Exclusivo: “Mercado”, lá fora, não dá Lula como morto!

Por Romulus Maya, para o Duplo Expresso
Publicado 12/ago/2018 – 15:31
Atualizado 12/ago/2018 – 19:44

  • O Duplo Expresso é, e seguirá sendo, “Lula de A a Z”; “Lula até as últimas consequências”. Para o Duplo Expresso, não se troca de palavra de ordem como se troca de roupa íntima usada, de um dia para o outro. Portanto, eleição sem Lula é – e continuará sendo – fraude.
  • Mais do que por Lula, por quem temos enorme respeito e gratidão, mantemos a nossa palavra pensando no Brasil. O país – e os seus pobres – têm na sua única liderança popular a sua, também única, esperança de derrotar o Golpe. Seja na sua vertente mais ostensiva (Globo/ Judiciário/ direita/ EUA/ Finança), seja na sua vertente intra-PT.
  • O Duplo Expresso é Lula. Se de todo impossível, defendemos uma anti-candidatura. Uma que chame a farsa pelo que ela é – fraude –, adotando uma tática de empate.
  • Em ambos os casos, defendemos que se promova uma totalização paralela à do TSE, baseada nos boletins em papel emitidos por cada urna eletrônica. Exatamente como fez Brizola no RJ em 1982.

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Reproduzimos, abaixo, análise feita pelo antropólogo e professor da UFSCar Piero Leirner em cima de relatório elaborado pelo banco francês BNP Paribas, a que teve acesso. O relatório detalhado, de 80 páginas, analisa, para os clientes do banco, o cenário político brasileiro. O BNP Paribas não tem operações de varejo no Brasil, atuando apenas como banco de investimento. Ou seja, no relatório fala o tal “Mercado”, em estado bruto. E para os seus. E, aí, podemos ver que, livre da necessidade propagandísticas da seção “brasileira” do Finança, o BNP Paribas está longe de excluir Lula do jogo político deste ano. Por que o faríamos nós então?

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Por Piero Leirner

Recebi um Power Point sobre as eleições brasileiras produzido pelo Banco francês BNP/Paribas. Ele é um relatório de quase 80 páginas, contendo várias projeções, cenários, pesquisas, etc. Foi “publicado” dia 6 de agosto, e é dirigido para, basicamente, isso que estamos chamando de “Mercado”. Deve haver mais uns 50 desses sendo produzidos por aí. Este é europeu, e, escrito em inglês, é feito para quem interessa no consórcio: o povo lá de fora e seus “attachés” domésticos daqui. Não é idiotice como as coisas produzidas pelas entidades empresariais aqui, que não analisam, só esbravejam. Esses caras lá de fora fazem a coisa pensando no $, e não se, como disse aquela colunista social idiota, o porteiro vai para NY passar férias.

Vou colocar os prints de algumas páginas abaixo, como imagens. Não é difícil relacionar lé com cré. Vejamos.

1. A primeira coisa a se pontuar é que o relatório expõe em quase todas as páginas uma “incerteza” se Lula é ou não é candidato. Eles não dão como líquido e certo que ele está fora do jogo. Podem ver pela foto, é assim que ele aparece em todas as menções: “Lula issue: can he be a candidate?”.

2. Como era de se esperar, Haddad também é considerado. Eles já levantam que “When responders were informed that Fernando Haddad (PT) is supported by Lula, his voting intentions increased a lot”. Isso antes de a campanha começar.

3. Há um gráfico especialmente intrigante. O que coloca os candidatos em um espectro esquerda/ direita + nacionalista/ globalizador. Vejam onde eles colocam Bolsonaro. Lá fora ele é visto como um simulacro de Trump. Outra coisa interessante é notar que eles “puxam” Alckmin para o centro e Lula para o equilíbrio entre nacionalismo e globalismo. Radicais mesmo seriam Ciro e Bolsonaro.

