“Bem me quer, mal me quer”: como Lula – e o Golpe – usam Fernando Haddad

(na aurora de um “Novo (Antigo) Regime”)

Por Romulus Maya, para o Duplo Expresso

  • “Bem me quer, mal me quer, Lula?” – Fernando Haddad
    É evidente que na política, que vive de sinais, não há ingênuos. Portanto, todas as partes envolvidas bem sabiam como os articuladores do Plano B – dentro do PT e no Golpe (i.e., aqueles ostensivamente no Golpe) – explorariam a visita de Haddad a Lula – apenas a segunda em quase 3 meses (!) de prisão; bem como a concessão – “concessão”! – a Haddad da prerrogativa de “visitar” o ex-Presidente, agora a qualquer tempo, na qualidade de seu “advogado”.
  • Lula deu sinais – verdadeiros? – de que ainda está aberto à negociação. E de que, a depender da conjuntura e dos termos do “acordo global” atingido, segue existindo a possibilidade de o Golpe lograr indicar o candidato “do PT”. A “metamorfose ambulante” Lula retomaria, dessa forma, a velha tática de soltar – como “seus” – diversos cavalos, concorrentes entre si, num mesmo páreo. Para, ao final, escolher aquele que se viabilizar. E renegar o(s) derrotado(s).
  • No caso atual, os “cavalos” mais discerníveis seriam (i) a composição com o Golpe, via Haddad, e (ii) a confrontação total, melando a farsa eleitoral com a não substituição do seu nome como o candidato do PT. Nessa última hipótese, assim como no caso da indicação de Haddad para ser “o coordenador do programa de governo”, a proximidade terá servido para manter o “inimigo” por perto, sob vigilância.
  • Se for o contrário, aí o peleguismo financista de Haddad na Presidência lograria destruir a viabilidade do PT em eleição majoritária – e por gerações. Senão para sempre. Tal qual ocorreu com os Partidos Socialdemocratas “reformistas” europeus, como na Grécia (PASOK), na Itália (PD), na França (PS) e na Espanha (PSOE), entre outros. Ascendendo ao poder em contextos de grave crise econômica, todos eles optaram por “debelá-las” (?) traindo as bases. Fizeram, no governo, o serviço sujo – antinacional e antipovo – exigido pela Finança internacional.
  • Aliás, não precisamos sequer viajar à Europa. O distanciamento entre Dilma Rousseff e as bases que a reelegeram em 2014, as quais traiu com Joaquim “estelionato eleitoral” Levy, abriu o caminho para o Golpe. Imaginemos onde estaria o PT hoje se não tivesse mais a figura mítica de Lula a quem recorrer.
  • Com data fatal marcada, quem viver verá a escolha de Lula. No entanto, com ele adiando-a o quanto pode, o que é certo é que o fardo a cargo da Senadora Gleisi Hoffmann é ainda mais pesado. A ela não compete, apenas, manter viável dentro do PT o “cavalo” da candidatura de Lula “até as últimas consequências” (nas palavras da própria), caso Lula venha a optar pela guerra total contra o Golpe ao final. Compete-lhe também, enquanto isso, ser a “porta-voz” de Lula que finge não ter significado maior o gesto de constituir Haddad como “advogado” (sic). I.e., constituí-lo agora… e não meses atrás, quando a pressão – descarada – fez-se até publicar nas páginas da (sua) Folha de S. Paulo.
  • Como analista, será interessantíssimo de se observar…
    Como brasileiro, o coração ficará na mão até lá.

