Mourão/ Bolsonaro empenham-se para não haver risco de… ganharem?!

Por Romulus Maya, Piero Leirner & Leonardo Valente

Leituras divergentes – ou nem tanto – a partir de um mosaico de sinais contraditórios emitidos pelos “gorilas” fardados. Afinal, tal tipo de confusão é típico de ataques híbridos.

(1) Mourão, Bolsonaro e o sequestro de pauta

Não sei, e pouca gente sabe o que DE FATO aconteceu na tal facada. Mas dá para saber o que aconteceu depois dela. E é líquido e certo que ela possibilitou uma intensificação de ações de reconversão do modo como estou pensando. Em termos militares, é captura e criptografação das mensagens. Vamos lembrar que o modus operandi que os teóricos da guerra híbrida à brasileira que estão coordenando a marionete-Bolsonaro têm esse objetivo: produzir desinformação a ponto que não se tenha ideia de onde está partindo o ataque. A facada atingiu esse objetivo. Depois dela, o seguinte:

1) Muita gente já notou que Bolsonaro a partir daí quis capturar de Lula o processo de vitimização. Eu iria além. Ele capturou a vítima e a transformou na ideia de SACRIFÍCIO. Por isso, tenho a impressão que não podemos esperar nada além desse desfecho: sua candidatura terá que ser repassada a alguém. Você só se sacrifica em prol de algo; seu marketing vai dizer que é “pelo povo” (e aí a falsa captura das classes populares, visto que havia o problema que Bolsonaro estava ficando excessivamente identificado ao “mercado” [vou voltar a isso, pois tem implicações no que sobra para Haddad]). No entanto, como sabemos, um sacrifício só funciona se o sacrificado for de fato sacrificado. Mourão, que já sabia do que se tratava, já assumiu o controle da situação, e lançou Bolsonaro na fogueira. Hoje mesmo ele vai se encontrar com a campanha de Dória, dando um golpe no PSDB.

Mas voltemos ao sacrifício. Tudo se encaminhava para uma ideia de que Lula estava numa cruzada, e sua prisão, seu martírio, ia promover um reboot aos bons tempos. Alguém mais aí reparou que depois que Haddad assumiu a cabeça de chapa se esvaziou o sentido de vítima de Lula? Pois é, esse é mais um passo da conexão: quando o PT resolveu chancelar as eleições, permitiu que os Generais fossem lá e pegassem da prisão o estoque simbólico que era favorável a Lula. Não só Lula sumiu e Bolsonaro dominou o noticiário; o segundo passou a explorar com muito mais ênfase a ideia de que Lula é um ser poderoso, identificado com ricaços e ditadores, com fortunas escondidas e que ele sim é um sujeito humilde, comum, que chora, que tem um nano-partido, sem conexões, cuja força está na família, em Deus – e é importante ver que essa conexão religiosa é fundamental para se entender isso, pois ela é a que melhor veicula a noção de sacrifício.

2) Vejam o que sobrou para Haddad depois deste assalto (utilizo o termo militar aqui) acima. Quase toda sua exposição na mídia está sendo usada para “aproximá-lo do mercado”. Ele de fato sabe que não governa sem este, e que também o setor paulista não vê com os melhores olhos um Mourão governando (sobre isto, o excelente artigo do Romulus Maya- “Cassino Brasil: por que, depois de escondido, Bolsonaro volta à mídia”). Mas também este é um vácuo que se abriu depois que Bolsonaro foi para o sacrifício, e daí a ironia: como raios um candidato petista fará uma campanha acenando para a burguesia enquanto um candidato da extrema-direita fará uma campanha se dirigindo às classes populares? Pois é, o viés religioso da dimensão que a campanha de Bolsonaro está assumindo vai fazer esse serviço, enquanto para Haddad vai sobrar um discurso pragmático, técnico, moderado, e, o pior, cada vez contando com um Lula mais esvaziado, impossibilitado de realizar uma transferência de carisma. Antes que me acusem aqui de estar sabotando o PT, acho que todos outros candidatos padecem do mesmo problema, talvez exceto Daciolo. Então, do meu ponto de vista, se Haddad quer ter alguma chance, é preciso, como disse Gleisi, “tomar um banho de povo”, porque mercado não ganha eleição, e estão aí as últimas 4 para provar.