4. Eles também sondam o perfil do eleitor. Há vários dados, mas achei esses particularmente interessantes, e podem ser vistos em dois gráficos. No primeiro, os eleitores constatam que o “maior problema” do Brasil é a corrupção. Mas no segundo, diante da pergunta sobre qual deve ser a prioridade do novo governo, o combate à corrupção aparece na penúltima das preocupações. Isso pode ter várias explicações. De imediato, pensei em três: a) isso não é uma matéria para um membro do Executivo, é um problema jurídico; b) nesse ponto as pessoas se tornaram bastante realistas, e sabem que um governo não vai fazer nada a esse respeito; c) isto é reflexo de uma percepção que a Lava Jato invadiu a política, e se reage a isto. Note-se que essas 3 suposições não são excludentes.

5. Como há relação mesmo entre eleição e essa percepção sobre a Justiça, isso pode de fato explicar como a partir de março ou abril de 2017 os cenários para o segundo turno começaram a mudar, e aí a Justiça acelerou para valer a prisão de Lula. Percebam, no entanto, que a distância entre Lula e Bolsonaro foi estável, enquanto ela se ampliou em relação a Alckmin e Marina. Ou seja, o jogo da Justiça, por incrível que pareça, parece que cria mais tensões entre Lula e os dois últimos do que afeta Bolsonaro. Tudo leva a crer que ele tem um teto e um piso muito estreitos, pode cair um meteoro que ele não sai desse patamar, mas é claro, ainda é cedo para dizer. Mas o que me parece mais importante nesse último slide é que eles dizem que é importante monitorar os próximos passos da Lava-Jato, mas, é interessante notar, ESTA É A ÚNICA MENÇÃO À OPERAÇÃO NAS 78 PÁGINAS. Tenho a impressão que, tal como Bolsonaro, a Lava Jato já atingiu seu teto, em termos de capacidade de produzir simpatias no eleitorado. Essa é a percepção deles, eu particularmente tenho outra. Basta o PT explorar isso no horário gratuito que a Lava Jato derrete mais ainda.

6. Finalmente, há outros dados que o documento não explora. Para mim, o principal deles vem do fato de que Bolsonaro só tem de fato alguma relevância (para ganhar a eleição, isto é, emplacar no 2o turno) no Sul e no setor “gaúcho” do Agro no Centro-Oeste. Se pegarmos o mapa dos eleitores em que essa pesquisa se baseia, trata-se basicamente de cidades pequenas, do interior, brancas, com renda média acima da nacional. É o público que Alckmin visa com Ana Amélia. Como o NE é fechado, acho que, de novo, quem decidirá a eleição é o Sudeste. Nesse ponto, tenho a impressão que Haddad começou certo, visando replicar uma imagem de Lula-2002 (diferente de 1989, mas também de Dilma-2014). Não creio que essas sinalizações “tucanas” das quais ele tem sido acusado tenham alguma relevância pragmática em termos de governo; elas são, antes de tudo, eleitorais e procuram reverter uma tendência à direita que vem aumentando no centro-sul do País, como se pode ver no último slide… Mesmo se tiverem, é preciso notar que não dá para governar desconsiderando qualquer tipo de acordo com uma região inteira, sabendo que nela há uma hegemonia do tal mercado. É bom que se tenha isso em mente, para não se repetir as mesmas construções do governo Dilma.

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Integralidade do Relatório disponível aqui.

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Por Romulus Maya

Muito bom, Piero. Sobre as “tucanadas” do Haddad: só há composição possível com quem quer compor. Eu, particularmente, sou a favor da composição. Sou institucionalista, socialdemocrata… o problema é que pra chegar ao acordo temos que tensionar primeiro. Dilma tentou compor com quem queria capitulação absoluta e… caiu.

Haddad seria pior ainda porque ia entregar por convicção! A alienação das bases com estelionato eleitoral, inconcebível num ambiente polarizado, radicalizado e golpista, é um haraquiri!

