#EuNão: manifesto contra o fascimo-chic que deu certo

Por Maria Eduarda Freire, Luiz Moreira & Romulus Maya

  • Quando um movimento político se diz apartidário já é uma construção ideológica. A quem serve o movimento #elenão? O “ele” é uma fulanização que pode ser apontada a qualquer um. Dessa forma, pode ser instrumentalizado por qualquer interesse em disputa que “não” quer perder. Quem ganha com o movimento #elenão? A Rede Globo, o Mercado e a Direita Fascista.
  • “PT JURÍDICO”: O FASCIMO-CHIC QUE DEU CERTO: Não é “nós” contra “ele”, mas muito de “nós”, “nele”. O terreno do fascismo já está pavimentado, o “coiso” não precisará fazer nada para que essas “coisas” continuem acontecendo. Deve ser por isso que estarão “todos” juntos, de mãos dadas, “contra” “ele”. NÃO CONTEM COMIGO. #EUNÃO

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MANIFESTO #EUNÃO

Quando um movimento político se diz apartidário já é uma construção ideológica. A quem serve o movimento #elenão? O “ele” é uma fulanização que pode ser apontada a qualquer um, dessa forma, pode ser instrumentalizado por qualquer interesse em disputa que “não” quer perder. Quem ganha com o movimento #elenão? A Rede Globo, o Mercado, e a Direita Fascista.

Através do movimento #elenão, a esquerda assumirá definitivamente o seu casamento com os golpistas. Afinal, essa é a mesma esquerda que através do seu republicanismo penal viabilizou a “Lava Jato” e comprou o “espantalho” do patrimonialismo moralista da pauta golpista. Novamente, esse “ele” é mais um “espantalho”, que oculta e invisibiliza vários “eles”, tão fascistas quanto “ele”, a saber:

– A opção político-institucional de segurança pública do PSDB na manutenção dos padrões de letalidade da polícia é a ideologia do “Bandido bom é bandido morto”.
– A “guerra às drogas” como política de Estado da Esquerda e Direita de Extermínio dos brasileiros jovens pobres negros assassinados em número maior que as vítimas da guerra na Síria.
– A lei antidrogas do PT que foi responsável pelo encarceramento em massa dos brasileiros jovens pobres negros da periferia.
– A manutenção do “Estado De Coisas Inconstitucional” dos presídios brasileiros pelos governos da Esquerda e Direita.
-E a sociedade que aplaude tudo isso…

Não é “nós” contra “ele”, mas muito de “nós”, “nele”. O terreno do fascismo já está pavimentado, o “coiso” não precisará fazer nada para que essas “coisas” continuem acontecendo. Deve ser por isso que estarão “todos” juntos, de mãos dadas, “contra” “ele”. NÃO CONTEM COMIGO. #EUNÃO

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  • “PT JURÍDICO”: O FASCIMO-CHIC QUE DEU CERTO (1)

Por Luiz Moreira, para o Duplo Expresso

Fazer distinções diz respeito ao que existe de mais sofisticado no mundo espiritual.

Distinguir a defesa pessoal de Lula e sua condição de ex Presidente;

Distinguir a defesa política de Lula da tarefa de eleger o próximo Presidente da República.

O golpe parlamentar não se relaciona com a prisão de Lula, que é de responsabilidade do petismo jurídico.

Passemos a algumas questões:

1) se Bolsonaro ganhar as eleições, o que ele precisa fazer para encarcerar negros e pobres?

2) se Alckmin ganhar as eleições, o que ele precisa fazer para criminalizar os movimentos sociais?

3) se um dos dois ganhar as eleições, o que precisa ser feito para interditar os partidos de esquerda?

Para as três questões a resposta é a mesma: nada!

Sabem por que?

Porque o petismo jurídico produziu o maior arsenal punitivista da história do Brasil.

Sigamos!

4) se Bolsonaro ou Alckmin ganharem as eleições, o que precisam fazer para que a PF, o Ministério Público e o TCU continuem em suas sagas de interdição da política e de criminalização dos movimentos sociais?

NADA!

E sabem por que? Porque sob o petismo jurídico essas instituições foram treinadas para interditar os governos de esquerda e qualquer projeto de justiça social.

Quem inventou a figura do PGR todo poderoso?

Quem inventou a figura do Diretor da PF “imexível”?

Quem criou a dicotomia entre gestão e controle?

Quem criou a relação entre Globo e Sistema de Justiça?

Quem transformou o combate à corrupção em luta ideológica, criando as condições para que o sistema de justiça subordine os poderes políticos?

A agenda do petismo jurídico foi gestada nos Ministérios da Justiça e da Casa Civil, com repercussão e engajamento no Congresso, de todos os Governos do PT, especialmente no de Dilma Rousseff.