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  • O “Novo (Antigo) Regime”:
    Reconheçamos aquilo que muitos no PT negam-se a aceitar – presos que estão aos velhos hábitos de sempre, que afinal foram o que criou o nicho político que sempre ocuparam:
  • Não há composição possível quando o outro lado, em face do acirramento do conflito distributivo, exige que todas as perdas sejam integralmente suportadas pelos trabalhadores – e miseráveis.
  • A premissa da democracia liberal representativa exauriu-se no Brasil atual. Não mais existe necessidade de a Finança transnacional tolerar uma oposição “dócil” – o PT – quando assume o controle pleno da vida política nacional por meio de 3 poderes não eleitos: Judiciário/ Mídia/ Mercado.
    (e, quiçá, Forças Armadas ainda)
  • Dessa forma, a Finança transnacional logra, via lawfare, escolher:
    (i) quem pode ser candidato (“ficha limpa”/ “improbidade administrativa”/ prisão);
    (ii) quem (e como) pode fazer campanha – sem ser acossado por Ministério Público Eleitoral/ Justiça Eleitoral;
    (iii) quem vai ser prejudicado, com fraude, na totalização de votos (Brizola 82 e 89, p.e.);
    (iv) quem pode tomar posse (aprovação de contas de campanha/ ações de impugnação de rivais por abuso do poder político e econômico);
    (v) quem (e como) pode governar – sem ser acossado por “órgãos (literalmente) de controle” (e.g., TCU), STF e (ameaça de) impeachment.
  • Diante de tal controle não mais existe, sequer, a necessidade de a Finança transnacional tolerar o alto “custo de operação” ($$$) das velhas oligarquias regionais (PMDB e demais), com os seus caros “pedágios” e “privilégios cartoriais” – locais e nacionais.

*

Ontem, veículos do Cartel Midiático e da ‘Globosfera’ – operando mais uma vez em “pinça” – alardearam, sem o comedimento da malícia, o fato de o Presidente Lula ter – finalmente – cedido à forte pressão e constituído Fernando Haddad como seu “advogado” (sic):

 

Tal movimento confere ao último a prerrogativa de encontrar o ex-Presidente a qualquer momento. E não mais apenas no dia da visita semanal de amigos e parentes, às quintas-feiras. Os mais atentos já haviam tomado nota de tal “desdobramento”, informado que fora, dias atrás, pela Presidente do PT – e porta-voz de Lula – Gleisi Hoffmann. A Senadora fez a revelação na última quinta-feira, quando ambos – ela e Haddad – saíam de visita, conjunta, ao ex-Presidente.

Ver os últimos 2 minutos deste vídeo:

 

Quem acompanha o Duplo Expresso bem sabe que a pressão para que Lula concedesse tal prerrogativa a Haddad vem de longe. Valeu-se, inclusive, de uma patética tentativa de constrangimento público do ex-Presidente, com articuladores do Plano B plantando “notinha” na Folha de S. Paulo – mais de 2 meses atrás! – dando conta de que Haddad, oferecido, já até buscara uma “carteirinha na OAB”.

O balão de ensaio não voou. A pressão – então – não frutificou. E, já no dia seguinte (!), os articuladores do Plano B voltaram ao mesmo espaço, na Folha de S. Paulo, para “explicar” por que, ao contrário do que fora plantado na véspera, Lula não iria constituir Haddad como “advogado” coisa nenhuma.

Controlemos nossa vergonha alheia para lembrarmos do episódio (25/abr/2018):

Hoje, duas semanas depois, a “agro-jornalista” Monica Bergamo, que vive de plantar “notinhas”, resolve alargar – com a resposta – a “horta” que mantém em sociedade com Fernando Haddad:

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OPERANTE
O ex-prefeito Fernando Haddad foi na OAB-SP, na manhã de segunda (23), buscar a sua carteira de advogado. Ele está inscrito na entidade desde 1987.

DEFESA
Com isso, Haddad pode se habilitar para advogar em qualquer ação do ex-presidente Lula, tendo, em tese, acesso livre a ele na prisão.

NA ÁREA
Caso receba procuração, o ex-prefeito não deve atuar na defesa criminal, e sim na cível.

*

“Poderá defender Lula”…

“Pode se habilitar para advogar”…

“Caso receba a procuração”…

*

Oi?!

Pois eu, Romulus Maya, o parceiro Rubens Francisco e todas as dezenas (centenas?) de milhares de advogados do Brasil também “poderemos” (!)… “nos habilitar” (!)… “para advogar” para Lula… “caso recebamos” (!)… procuração (!)

Percebem o nível de não-notícia?

E de descaramento?