Quem ensina como se manter no poder num ambiente assim é… Donald Trump. Já entrou cercado pelo Deep State e viu como única forma de ter – e manter – cacife político pra permanecer no cargo fidelizar as suas bases. Resultado? Cumpre todas as suas promessas de campanha, por mais odiosas que sejam para “moderados” e “liberais”. Ele, definitivamente, não busca ser “o Presidente de todos os americanos”. Mesmo porque sabe que isso não existe no ambiente atual!

A Dilma fez o oposto. Inclusive com o papo “sou a Presidenta de todos os brasileiros” no discurso da vitória. Resultado? Caiu. E com muita facilidade, dada a alienação das bases.

Haddad faria também o oposto de Trump, mas, diferentemente de Dilma, por convicção!

E, também, por “PTucanismo uspiano” nas suas maneiras:

Outras pérolas “uspianas” de Haddad:

– “Golpe é uma palavra muito forte” (para descrever o que houve em 2016).

– “O problema (com Lula) nesta eleição é jurídico. Ele não é político”.

– “Insistiremos que Lula não poder ser candidato foi um ‘casuísmo’” – respondendo a pergunta de Reinaldo Azevedo – sim, Reynaldo Azevedo! – se o PT reconheceria ou não a derrota nas próximas “eleições” (sic).

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Decida-se, minha gente: “é Golpe”?

Isso tudo, partindo-se da suposição – ilógica! – de que quem deu o Golpe, e tem a caneta na mão, aceitaria entrega-la ao… golpeado (!). Ambos concordando, como bons cavalheiros uspianos, em delegar à soberania popular – a mesmo golpeada em 2016 – a resolução da disputa entre ambos os lados. Numa “eleição” cuja contagem de votos é… secreta. E que foi decidida, da última vez, por “míseros” 3 milhões de votos num universo de mais de 120!

As pessoas têm que se decidir: “é Golpe”? Ou não é?

Num encadeamento lógico, apenas, seguimos perguntando:

– Para que o Golpe tiraria da eleição o “conciliador” Lula – que já governou; e, em boa parte, para esse mesmo Mercado (com Meirelles no BC) –, que mostra ainda, mais uma vez, estar disposto a entregar os anéis ao outro lado ao permitir à máquina – pelega – no PT impor-lhe o substituto (Haddad), se os patrões do Golpe estivessem dispostos a deixar um outro “conciliador”, que se declarará um mero preposto de Lula, entrar no seu lugar?

(aliás, Haddad seria um “conciliador” que teria o mesmo ponto ótimo determinado por Lula na composição dos interesses, conflitantes, de classe?
Sei não…)

Foi, sim, Golpe, minha gente…

E foi “com Supremo (e TSE!), com tudo”, não foi?

O enfrentamento do Judiciário é inarredável para a retomada da governabilidade do Brasil. Especialmente para forças políticas que ousem ir contra a capitulação – total – ao “globalismo” financista. Nosso único aríete viável nessa briga é Lula – e a sua capacidade de mobilização popular. E é exatamente por isso que ele está preso.

Por isso, seguindo apenas – mais uma vez – a lógica, defendemos:

(i) que não se descarte Lula! E a troco de nada, já que o outro lado nada dará em troca. Como vimos até aqui, o que prometem não cumprem (seguidamente);

(ii) que, (apenas) se for o caso, indique-se como substituto um anti-candidato, cuja tarefa será adotar a tática do empate, expondo o processo viciado, melando o discurso de “legitimidade” do candidato “vencedor” (o do Golpe!). E não reconhecendo a sua “vitória”. E, assim, preservando o nosso discurso de que “vivemos um Golpe”; e