Nesses Governos, foram atendidas e fomentadas todas as pretensões punitivistas da PGR, de Cláudio Fonteles a Rodrigo Janot, inclusive a compra do sistema de monitoramento “Guardião”, financiado com recursos do BNDES, além do estabelecimento da ENCCLA e do INOVARE.

E a Ficha Limpa, que foi articulada para purificar a política dos rincões, que acabou por interditar o maior líder político da história do Brasil?

Há mais!

Quem produziu a Súmula Vinculante?

Quem produziu as cooperações internacionais, entre PGR e Governos estrangeiros, sem intermediação do Itamaraty?

Quem apostou na Jurisdição Constitucional, como ferramenta de esvaziamento da democracia e de relativização do voto?

Para concluir:

Foi interditada, no TSE, a candidatura de José Roberto Arruda ao governo do DF. Essa ação foi promovida pelo PGR do petismo jurídico, utilizando dispositivo da lei da ficha limpa. Alguém protestou? Ou era conveniente que a justiça eleitoral resolvesse questão própria aos partidos e à soberania popular?

E o pedido de intervenção no Distrito Federal, conectada à prisão preventiva de José Roberto Arruda, então Governador do DF, por crime cometido antes de seu mandato?

E a ação de inelegibilidade de Joaquim Roriz às vésperas da eleição para Governador do Distrito Federal, obrigando-o ao lançamento de sua esposa, Weslian Roriz?

Todas medidas promovidas pela PGR do petismo jurídico, sob os marcos jurídicos da Ficha Limpa.

Quando o PGR, do petismo jurídico, pediu antecipação de pena, sem o trânsito em julgado, para José Dirceu, José Genoíno e outros, houve protestos, de quem?

Essas são considerações que devem ser enfrentadas pelo próximo Presidente da República!

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  • “PT JURÍDICO”: O FASCIMO-CHIC QUE DEU CERTO (2)

(…)

(III). COMO A “MENSAGEM AO PARTIDO”/ “PT JURÍDICO” TOMOU A SIGLA DE LULA; E O QUE ISSO PRENUNCIA DE UM GOVERNO HADDAD

Dizíamos na abertura do artigo:

“Aos poucos vai ficando claro por que Fernando Haddad negou 3 vezes na semana passada, diante de Renata Lo Prete na bancada do Jornal da Globo, que seus votos fossem, exclusivamente, de Lula. Fez o que pôde para não ser reduzido ao que é: um mero poste do ex-Presidente, ilegalmente encarcerado. Disse que “era mais complexo que isso”. Segundo Haddad, as intenções de voto não viriam de Lula, mas sim principalmente da campanha, do projeto (impessoal) e “da força do PT”. PT esse cujo controle, convenientemente, a sua tendência (de criação) – a “Mensagem ao Partido”/ “PT jurídico” – finalmente conseguiu tirar do criador, Lula. Obstinados, tentam o golpe desde (ao menos) 2005, quando surfavam (a farsa de) ‘o Mensalão’”.

 

2018: eis que 13 anos depois – sim, exatamente 13! – conseguiram, finalmente, concluir a missão. Contaram para isso com a indispensável intervenção dos seus parceiros situados no Judiciário e na PGR/ MPF. Quem observou de perto a interação entre os (supostos) advogados de Lula na Justiça Eleitoral e o TSE bem viu que se estava diante muito mais de uma tabelinha, para que ambos pudessem, juntos, enquadrar o outorgante da procuração (Lula) – e, tão importante quanto, a sua base social –, do que propriamente de um embate pela manutenção da candidatura do ex-Presidente. Buscavam-se ali, tão somente, álibis. Para ambos os lados.

Se havia alguma dúvida, o sincericídio de Eugênio Aragão em entrevista coletiva naquela semana a sepulta de forma inapelável:

 

 

 

Note-se que tal tabelinha vinha operando desde o início. E fez-se primordial, inclusive, no fim de semana em que se registrou a tal “chapa triplex”, com Haddad de Vice temporário e Manuela de definitiva. A tal “determinação” da Justiça Eleitoral para que o registro fosse concluído até a meia noite do domingo para segunda-feira, sob pena de “a chapa não ser registrada”, deveu-se muito mais ao discurso que Aragão vendeu aos dirigentes do que propriamente aos termos exatos do pronunciamento do TSE.