Não bastasse tentarem coagir o Presidente Lula a desistir da sua candidatura em favor de Haddad, com direito a “notinha” ameaçadora plantada no Estadão…

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Petistas têm sido aconselhados a convencer o ex-presidente Lula a desistir da candidatura ao Planalto. Em conversas recentes com ministros do Supremo, ouviram que a única forma de ajudar Lula a sair da prisão é tirá-lo dos holofotes. Enquanto o petista estiver todos os dias na mídia e confrontando o Poder Judiciário é impossível que a Corte vote qualquer ação que possa beneficiá-lo, como o fim da prisão após 2.ª instância.

 

… o pessoal do “Plano B” agora renova a parceria com a Folha de São Paulo, aquela que publicou o manifesto de “intelectuais” (sic) lançando a sua candidatura – com Lula ainda solto, meses atrás (!) para tentar constranger o ex-Presidente a indicar Haddad – também! – como seu procurador!

*

E adivinhem quem – na ‘GloBosfera’ – prontamente repercutiu, com muito destaque (inclusive em vídeo), esse constrangedor balão de ensaio?

Acertou quem respondeu, alternativamente, tanto “Brasil 247” quanto…

– … “Central do Plano B”!

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(o número de vezes que eles já reaproveitaram essa foto…)

*

– “O JOGO É PESADO”!

… como bem nos confidenciou membro digno da Executiva Nacional do PT láááááááá atrás, quando o Duplo Expresso ousou expor (desde o distante janeiro) a articulação do “Plano B” – de “B’ola nas costas” e “B’astardo do Golpe” – que ainda engatinhava então, na sua tentativa de se impor – “de fora pra dentro” – ao PT.

Sim… jogo pesadíssimo, honrado membro da Executiva!

E sem nenhum limite. Como vemos, nem para o ridículo, nem para a apelação.

*

Como dito acima, já no dia seguinte, como o balão (de ensaio) pegou fogo e não decolou, Haddad… digo… “Monica Bergamo” vem a público explicar “por que” (sic), ao contrário do que fora plantado na véspera, Lula não iria constituir Haddad como advogado coisa nenhuma:

RACHA
Não há consenso sequer sobre a entrada de novos defensores nos processos do ex-presidente, para que ele possa receber mais visitas. Há os que pregam que líderes do PT que são advogados, como Fernando Haddad e Emídio de Souza, tesoureiro do partido, entrem nas causas. E há os que são contra a ideia.

 

Pois é. Isso foi 2 meses atrás.

E como terá sido agora, finalmente, fabricado esse… hmmm… “consenso”?

É evidente que na política, que vive de sinais, não há ingênuos. Portanto, todas as partes envolvidas bem sabiam como os articuladores do Plano B – dentro do PT e no Golpe (i.e., aqueles ostensivamente no Golpe) – explorariam:

(i) a visita de Haddad a Lula – apenas a segunda em quase 3 meses (!) de prisão; bem como

(ii) a concessão – “concessão”! – a Haddad da prerrogativa de “visitar” o ex-Presidente, agora a qualquer tempo, na qualidade de seu “advogado”.

O abuso, com “extrapolações” de todo previsíveis, não tardou. Se havia “ingênuos”, com dúvidas sobre o tipo de coisa que os articuladores do Plano B plantariam – no Cartel Midiático e na ‘Globosfera’ – a infame “Veja” as respondeu apenas algumas horas (!) depois da visita:

Lula já definiu a estratégia de transferência de votos para quando sua candidatura for impugnada. Fernando Haddad será o nome escolhido e o líder petista vai declarar no tempo de TV: “Eu, Lula, sou Haddad”. O ex-prefeito de São Paulo vai responder: “E eu, Haddad, sou Lula”.

 

Importante registrar que a outra visitante de Lula daquele dia, a Senadora Gleisi Hoffmann, correu a desmentir tal “notinha”:

 

E outra, de hoje:

 

Os desmentidos, contudo, contrapõem-se ao fato, objetivo, de Lula ter – 2 meses depois do início da pressão (até mesmo pública) – cedido: finalmente constituiu Haddad como “seu advogado”.