3) O segundo elemento sequestrado: a eleição fraudada. Alguém ainda se lembra que até semana passada o PT dizia que a “eleição sem Lula é fraude”? Pois é, agora só sobrou o PCO dizendo isso na TV, durante 3 segundos em dias alternados. Mais um ponto que Bolsonaro sequestrou. Quem estranhou (como eu, a princípio) ele ter batido tão forte nessa tecla no domingo pode estar certo que o sentido disso é aumentar a intensidade da guerra híbrida. Não se trata de pensar só em ganhar ou perder eleição, não adianta pensar que ele disse uma coisa que pode ser um tiro no próprio pé caso ele vença. Ele diz e desdiz coisas o tempo todo, a estratégia é justamente essa. Ele fala, o Mourão vem e joga água na fogueira. TODA INTENÇÃO DESSES SENHORES É A DE DESESTABILIZAR O PROCESSO ELEITORAL, E A PARTIR DAÍ INTENSIFICAR A IDEIA DE QUE SÓ UMA ORDEM EXTERIOR PODE INTERVIR NESSE CAOS.

Até para o próprio Bolsonaro é interessante deslegitimar a eleição, pois mesmo ganhando ele precisará da borracha dos cassetetes em 1 mês de governo. Vamos lembrar que as alianças mais sólidas deles estão nos próprios militares e no judiciário do Sul, ou seja, podemos esperar a intensificação de ações tipo “polícia política”. Mais uma vez, a ideia de sacrifício também vem a calhar, pois é em nome disso que Mourão vai tentar estabelecer algum princípio de hegemonia e conter as classes populares. De todo jeito, sabemos, isso não vai funcionar. Militar é muito ruim para analisar o povo.

Além disso, entra um novo fator, que merece ser considerado como um parêntese aqui. Como todo mundo vem dizendo há tempos, mais hora menos hora o TRF-4 ia se tornar um problemão para as instâncias superiores. Gilmar e Toffoli começaram a agir, e eis que de repente começamos a ver nas últimas duas semanas um grupo de Generais atribuindo ao STF o caos no país. Entenderam onde isso vai dar? Pois bem: parte da guerra híbrida também se apoia nesse sequestro-relâmpago: pegaram o discurso do PT que dizia que Moro estava produzindo uma enorme insegurança jurídica, e transferiram isso para o STF. Vamos lembrar que Mourão já disse “nova Constituição, nova ordem”, e que Bolsonaro já falou em “aumentar o STF”.

Enquanto isso, o PT simplesmente se esqueceu do ponto-chave que diz respeito a Lula: explorar ao máximo as parcialidades de Moro e sua entourage. Pois, é claro, tem que construir a imagem de Haddad. Agora, ao mesmo tempo, este vem dizendo que o que aconteceu com Lula se trata de um “erro jurídico” e que o STF “vai consertar”. Aliviou para o Moro e transferiu a responsabilidade para o Toffoli. Percebem onde isso vai dar? Haddad e os militares estão ao mesmo tempo encurralando o STF, é no mínimo surreal essa imbricação. Quanto mais Haddad manda suas energias para o STF, mais Mourão & cia vão construir argumentos para uma dissolução futura desse. Com o apoio do TRF-4. Se eu fosse Toffoli, botava Moro no CNJ ontem, tem que esticar essa corda antes da eleição.

4) Finalmente, a conversa da “imprensa golpista”. Este sequestro é mais complicado, pois ainda está em construção, e mexe com um dos epicentros da artilharia híbrida. A intensificação do contra-ataque começou a ocorrer agora, e provavelmente vai aumentar muito nas próximas três semanas. A conversão que o grupo de Mourão está fazendo é uma construção que já tem alguma duração, e pretende atingir um duplo objetivo: em primeiro neutralizar qualquer aproximação entre a imprensa e outros candidatos, especialmente Haddad, caso ele caia nas graças de setores do mercado. Percebam que isso também carrega a reboque uma desconstrução da narrativa petista que sempre mostrou a imprensa como inimiga. De novo, isso só ocorre pelo esvaziamento do papel de Lula para construir a imagem de Haddad, e como efeito colateral há a porta aberta no pasto para Mourão & cia roubarem mais este capital simbólico que antes era do PT.

