Fraude: Bolsonaro já vendeu vaga no segundo turno a Alckmin?

Por Romulus Maya, para o Duplo Expresso
Publicado 2/ago/2018 – 20:11
Atualizado 3/ago/2018 – 15:34

  • Hipótese: Alckmin contrataria Bolsonaro como “cavalo paraguaio” deliberado. Um candidato bomba-relógio, com detonação já programada na largada. Faria um “esquenta” galvanizando o anti-petismo durante a campanha, apenas para, nas últimas semanas, entrega-lo de bandeja para Geraldo Alckmin.
  • Nesse caso, três tipos de fraude (retro) alimentar-se-iam:
    (1) A partir de determinado momento, Bolsonaro daria tiro no pé atrás de tiro no pé;
    (2) Os institutos de pesquisa – i.e., os do esquema – calibrariam as “margens” com que trabalham para acentuar uma tal “tendência de desidratação” de Bolsonaro; e
    (3) Na abertura das urnas, a infame “totalização” – secreta – revelaria, pela quinta vez consecutiva desde 2002 (!), uma “surpreendente” (sic) “disparada na reta final” do candidato do PSDB.
  • P.S.: Resta saber que papel o PT desempenhará nessa farsa. Resta saber se o “com STF, com TUDO” de Jucá também incluirá o partido, segundo relatos (não contestados) satisfeito com a derrota no segundo turno (também já acertada?), que seria o suficiente para garantir a sua “hegemonia na esquerda”. E na “oposição” (?)… parlamentar.

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O slogan do Duplo Expresso é “a verdade chega primeiro”. Pois eis que mais uma vez parece que honramos esse nosso lema. Vínhamos alertando, desde junho, que o sinal do acerto entre Bolsonaro e o establishment seria a sua desistência com relação à definidora bandeira da impressão dos votos e da contagem pública dos mesmos (totalização).

(…)

(integralidade do artigo aqui)

 

Isso porque a fraude eleitoral, realizada sobretudo na totalização, inconstitucionalmente mantida secreta até aqui, é de vital importância para o establishment conseguir colocar no Parlamento diversos candidatos – notem: de todo o espectro político (afinal, tem que entrar pelego!) – que ficam muito aquém do quociente eleitoral. Relatos de veteranos da política sobre o modus operandi da máfia da Justiça Eleitoral com os sem voto abundam. Em sua maioria em off. Evidente: todos temem retaliações daquela que entrega – e tira – cadeiras no Parlamento contra pagamento: a Justiça Eleitoral.

Tratamos em detalhes do assunto em outro artigo, de junho:

É certo que a fraude nas urnas eletrônicas não é feita de forma amadora e displicente. As fraudes nas urnas eletrônicas brasileiras acontecem principalmente no voto proporcional, o voto para deputados e vereadores. Como não há pesquisas, em especial pesquisas de boca de urna para voto proporcional, os fraudadores deitam e rolam.
Mas isso não significa que não haja fraude em eleição majoritária. Apenas, nessa hipótese, ela não pode afrontar em demasia as pesquisas de boca de urna, indo muito além das suas margens de erro. Caso contrário, levantar-se-iam suspeitas gravíssimas, conduzindo necessariamente à impressão do voto.
Nesse caso, um salto muito maior do que as pernas poderia colocar em risco o multimilionário mercado de compra e venda – pela Justiça Eleitoral – de cadeiras nas Câmaras e Assembleias Legislativas Brasil afora.

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Pois eis que justamente ontem ficamos a ver como opera a intimidação de quem, no sistema político, ousa se insurgir contra a fraude. Vejam o preço que pagou o Senador José Medeiros (PODE-MT) por capitanear a última tentativa do Legislativo de impor à Justiça Eleitoral a observância da Constituição e de lei específica determinando a impressão do voto. Lei essa referendada por nada menos que 70% dos representantes da soberania popular, reunidos todos eles em Congresso Nacional (Senadores mais Deputados em sessão conjunta), depois que essa fora vetada por Dilma, por recomendação de nenhum outro que o – sem voto! E traíra! (hmmm) – José Eduardo Cardozo:

 

Mas, voltando a Bolsonaro… no núcleo de sua campanha não há muito esforço para esconder o que muitos supunham: Bolsonaro não concorre para ganhar. Sua ambição se resume a, segundo o relato de fontes, “estar bem posicionado para o que virá”.

Certo… “bem posicionado”…

Seria isso politicamente?

Ou, na verdade, financeiramente?