(iii) que estabeleçamos com universidades públicas, associações e forças políticas e da sociedade interessadas, uma logística para registrarmos imagens dos boletins de votação de todas as 500 mil urnas usadas Brasil afora (ou pelo menos a maior parte delas), possibilitando um processo de totalização de votos paralelo à contagem oficial – feita a portas fechadas pela máfia defraudadora no TSE. Foi assim que Brizola expôs a Proconsult em 1982. Aquela experiência tem que ser extrapolada para todo o Brasil. No contexto atual, diferentemente de Brizola em 82, teremos a democratização da tecnologia a nosso favor, podendo desenvolver um aplicativo que vá integrando os resultados que vão sendo inseridos de todo o Brasil a partir do fechamento das urnas. A mera presença de tal mecanismo paralelo já atuaria como um forte elemento de dissuasão contra a fraude.

Note: infelizmente, é quase certo que nesse caso não poderíamos contar com o PT e a sua vasta máquina/ capilaridade. O debate sobre os vícios no sistema eleitoral brasileiro foi totalmente sequestrado dentro do partido pelo célebre “PT jurídico”. Esse tem diversos membros destacados – junto com alguns da informática – integrando a máfia, que é suprapartidária, de fraude na totalização. Principalmente em eleições proporcionais.

Faz todo sentido. Afinal, para a direita, tão importante quanto eleger os seus candidatos (i.e., os ostensivos), é fazer os pelegos nos partidos de esquerda chegarem na frente de quem, efetivamente, tem densidade eleitoral e é de luta: líderes sindicais, de movimentos populares, comunitários, etc. Pelo trabalho pertinaz do “PT jurídico”, no partido, qualquer crítica à urna eletrônica ou à totalização – secreta – no TSE é logo taxada de “viralatismo” e “teoria da conspiração”. Logo no partido que mais teria benefícios!

Foi o laranja podre do PT, José Eduardo Cardozo – note: um sem voto que, no entanto, sempre conseguiu entrar em eleições proporcionais – quem fez Dilma vetar a lei mais recente que estabelecia a impressão do voto. O veto de Dilma foi derrubado por – impressionante – mais de 70% dos votos de Senadores e Deputados reunidos em sessão conjunta (“Congresso Nacional” stricto sensu).

Antes, no inicio do governo Lula, num lapso do “PT jurídico”, o ex-Presidente já tinha sancionado lei de autoria do Sen. Roberto Requião determinando a impressão. Esse projeto tinha sido levado a cabo com apoio do próprio Brizola e da velha guarda do PDT, escaldados com a Proconsult. Ato contínuo, alguém lá dentro, do “PT jurídico”, percebeu o que tinha acontecido – e as suas implicações – e mandou um novo Projeto de Lei pro Congresso, acabando com a impressão do voto.

Aparente “paradoxo”: por que os parlamentares, que entraram sob o esquema atual, votaram – diversas vezes de 2003 até aqui – para possibilitar impressão do voto? E, assim, possibilitar a auditoria da totalização (secreta)?

Porque estão cansados de ficarem na mão da Justiça Eleitoral e da extorsão que a máfia instalada nela promove. Todos conhecem o esquema de fraude. Exemplo caricato foi a votação de Henrique Meirelles em 2002 para deputado federal em Goiás, com o que iniciou a sua carreira na politica. Sem sair dos EUA, onde morava, jejuno em eleições, acabou sendo o deputado “mais votado” do Estado! Note: pela votação não ser em lista, com candidatos do mesmo partido competindo internamente pelas mesmas cadeiras, todos eles têm medo de que o concorrente pague à máfia e chegue “à frente” na totalização (fraudada).

Por fim, note que há um link entre tudo aquilo que nos trouxe ao estado atual de quase total sujeição ao Golpe: (i) Lava Jato; (ii) (passividade no) “impeachment”; (iii) prisão de Lula; e (iv) defesa pífia dele e de sua candidatura, com suspeita de jogada ensaiada com o STF/ TSE para acelerar o seu indeferimento.

O link é o tal… “PT jurídico”!