Mas em segundo lugar vem o reforço da estratégia “hit and run”, criar um cenário de confusão ainda maior, lançar essas bombas semióticas e deixar uma parte importante da população sem referência. Podemos suspeitar que essa estratégia visa também a captação de um voto popular “lulopetista”, pois a narrativa ao mesmo tempo que dá porrada em Lula endossa elementos que antes eram seus. Nada mais eficaz nessa guerra do que gerar informações contraditórias, por isso guardem bem que Bolsonaro, lá naquela montagem bizarra em que ele finge estar quase morrendo e fala durante 17 minutos ( e depois está de pé bem humorado aparecendo para o Fantástico), manda seu recado: “você que é petista, você é um ser humano…”. O recado é: “chega mais”.

Para quem acredita que Bolsonaro é só um tosco e Mourão idem, vai uma informação aqui. Os dois são da Arma de Artilharia, Mourão da turma de 1975, Bolsonaro de 1977. O primeiro deve ter dado trotes até não poder mais no segundo, isso é um ponto na hierarquia tão relevante quanto um ter chegado a General e o outro ter saído como Capitão. Há cumplicidade e hierarquia entre eles. Geralmente os artilheiros são mais “cerebrais”, o que em termos da carreira, segundo me disseram, os torna mestres em fazer bons cálculos. Não sei se isso procede, mas lembro bem de uma coisa que me ensinaram em outros tempos: o militar aprende rápido a conspirar, a carreira é movida a um jogo de tipo conspiratório para conseguir se chegar ao generalato. Quando falo em “conspiração” estou querendo sobretudo pegar um sentido militar para a palavra, que envolve “segredo”, “difusão de informações falsas” e “conversão de significados”. Trata-se assim de um sentido semiótico, que evidentemente se impõe ao mundo como tática de guerra. Alianças e puxões de tapete são uma coisa comum, essa conversa que fala dos “valores militares” é muito mais “para fora”, e “entre Armas e Forças”. Ali no miúdo, no dia-a-dia eles sabem que não é bem assim.

Dito isso, é bom chamar a atenção para algo que eles têm dito com certa frequência nesse conjunto de manifestações: que em caso de “caos” ou “anarquia” o Exército é o último bastião para consertar a coisa. Só que a decisão do que é o “caos ou anarquia” está atualmente fora do nosso controle. Se você não entendeu ainda, o resumo da ópera é que o “caos e anarquia” estão sendo produzidos justamente por essa equipe que saiu do Exército, e assim eles próprios vão decidir quando onde e como vão consertar a coisa. E, como a tática reside no contraditório, podemos vislumbrar que eles estão começando a “formar a culpa” no colo de uma suposta aliança “PT + STF” (sim, torcer a realidade é parte da coisa toda; mas alegar que 7 dos 11 foram indicações do PT serve para isso). Só que vai respingar para mais gente, porque essa conta só fecha se limpar todo terreno. Por isso mesmo, aqui vai meu recado para o amiguinho do PSDB: se você quer que seu partido sobreviva, diga lá para FHC que já passou da hora dele falar a verdade sobre a farsa do triplex. Ou ele se mexe e começa a tornar a fatura mais cara para Mourão & Dória & TRF-4, ou ele pode ter certeza que os próximos a ir para o xilindró vão ser Serra, Aloysio, Aníbal, Goldman, Aécio, e, se bobear, Jereissati, Alckmin e ele próprio. Com ou sem culpa, como já provou o próprio Lula.

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“Toca Legião!”: olha outro “desajustado” ali no STF, Mourão…

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(2) O mundo dos “boçais” (apud General Mourão)

– Eles não vinculam o sujeito nem seus filhos à corrupção e ao despreparo. Apesar dos 30 anos de vida pública, o consideram um outsider da política, alguém fora da curva. Conhecem muito pouco sobre ele e se recusam a conhecer, estão com conceitos cristalizados.

– Chamam de mimimi (usam essa expressão) todas as questões do candidato em relação às mulheres, gays, família e etc. Acham um exagero das esquerdas. Mesmo os gays insistem em negar os fatos, mas se investigamos um pouquinho melhor, percebemos que são gays que já tinham uma postura machista e misógina (sim, isso existe, e muito). E o perfil das mulheres é ainda mais conservador e irritadiço que dos homens, de uma violência singular, lembra muito as iranianas que se rebelaram contra o secularismo e empurraram seus maridos para as ruas em apoio ao Aiatolá Khomeini em 1979 (analogia, gente, por favor, contextos distintos, mas vale o exemplo).