Ser o ex-Prefeito de SP o “coordenador do programa de governo”, evidentemente, não justifica a necessidade de visita sem agendamento prévio.

O que terá acontecido de lá para cá?

Abre-se o chão sobre o qual nós – “Lula de A a Z” – montamos nossa trincheira de resistência?

Há mais de uma hipótese para trabalharmos…

A primeira, fatalista, seria a de que finalmente o Golpe teria conseguido quebrar Lula. E, assim, impor ao ex-Presidente o seu candidato no PT. A farsa eleitoral estaria consumada com o Golpe logrando escalar os seus candidatos titulares (i.e., os ostensivos) e o “nosso” (sic). A partir daí, a manutenção da candidatura de Lula e os recursos na Justiça “para esse efeito” seriam meramente… cenográficos. Ou seja, mais um “Telecatch”, visando a um público de 206 milhões.

 

Com jogo combinado, o recurso de Lula ao TSE seria feito e, logo em seguida, negado. A partir desse momento, operaria o “dedazo”. E Haddad – numa “emergência eleitoral” – seria ungido o “abnegado” “salvador do PT”. Isso porque, como vimos reiteradamente observando desde abril, amplamente rejeitado nas bases, Haddad não resistiria a uma primária:

O “Plano B” só vinga se for ungido “por aclamação” (sic). Ou seja, se o nome de Haddad sair do bolso do colete. E não, em hipótese nenhuma, de uma primária no PT, com zero chance de ser vencida pelo “B”. Sua única chance é ser “incumbido” (sic), “no desespero” (sic), de carregar o “ônus” da candidatura, diante do impedimento (combinado!) de Lula pelo Judiciário. Notem bem: impedimento pelo qual o “Plano B”… trabalha!

 

Assim, tratar-se-ia de uma eleição sem riscos para o Golpe. Ganharia de qualquer maneira, seja com seu candidato legítimo, seja com o “B”, de “B’astardo”. Se for esperto – e estiver disposto a colher frutos num horizonte de tempo mais longo – o Golpe usará os seus recursos – i.e., dinheiro, Justiça, mídia, “pesquisas” e fraude na totalização dos votos – para garantir, justamente, a vitória do (seu!) “Plano B”.

“Carta aos Brasileiros… de carne e osso”
Como bem observou o comentarista para assuntos institucionais do Duplo Expresso, o advogado e assessor legislativo Samuel Gomes:

Diz a Veja (!) que Lula já escolheu o Haddad. Duvido que Lula cometa esse erro. Seria a maior queima de capital político da história da humanidade. O Haddad daria um bom vice para o Meirelles. Ele é, de per si, uma Carta aos Brasileiros.

 

Em outras palavras, como observamos ainda em março, o peleguismo financista de Haddad na Presidência lograria destruir a viabilidade do PT em eleição majoritária – e por gerações. Senão para sempre. Tal qual ocorreu com os Partidos Socialdemocratas “reformistas” europeus, como na Grécia (PASOK), na Itália (PD), na França (PS) e na Espanha (PSOE), entre outros. Ascendendo ao poder em contextos de grave crise econômica, todos eles optaram por “debelá-las” (?) traindo as bases. Fizeram, no governo, o serviço sujo – antinacional e antipovo – exigido pela Finança internacional:

 

Aliás, não precisamos sequer viajar à Europa. O distanciamento entre Dilma Rousseff e as bases que a reelegeram em 2014, as quais traiu com Joaquim “estelionato eleitoral” Levy, abriu o caminho para o Golpe. Imaginemos onde estaria o PT hoje se não tivesse mais a figura mítica de Lula a quem recorrer.

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Como disse, o cenário descrito acima é o fatalista. Resulta de uma – ainda hipotética – capitulação de Lula – e do PT – diante do Golpe.

A outra hipótese é de que o “sindicalista” Lula segue “não fechando portas”. Nem mesmo para o Golpe. Ou seja, não rompe com o mesmo totalmente, escolhendo em vez disso manter o diálogo, não detonando, por ora, a viabilidade do seu candidato no PT.