Veteranos da política relatam, também, outro tipo de resultado eleitoral combinado, para além da fraude na totalização realizada pela Justiça Eleitoral. Trata-se do candidato que – deliberadamente – entrega a sua derrota ao rival, em comum acordo. Secreto, evidentemente. E em troca de compensações “não contabilizadas”, é claro. Ou seja, grana. Em geral isso ocorre no segundo turno de eleições majoritárias, quando “de repente” o candidato (secretamente) comprado começa a “desandar”: fala besteiras, é pego em flagrantes de ridículo que “viralizam” com ajuda da mídia, tem participações sofríveis em debates, etc.

Ilustração: sem que se possa afirmar que isso ocorreu por conta das tais compensações “não contabilizadas”, ou seja, de grana, esse “desandar repentino” foi exatamente o que aconteceu no segundo turno da disputa pela prefeitura de Belo Horizonte em 2008, travada entre o jovem (e até ali desconhecido) deputado Leonardo Quintão (PMDB), a surpresa daquela eleição no “Triângulo das Bermudas” (SP, MG e RJ) e o – riquíssimo – Márcio Lacerda (PSB), que contava ademais com o apoio do PSDB de Aécio (máquina estadual) e do PT de Fernando Pimentel (máquinas federal e municipal).

Do nada, a partir de determinado momento, o jovem candidato entrou em pane, digamos. Seguiu-se um tropeço atrás do outro… um inferno astral para a equipe da campanha.

Resultado?

– Não só não conseguiu aumentar a sua votação no segundo turno como, em algo nada usual na política, teve votação menor do que tivera no primeiro (!)

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Às vezes, a desistência – comprada – não é oculta, ocorrendo ainda no período da pré-campanha. Nos casos em que não é oculta, o que permanece secreto são tão somente as compensações “não contabilizadas”. A grana. Nessas operações, o candidato é pago – clandestinamente – para que desista de concorrer e, assim, abra espaço para outro candidato – o contratante – ocupar o mesmo nicho eleitoral. Não é nada raro no Brasil políticos ambiciosos criarem dificuldade apenas para venderem facilidade. Vale para a criação de CPIs e intimações para depoimento nas mesmas, vale para o lançamento de “pré-candidaturas” destinadas a nunca se tornarem candidaturas em definitivo. Contra pagamento da parte interessada na desistência, é claro.

Muitos supunham que esse seria o intuito de Bolsonaro com sua candidatura. Mas não parece ser o caso. Pelo menos não mais.

Na verdade, há outro pré-candidato à Presidência que não só deve fazer isso – neste ano – como já o fez, inclusive, diversas vezes no passado. E olha que é a candidatura do moralismo, hein…

“Desistia” de disputar o governo do seu Estado às vésperas da data limite para o registro das candidaturas. Tudo em troca, apenas, da módica quantia de… US$ 15 milhões. Consta, inclusive, que se trata de valor recorrente cobrado por esse político para vender facilidades. Algo como o seu número da sorte, talvez. Quem sabe sirva para financiar aplicações de botox, vai saber…

Partindo da suposição de que esse não seja o plano de Bolsonaro, restaria a hipótese da sua contratação como “cavalo paraguaio” deliberado. Um candidato bomba-relógio, com detonação já contratada na largada. Faria um “esquenta” galvanizando o anti-petismo durante a campanha, apenas para, nas últimas semanas, entrega-lo de bandeja para Geraldo Alckmin.

Nesse caso, três tipos de fraude em eleição (retro) alimentar-se-iam:

(1) A partir de determinado momento, Bolsonaro daria tiro no pé atrás de tiro no pé;

(2) Os institutos de pesquisa – i.e., os do esquema – calibrariam as “margens” com que trabalham para acentuar uma tal “tendência de desidratação” de Bolsonaro.
Notem: com o objetivo de reforçar – positivamente – a própria dinâmica que (alegadamente) “estão registrando em campo” (sic).
Além, é claro, de plantarem o álibi para a terceira e última fraude…

(3) Na abertura das urnas, a infame “totalização” – secreta – revelaria, pela quinta vez consecutiva desde 2002 (!), uma “surpreendente” (sic) “disparada na reta final” do candidato do PSDB. Cuja dinâmica fora devidamente “captada” (i.e., plantada) nas pesquisas da última semana, especialmente a providencial “boca de urna”.
Como resultado, o candidato do PSDB abre – i.e., na totalização malandra – uma enorme dianteira em relação ao terceiro colocado. E aproxima-se do candidato do PT. Aumenta, assim, o seu cacife como o desafiante do segundo turno, o que é extremamente importante para a mobilização (esperança de vitória). Sem mobilização visível, sem fraude possível no final.