– Tem a violência como pauta principal e que precisa ser resolvida com medidas duras. “Me preocupo se meu filho vai chegar bem em casa à noite, e não se bandido vai ser morto pela polícia.” Dão dicas de que abandonam Bozo rapidamente se isso não for feito.

– Culpam o PT por todas as mazelas do país, relacionam a esquerda com uma conspiração comunista de Guerra Fria e com a divisão do país.

– Apostam em vitória no primeiro turno e dizem que uma derrota será fruto de fraude das esquerdas aliadas com a mídia (sim, eles chamam a Globo de vermelha). Não vão aceitar resultado desfavorável.

Ou seja, as ideias autoritárias expostas sem pudor pelo general do capitão encontram considerável base de apoio social, a mesma de Aecio em 2014, mas muito mais aguerrida, irritadiça, radical e disposta aos finalmente. Não vai ter desfecho tranquilo, seja qual for.

PS: dispenso ofensas e comentários do tipo “eu não vejo, não leio”.. ok, mas eu leio, eu preciso ler, eu quero entender.

 

*

(3) Mourão/ Bolsonaro empenham-se para não haver risco de… ganharem?!

Por Romulus Maya

Meses atrás publicamos aqui no Duplo Expresso artigo em que abordávamos as diversas formas de fraudar eleições. Uma delas referia-se à hipótese da compra de um “cavalo paraguaio” deliberado. Um candidato bomba-relógio, com detonação já programada na largada:

Veteranos da política relatam, também, outro tipo de resultado eleitoral combinado, para além da fraude na totalização realizada pela Justiça Eleitoral. Trata-se do candidato que – deliberadamente – entrega a sua derrota ao rival, em comum acordo. Secreto, evidentemente. E em troca de compensações “não contabilizadas”, é claro. Ou seja, grana. Em geral isso ocorre no segundo turno de eleições majoritárias, quando “de repente” o candidato (secretamente) comprado começa a “desandar”: fala besteiras, é pego em flagrantes de ridículo que “viralizam” com ajuda da mídia, tem participações sofríveis em debates, etc.

 

Lembrei disso ao constatar a quantidade de tiros no pé que os “armados e perigosos” General Mourão/ General Heleno conseguiram disparar em curtíssimo espaço de tempo. Desde que Bolsonaro saiu de cena e Mourão assumiu o protagonismo, seguiram-se manifestações de cunho autoritário que assustaram até mesmo a Finança e a Globo, os nossos “liberais” (sic):

(i) “autogolpe” na hipótese de “anarquia” (sic); e

(ii) nova Constituição, “genérica”, a ser redigida por meia dúzia “notáveis” (sic) não eleitos.

Como afirmamos ontem (em “Cassino Brasil: por que, depois de escondido, Bolsonaro volta à mídia”), com isso conseguiram tornar o “PT” (entre aspas mesmo) atraente para quem manda no $how. Quer dizer, quando combinado com a total rendição à Finança que Haddad/ Marcos Lisboa almejam encarnar.

  • Nota: “centro” é como a Globo se refere a Alckmin, Meirelles e o DEM

 

  • “Macronização” en marche!

 

  • Já, à esta altura, sem medo de dar uma banana para as bases:

 

Pois eis que, logo na sequência, em vez de papo de vendedor, o General Heleno, o militar mais destacado em termos acadêmicos desta geração, que, portanto, de burro não pode ser acusado, resolve tocar o terror também no povão, já exangue:

 

Logicamente, parece ter entrado – junto ao economista Paulo Guedes -, para dividir com Haddad com relação à Finança.