Bem… oxalá ao menos Eugênio Aragão possa finalmente ser recompensado por um para sempre agradecido “Presidente Haddad” com uma cadeira no STF. Afinal, há muito ele se bate por uma. Para isso, celebrou até mesmo pacto com o maior dos verdugos do PT na PGR, Rodrigo Janot, cujos termos garantiram que esse viesse a ser o PGR, no lugar da escolha original de Dilma, a de todo correta, ponderada e sólida Ela Wiecko. O próprio Eugênio deu publicamente uma versão, água com açúcar, sobre as suas gestões para que tal troca se concretizasse.

Talvez, essa mudança de peça individual no tabuleiro do jogo tenha sido, juntamente ao fato de Dilma forçar a sua candidatura à reeleição em 2014 no lugar da volta de Lula, aquela que mais peso teve para determinar o fim que levou o ex-Presidente.

(e o Brasil)

Parabéns, Eugênio Aragão!

A recompensa parece estar, finalmente, logo ali na esquina.

Mas voltemos ao fatídico domingo em que Eugênio Aragão garantia às lideranças do PT que, não fosse registrada a chapa – já com Vice – até a meia noite, não haveria mais chapa. A manobra visou a interromper negociações que Lula entabulava com outros candidatos a “Plano B”, preferidos pelo ex-Presidente a Haddad. Além de Jacques Wagner, que refugou, e de Gleisi Hoffmann, que corria por fora, havia ainda conversa com Ciro Gomes, intermediada pelo Senador Roberto Requião em pessoa, lá mesmo de Curitiba.

A tripla faca colocada no pescoço de Lula – empunhada por (i) “TSE” – na verdade, via discurso construído por Aragão; (ii) o “impaciente” Fernando Haddad; e (iii) o PCdoB, para a definição da chapa ainda naquela noite, tornou o “duplex” fuleiro Haddad/ Manuela (“muquifex”?), fato consumado na rodada seguinte.

Nada disso teria sido possível caso luminares da “Mensagem ao Partido”/ “PT jurídico” não tivessem, ao longo de mais de década!, usado o poder outorgado pela soberania popular para voltarem-se contra… a própria! Ocupando cargos no Ministério da Justiça por obra e graça de votos, e em Lula – o que inclui os 2 mandatos de Dilma Rousseff –, Tarso Genro, Fernando Haddad, seu braço direito, e José Eduardo Cardozo impulsionaram a agenda legislativa/ institucional que criou o mais sofisticado arsenal punitivista da história do Brasil (a “ENCCLA”). E aquele que mais empoderou os Poderes não eleitos do nosso sistema constitucional – Judiciário, MPF (e polícias) – em prejuízo, é claro, dos eleitos. Ou seja, do Executivo e do Legislativo.

Decorrência direta das leis da Física: dois corpos não podem ocupar, ao mesmo tempo, o mesmo espaço. De poder, no caso. Artigo finito que é. Se um ganha mais poder, outro necessariamente há de, antes, tê-lo perdido.

No arsenal punitivista que empoderou de maneira exorbitante os Poderes não eleitos, Judiciário e MPF, incluem-se, entre outros:

(i) a observância da lista tríplice para a nomeação de PGR, antigo pleito corporativista da ANPR;

(ii) nomeação de indivíduos “demofóbicos” para o STF. Seres “iluminados” que desprezam a soberania popular e sabem, no seu lugar, o que é melhor para a mesma. Isto é, mesmo quando essa se reúne, de 4 em 4 anos, num colégio eleitoral de nada menos que 150 milhões de almas! Trata-se dos pretensos “refundadores da república”, tal qual o inacreditável malandro Luis Roberto Barroso;

(iii) a compra pelo BNDES de sistemas de interceptação telefônica (“Guardião”) e outros equipamentos de última geração de inteligência e contra-inteligência para aparelhar a PGR, constituindo a chamada “ABINzinha (!). E, assim, liberando geral a arapongagem sobre os Poderes eleitos – de maneira oficial mas também, é claro, clandestina!;

(iv) a Lei de Drogas (Lei 11.343/2006), relatada na Câmara pelo Deputado Paulo Pimenta, do PT, impulsionada pelo “PT jurídico”. Ela, simplesmente, promoveu a encarceração em massa da juventude negra do Brasil, levando à explosão do contingente carcerário do país, o terceiro maior do mundo. Meros usuários de drogas, pegos com um cigarro de maconha, viram-se obrigados, uma vez dentro do sistema carcerário, a aderir a uma das facções criminosas brasileiras para que pudessem, simplesmente, permanecer vivos. Sejam elas aquelas afiliadas ao PCC, sejam ao Comando Vermelho. Essa Lei deveria ser batizada, em realidade, de “Programa Nacional de Recrutamento do PCC/ CV” (!)

