O ouro está fora do controle dos EUA e UK.
Estamos assim, por ação da banca que reduziu dramaticamente a produção industrial no mundo, numa situação de muito papel e poucos ativos.
Isto pode ser revertido? Claro. Mas a questão passa a ser política. E aí entram os capitais marginais. A droga é, para esta conta, um ativo real. Ela se valoriza com a ausência de outros, além da demanda crescente.
É preciso abandonar a rigidez marxista para entender esta nova economia. Tenho lido gente boa que procura atribuir a frases de Marx a antevisão de hoje. Nem perco tempo discutindo.
Os dados do problema são:
A – muito papel sem lastro
B – descontrole dos dólares. Cabe aqui dizer que estas novas roupas dos dólares é uma tentativa de ganhar o controle. As verdinhas viram azulzinhas, Washington muda o perfil e, assim, se espera, com o tempo, saber quantos dólares existem no mundo.
C – as mudanças de lealdade dos acordos de 1971. Realmente já não se podia esperar que os árabes petrodoleiros continuassem fieis, colocando em risco seus próprios negócios. Lembrar que a unidade de investimento chinês é bilhão. Irresistível até para o Mourão.
D – carência de real state. Aí se deve colocar o valor da droga como aplicação.
Apenas estas quatro variáveis já dariam uma senhora dor de cabeça. Mas há o problema europeu. Pelas pressões estadunidenses, entre outros fatores, mas considero este (OTAN) o mais importante, a Europa está se desmanchando. Desmanchando, o que é mais grave, no pensamento. Lá se pode observar o incrível mal do “pensamento único”. Para não sair da economia, até em Cambridge houve passeata de professores que queriam discutir ciência econômica e não e tão somente operações financeiras nas aulas.
Não se apresentam soluções fora dos trilhos convencionais e, mesmo para a continuidade da economia capitalista, é indispensável uma ruptura. E sempre foi, no ocidente, a Europa que trouxe as soluções. Teria a China uma proposta ou projeto? Sinceramente não sei. Pelo pouco que aprendi de mandarim e da leitura dos pensadores orientais não vislumbro esta porta.
Mas vai surgir. Meu pai sempre dizia que foi a necessidade que ensinou o sapo a pular.
Por agora, se é para investir faça como o Barão: quando há sangue nas ruas, compro terras. Se for para analisar, os dados da equação são estes. Quem precisar de números, o FMI e outros bancos os têm. É preciso apenas conferir, pois todos puxam a brasa para suas sardinhas.
Nosso caso, que é o que mais me preocupa, pois antes de tudo sou um nacionalista, é construir o Estado Nacional, iniciado por Vargas e desmontado desde FHC, aliás, como muito bem analisou a privilegiada cabeça do Felipe Quintas, desde a constituição de 1988.
Por isso, salvo questões episódicas como a morte de Soleimani, estou concentrado na Estado Nacional Brasileiro.

  • Este texto foi extraído de diálogo entre o autor e Romulus Maya (editor chefe do Duplo Expresso). 

 

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

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