Mas tem mais:

Depois de ofender a quase totalidade da população brasileira…

 

… e, depois, ver-se obrigado a registrar-se como “indígena” na Justiça Eleitoral…

 

… o General Mourão agora ofende literalmente dezenas de milhões de brasileiros. Especialmente nas classes populares:

 

Permitiu que até mesmo a Sra. “Senadora honesta” viesse capitalizar em cima:

Tal declaração, a semanas do primeiro turno, lembrou-me imediatamente do antecedente do Brigadeiro Eduardo Gomes com os “marmiteiros” queremistas, em 1945. Embora seja, em realidade, um exemplo precoce de “fake news” eleitoral – muito bem-sucedida, no caso –, passou imediatamente ao folclore político brasileiro. Eis extrato de texto a respeito de autoria do ex-Ministro Franklin Martins:

(…)
Tendo o candidato da UDN declarado num comício que não precisava dos votos da “malta de desocupados” que apoiava Vargas, (Hugo) Borghi (talvez o mais ativo dirigente petebista naqueles meses turbulentos) fez uma transcrição para lá de livre da declaração do Brigadeiro. Apegando-se a uma das definições de “malta” existentes no dicionário – “grupo de operários que percorrem as linhas férreas levando suas marmitas” –, o dirigente petebista disse que o candidato da UDN desprezava o voto dos marmiteiros, dos trabalhadores. A afirmação colou – entre outras coisas, porque a UDN tinha mesmo o nariz em pé – e o Brigadeiro passou o resto da campanha explicando-se. Em vão, é claro.
(…)

 

Ora! Pois agora Mourão ofende até as pobres vovozinhas!

Sendo que, como se sabe, o voto feminino é a grande debilidade da sua chapa.

Imagina se (o direitista) Jânio Quadros, que apelava até para “caspa sintética” para angariar a simpatia de populares, cometeria tamanho disparate!

Do UOL educação:

Vale lembrar que as atitudes teatrais eram usadas politicamente por Jânio antes mesmo de chegar à presidência. Em comícios, ele jogava pó sobre os ombros para simular caspa, de modo a parecer um “homem do povo”. Também tirava do bolso sanduíches de mortadela e os comia em público. No poder, proibiu as brigas de galo e o uso de lança-perfume, criando polêmicas com questões menores, que o mantinham sempre em evidência, como um presidente preocupado com o dia a dia do brasileiro.

 

Isso posto, estariam Heleno e Mourão empenhados em não correrem o menos risco de… ganharem?!

Se for o caso, isso sugeriria que a análise que publicamos ontem, sobre a possibilidade de um arranjo “ganha-ganha” entre Finança/ gorilas fardados/ Plano B, não estaria lá muito distante da realidade:

Pois eis que a Finança, igualmente cortejada pelos gorilas e pelo Plano B, parece estar namorando a ideia de casar-se com ambos, adotando conformação de tal bigamia que lhe permitisse extrair os maiores retornos. E com os menores riscos. Inclusive de imagem:
– O Plano B na Presidência, tão sitiado e disposto a fazer “concessões” (mais para “convicções”) quanto Dilma Rousseff em 2015.
– Com os gorilas providencialmente fungando no seu cangote, na qualidade de chefes da oposição. E líderes, em potencial, de um novo golpe.

Note-se que esse desenho é bom para todos eles:
(i) a Finança consegue TUDO o que quer;
(ii) os gorilas conseguem efetivo poder político, o que não tinham desde o fim da ditadura – e, melhor, sem as responsabilidades de governar; e
(iii) o Plano B, é “gloriosamente” eleito e “legitimado pelo voto”. E ainda se salva da perigosa responsabilidade de ter de salvar Lula, enfrentar a Finança, a Justiça, a mídia e os gorilas, pois consegue um álibi para cumprir as ordens de quem tirou Lula do páreo.
E, assim, dar seguimento à “Ponte para o Futuro” do, amigo, Marcos Lisboa et al. O álibi é: “se não der para eles por bem, vai ter que dar por mal: olha o golpe militar aí na esquina, minha gente!”. Se esse álibi não for suficiente para convencer as bases, o Plano B tem finalmente a caneta na mão, cheia de tinta. Com ela terá facilidade para cooptar a ala fisiológica do PT (abstêmica de cargos desde 2016), bem como a “Blogosfera (dita) progressista” com publicidade estatal (ave, banners de BB, CEF e Petrobras de volta aos sites!). Ambas seriam encarregadas de amansar – e passar vaselina – nas bases. Aliás, como já se adiantam a fazer, numa “venda em consignação” para crédito do Plano B – a ser devidamente cobrado.

O fantasma Bolsonaro/ Mourão seria, assim, o pé de cabra com que o Plano B – e a Finança – manteriam o Brasil arrombado. Note-se que ambos já se escolheram, reciprocamente, como “adversários” (aspas). Estão, na verdade, mais para duas faces da mesma… moeda.

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.