Já falei e repito: é só confrontar as pesquisas do Vox Populi (o único fora do esquema) da última semana, e principalmente a boca de urna, com a tal “surpresa tucana” (sic) na apuração. Sobre a queda da intenção de voto no PT depois da apuração, analistas sempre correm a “explicar” que o seu eleitor, “pobre e ignorante” não sabe apertar “13” + “confirma”…

Daí vem a tranquilidade de Alckmin: sabe que vai estar no 2o turno, no mínimo, por conta desse “esquema”. Veremos, como em TODAS as eleições desde 2002, os institutos de pesquisa relatarem uma alegada “disparada na reta final” do candidato do PSDB na última semana do primeiro turno, que vai casar, “providencialmente”, com a dianteira – “surpreendente” – que o candidato do PSDB “vai abrir” – i.e., na apuração – com relação ao “terceiro colocado” (entre aspas mesmo).

É só puxar os números da última semana de todas as eleições desde 2002 nas pesquisas e contrapor ao resultado da apuração para constatar: Serra/ Garotinho/ Ciro 2002; Alckmin chegando com só 7 (!) de diferença para Lula em 2006 (isso explica, em parte, o “mistério” de ter tido no segundo turno menos voto que no primeiro); Serra/ Marina 2010; Aécio/ Marina 2014: na apuração, “surpreendentemente”, ele “abriu” mais de 12 pontos em cima da Marina e “chegou” a só 8 de distância da Dilma.
(extrato de “‘Lagartixa’: PT está disposto a, sem Lula, jogar para perder?” – 29/jul/2018)

Por isso tudo vaticinamos, desde meados de maio, que o sinal de que Bolsonaro acertara-se com o establishment – e o seu candidato ruim de voto, com 70% de rejeição (Alckmin) – seria ele, “de repente”, abandonar a bandeira (i) da impressão do voto; e (ii) da totalização aberta a observadores.

Dito e feito!

Na última quarta-feira o nosso comentarista para assuntos institucionais, o advogado, assessor parlamentar e pré-candidato a deputado federal pelo PDT-PR, Samuel Gomes, um campeão da luta pela impressão do voto, informa-nos em primeira mão da grande decepção das bases de Bolsonaro engajadas nesse combate com o abandono dessa bandeira pelo mesmo. A decepção e a surpresa dos bolsominions – no caso, expressa por um Procurador da República – diante do sumiço do “Capitão” está, inclusive, registrada em vídeo:

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CONCLUSÃO
Em suma, mais do que nunca a eleição deste ano é uma fraude. Não só porque retiraram quem venceria – Lula – do pleito, como também porque a passagem de Alckmin para o segundo turno parece já estar contratada. E, possivelmente, também a sua vitória no final. Correrão a nos informar que o tal “tempo de TV” – no século XXI! Com traço no ibope! – explica a tal da “disparada tucana na reta final”… de novo!

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P.S.: para além do prêmio principal, ou seja, as “compensações não contabilizadas” do establishment para que Bolsonaro se imploda, no país do caixa 2 ele ainda ficaria com o troco: as suas próprias “sobras de campanha”, o que faz concorrer ser sempre um bom negócio, independentemente de eventual derrota (pergunte-se a José Serra, p.e.).

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P.P.S.: resta saber que papel o PT desempenhará nessa farsa. Resta saber se o “com STF, com TUDO” de Jucá também incluirá o partido, segundo relatos (não contestados) satisfeito com a derrota no segundo turno (também já acertada?), que seria o suficiente para garantir a sua “hegemonia na esquerda”. E na “oposição” (?)… parlamentar. De onde poderia esperar, calmamente, o Golpe fazer todo o trabalho sujo de destruição da soberania nacional e de inviabilização definitiva de um projeto de desenvolvimento autônomo, com a desnacionalização completa das riquezas naturais, a consolidação da reprimarização da economia e o fim dos direitos sociais. Somente para poder voltar depois dos tais “6 anos” (onde o Golpe poderá tudo) previstos por José Dirceu (ver “Companheiro Dirceu, o Brasil não pode hibernar 6 anos” – 20/abr/2018). Para então governar – com “menos dureza mas com muito identitarismo pós-moderno”– um cemitério. Ou melhor, um fazendão de soja.
Afinal, para o bem de quem não quer lutar de verdade, não existe “Referendo Revogatório” 10 anos depois!

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P.P.P.S.: conversa franca com fonte que recebe a política nacional – inclusive Lula – na sala de jantar desde que usava fraldas:

(*Vladimir Palmeira, o ex-dirigente da UNE dos anos 1960)

(parece que a nota é coletiva, da Direção, e não da Gleisi individualmente. O que não afeta muito as suas implicações, contudo)

“Fraude”?

– Ô, se sei!

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E então? O PT vai entrar no “com Supremo, com TUDO” do Jucá?

Descobriremos já nas próximas semanas:

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ATUALIZAÇÃO 3/ago/2018 – C.Q.D?

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.