(v) a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/ 2010). Lei essa que transformou o Judiciário no “Conselho Supremo da Revolução Iraniana” do Brasil. Ou seja, o órgão – não eleito, portanto blindado contra a soberania popular – que passa pente fino na lista de pretensos candidatos para definir quem pode – e quem não pode – concorrer. Tutela, assim, a soberania popular, entidade “ignara”, tosca. Lei essa, vejam só, relatada na Câmara por ninguém menos que José Eduardo Cardozo, no Senado por Aloizio Mercadante e impulsionada pelo Ministro… Tarso Genro. Circuito fechado!;

(vi) a nova redação do artigo 282 do Código de Processo Penal, estabelecendo um “liberou geral” para que juízes decretassem prisões preventivas (Lei No. 12.403/2011). Ou seja, a alteração legislativa que tornou legal o crime de extorsão mediante sequestro, desde que praticado por juízes e procuradores abusando de poderes de Estado;

(vii) a Lei de Organizações Criminosas (Lei 12.850/2013). Ou seja, a “Lei PT”. Como se sabe, no Brasil da Lava Jato o PT é a única “OrCrim” do país! Trata-se também da lei que instituiu as infames “delações premiadas”. Combinando os dispositivos desta lei com o novo artigo 282 do CPP (item anterior), criou-se, na realidade, a “delação torturada. E também, como consequência direta, a própria Lava Jato. O PAC morreu, sabemos todos, mas Dilma Rousseff segue amparada na maturidade. Afinal, é também a mãe da… Lava Jato! “Não vai ficar pedra sobre pedra”, lembram?;

(viii) a Lei (supostamente) “Anti-Terrorismo” (Lei No. 13.260/2016). Aquela que permite, pura e simplesmente, a criminalização de qualquer movimento social.

Reparem que a “Mensagem ao Partido”/ “PT jurídico”, apesar da traição a Lula, não é de todo ingrata. Reconhece a enorme dívida que mantém com o sistema de justiça, por esse ter tirado (o enorme) Lula do seu caminho. E ter, assim, permitido que tomasse, depois de mais de década, o controle do PT.

Notem: filho dileto da “Mensagem ao Partido”, ex-assessor de Tarso Genro no Ministério da Justiça, um grato Fernando Haddad promete agora, em campanha, federalizar os crimes relacionados às “organizações criminosas”. Ou seja, quer empoderar – ainda mais – o MPF e a Justiça Federal, criando competência exclusiva!

Na verdade, competência exclusiva para julgar o PT, certo? Haddad almeja criar a “vara do PT”? Com “juiz natural” (anti-PT)? Afinal, como sabemos, trata-se da única “OrCrim” do Brasil, não é mesmo?

Ou melhor, Haddad quer criar a vara de um certo PT: o PT de Lula! Supõe-se, aliás, que a nova vara há de ficar em Curitiba. Antiguidade é posto. Assim, o novo “PT”, “renovado tal qual as socialdemocracias europeias (sic) (novamente: conforme já antevia o Manifesto de lançamento da candidatura Haddad, ainda em fevereiro, na Folha de S. Paulo), poderá crescer e florescer. Tudo sobre as nutritivas cinzas do PT “em obsolescência” (tudo conforme o Manifesto), popular e sindical.

Fora isso, lembremos do garrote financeiro imposto a essa ala popular e sindical do PT, aquela de Lula. A ela se nega, além de caixa 2, também o caixa 1. Afinal, os empresários já sabem, à esta altura, para quem não podem doar se não quiserem problemas com a Justiça, reais ou inventados. Notem que, conforme relato recebido pelo Duplo Expresso de membro fundador do PT (i.e., do PT original, popular e sindical), lá mesmo de São Bernardo do Campo (e não outro lugar), o mesmo garrote financeiro não ocorre com a “Mensagem ao Partido”/ “PT jurídico”. Ao contrário, nadariam em caixa 2! E não seria de hoje. Sem sequer disfarçarem muito, pareceriam não demonstrar a menor preocupação com relação a eventuais sanções por parte de Ministério Público e Judiciário.

Ora, como poderiam, não é mesmo?

Fica tudo em família.

Com essas duas pernas fecha-se a pinça “pedagógica” que efetua, pouco a pouco, a cooptação dentro do PT – outrora de Lula:

(i) quem adere à “Mensagem ao Partido”/ “PT jurídico” tem acesso a abundantes recursos para fazer campanha. E, portanto, continuar na política;

(ii) quem não adere há de entrar na mira da nova vara federal a ser criada por Fernando Haddad. O PT, i.e., o popular e sindical, é única “OrCrim” do Brasil, lembram?

Esquematicamente:

(…)

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A turma que quer voltar: Cardozo e os Dilma Boys

 

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