Digo, do candidato – do Golpe – no PT: Fernando Haddad. Aliás, tão “FH” quanto o outro, eleitor seu assumido:

 

Assim, Lula daria sinais de que ainda está aberto à negociação. E de que, a depender da conjuntura e dos termos do “acordo global” atingido, segue existindo a possibilidade de o Golpe lograr indicar o candidato “do PT”. A “metamorfose ambulante” Lula retomaria, dessa forma, a velha tática de soltar – como “seus” – diversos cavalos, concorrentes entre si, num mesmo páreo. Para, ao final, escolher aquele que se viabilizar. E renegar o(s) derrotado(s).

Como fez, por exemplo, administrando em 2014 – ao sabor dos ventos – a disputa entre (i) “volta, Lula”; e (ii) “fica, Dilma”. Perguntem, p.e., a Gilberto Carvalho, Marta Suplicy e boa parte do PT. Ou ainda, no final do segundo governo, diante do dilema entre (i) eleger um “poste”; ou (ii) alterar a Constituição para permitir um terceiro mandato consecutivo.

No caso atual, os “cavalos” mais discerníveis seriam (i) a composição com o Golpe, via Haddad, e (ii) a confrontação total, melando a farsa eleitoral com a não substituição do seu nome como o candidato do PT. Nessa última hipótese, assim como no caso da indicação de Haddad para ser “o coordenador do programa de governo”, a proximidade terá servido para manter o “inimigo” por perto, sob vigilância.

Qual será a hipótese “verdadeira”?

(i.e., se houver apenas uma!
Notem que, enquanto meras “hipóteses”, não são excludentes na cabeça de uma mesma… “metamorfose ambulante”!)

(1) Lula capitulou?

Ou…

(2) Lula enrola o Golpe?

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Na segunda hipótese, caso esteja enrolando o Golpe, faz isso para, alternativamente:

(2)(a) Promover uma composição, parafraseando Jucá e patrocinando, no final, “um grande acordo nacional, com (PT, com Lula), com tudo”?

Ou…

(2)(b) Dar o drible da vaca no Golpe, levando o “Novo (Antigo) Regime” a um impasse “eleitoral”/ institucional?

Por motivos óbvios, prefiro acreditar na última hipótese. Sempre fui socialdemocrata, gradualista, “institucionalista” e a favor da conciliação. Por isso mesmo sinto-me extremamente confortável para reconhecer aquilo que muitos no PT negam-se a aceitar – presos que estão aos velhos hábitos de sempre, que afinal foram o que criou o nicho político que sempre ocuparam:

– Não há composição possível quando o outro lado, em face do acirramento do conflito distributivo, exige que todas as perdas sejam integralmente suportadas pelos trabalhadores – e miseráveis.

– A premissa da democracia liberal representativa exauriu-se no Brasil atual. Não mais existe necessidade de a Finança transnacional tolerar uma oposição “dócil” – o PT – quando assume o controle pleno da vida política nacional por meio de 3 poderes não eleitos: Judiciário/ Mídia/ Mercado.

(e, quiçá, Forças Armadas ainda)

– Dessa forma, a Finança transnacional logra, via lawfare, escolher:
(i) quem pode ser candidato (“ficha limpa”/ “improbidade administrativa”/ prisão);
(ii) quem (e como) pode fazer campanha – sem ser acossado por Ministério Público Eleitoral/ Justiça Eleitoral;
(iii) quem vai ser prejudicado, com fraude, na totalização de votos (Brizola 82 e 89, p.e.);
(iv) quem pode tomar posse (aprovação de contas de campanha/ ações de impugnação de rivais por abuso do poder político e econômico);
(v) quem (e como) pode governar – sem ser acossado por “órgãos (literalmente) de controle” (e.g., TCU), STF e (ameaça de) impeachment.

– Diante de tal controle não mais existe, sequer, a necessidade de a Finança transnacional tolerar o alto “custo de operação” ($$$) das velhas oligarquias regionais (PMDB e demais), com os seus caros “pedágios” e “privilégios cartoriais” – locais e nacionais.

Em vista dessas premissas, apostar numa composição com o Golpe equivale ao avestruz que, diante de um leão, em vez de enfrenta-lo (com prognóstico desfavorável), prefere enfiar a própria cabeça na areia. Não só nega o problema como coloca todas as chances de sobrevivência fora do seu controle.

(i) Seja passando-as ao jugo do predador: “o leão já me viu ou não?”; “se o leão comer meus irmãos, será que ainda vai vir atrás de mim?”; “terá o leão peninha de nós – e dos avestruzes pobres que represento?”;

(ii) Seja passando-as às mãos do “imponderável”: terremoto, dilúvio, tempestade de areia, queda de avião, Deus, invasão extraterrestres, acordar – de repente – da “Matrix”…
Ou seja, com a intervenção de um Deus ex machina. Como, p.e., aquela da sequência final do filme “Apocalypto” (2006), em que conquistadores espanhóis (involuntariamente) salvam, com sua “mera” chegada-surpresa, um membro de minoria indígena que, jurado de morte, era perseguido por guerreiros do império meso-americano maia:

(hmmm… serão, no nosso caso, os chineses chegando, em nosso socorro, com o embargo ao frango, à soja e ao minério de ferro brasileiros?)

Por definição, impossível ponderar o… “imponderável”. De forma que a escolha, num planejamento estratégico sério, segue sendo entre (i) “compor” (em verdade, como vimos, capitular); ou (ii) ir para o enfrentamento.

É uma escolha que a “metamorfose ambulante” Lula terá de fazer. Aquele que, até aqui, vem dando de comer a todos os “cavalos”.

Na política, que, novamente, vive de sinais, até aqui a “metamorfose ambulante” vem administrando os dois cavalos, opostos. Com a mão direita faz afagos em Haddad, antes nomeado “coordenador do programa de governo” e, agora, “advogado”. Já com a mão esquerda, dá-lhe tapas. Humilhou, publicamente, Haddad e as suas pretensões duas vezes: no aniversário de 38 anos do PT – em que ficou “olhando (Haddad) e matutando” – e no discurso de despedida em São Bernardo, em que impôs distância até mesmo física.

Em qual cavalo, ao final, Lula montará?

“O público vs. o privado… a ‘pessoa jurídica’ vs. a pessoa física”
Por um lado, o grande líder fará tal escolha no lugar de outras 206 milhões de pessoas. Diante do juízo – impessoal – da História.

Por outro, um senhor de 72 anos fará tal escolha no lugar de todos os membros da sua família. Sob o juízo, personalíssimo, do homem. Aquele que já perdeu a esposa. E ainda um primo, assassinado no Nordeste justamente no momento em que resistia à ordem de prisão de Sergio Moro no Sindicado em São Bernardo.

Não era Tancredo quem dizia que em política não há coincidências?

Com data fatal marcada, quem viver verá a escolha de Lula. No entanto, com ele adiando-a o quanto pode, o que é certo é que o fardo a cargo da Senadora Gleisi Hoffmann é ainda mais pesado. A ela não compete, apenas, manter viável dentro do PT o “cavalo” da candidatura de Lula “até as últimas consequências” (nas palavras da própria), caso Lula opte pela guerra total contra o Golpe ao final. Compete-lhe também, enquanto isso, ser a “porta-voz” de Lula que finge não ter significado maior o gesto de constituir Haddad como “advogado” (sic). I.e., constituí-lo agora… e não meses atrás, quando a pressão – descarada – fez-se até publicar nas páginas da (sua) Folha de S. Paulo.

Até lá, dá-lhe tuítes:

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Como analista, será interessantíssimo de observar…

Como brasileiro, o coração ficará na mão até lá.

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P.S.: tenho restrições a certas colocações, que bem refletem a facilidade do discurso “psolista cirandeiro”, de (certa) Zona Sul do Rio de Janeiro. Como, p.e., quando fala do (incontornável!) PMDB… mas o vídeo abaixo, sobre Lula e a “conciliação (já agora) impossível”, vem a calhar:

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.