Mais especificamente, membros da tendência “Mensagem ao Partido”. Aquela dos – ex-Ministros da Justiça – Tarso Genro e Jose Eduardo Cardozo. Em cujas administrações foi promovida enorme aproximação com o sistema de justiça dos EUA. Conforme atestado, inclusive, pelo vazamento do “cablegate” pelo Wikileaks.

Mas se trata, também, da mesma tendência do (advogado) Fernando Haddad e do Deputado (e advogado) Paulo Teixeira (SP), um dos integrantes, junto com (o advogado) Wadih Damous e Paulo Pimenta, da trinca que fez “Telecatch” no Congresso em vez de defender, de verdade, os interesses de Lula. Internamente, essa tendência é pintada – vejam só – como estando “à esquerda” da de Lula, a majoritária (CNB).

Na verdade, seus membros destacados são pessoas de formação jurídica, “almofadinhas” com pós-graduações, “meritocratas”, com fortes laços com o Sistema de Justiça. Não é de se estranhar, portanto, que quadros dessa tendência tenham tomado conta do Ministério da… Justiça (!) nos governos do PT. E que tenham imposto uma agenda de empoderamento excessivo do Judiciário, da PF e do MPF em prejuízo dos outros 2 Poderes, políticos, eleitos: Executivo e Legislativo. Esses membros da “Mensagem ao Partido”, “almofadinhas”, são – no verso da moeda – pessoas sem voto. E sem “cheiro de povo”. Ou seja, a antítese completa do que é Lula.

Aliás, veja-se o recado claríssimo que Lula dá aos “almofadinhas” no PT no seu último discurso antes de ser preso: se alguém quiser ganhar dele no PT tem que ser mais ligado ao povo do que ele!

O Golpe – dado (i) no Brasil; (ii) na única liderança popular do país (Lula); e (iii) na soberania popular, agora tutelada pela Juristocracia – não teria sido possível sem o trabalho pertinaz, por dentro, do chamado “PT jurídico” (apud Prof. Luiz Moreira). E dos “meritocratas” da Mensagem ao Partido, membros destacados do mesmo. Foram eles que inventaram, p.e., a tal indicação automática do primeiro colocado da lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República – ANPR para o cargo, ultra estratégico, de Procurador Geral da República.

Ou seja, nesse exemplo concreto, vemos a perfeita ilustração da agenda – demofóbica – da “Mensagem ao Partido”: o representante maior da soberania popular brasileira, o Presidente da República, abdica, por “republicanismo”, do poder que lhe dá a Constituição e aceita tornar-se um mero carimbador da escolha, corporativista, feita por concursados, “meritocratas”, de uma corporação com poderes de Estado!

Foi ainda esse pessoal que celebrou os infames acordos de “cooperação” com o Sistema de Justiça dos EUA. E que, como corolário, impôs uma agenda de empoderamento – excessivo – do Judiciário, do MPF e da PF com a chamada ENCCLA – a (suposta) “Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro”.

A ENCCLA, a Mensagem ao Partido e o “PT jurídico” são os pais da Lava Jato.

E também… do calvário do PT.

Ou melhor, do calvário de certo PT…

Aquele PT “ligado ao povo”, como diz Lula. O PT verdadeiramente popular – em todos os sentidos. Aquele que a turma da Mensagem ao Partido não conseguia derrotar internamente até aqui, por falta de votos. Ou de popularidade, em ambos os sentidos da palavra.

Bem… sendo Haddad o candidato, e assumindo ele o comando do partido no pós-Lula, esse pessoal terá atingido o seu grande objetivo estratégico. De décadas!

E é por essas e por outras que o golpe – interno – do Plano B, se consumado, será a coroação do Golpe. E, isso, ganhando ou, mais provavelmente, perdendo, nos termos de um acerto prévio com o “outro lado”.

(“Outro” mesmo?)

Como resultado desse acerto, a partir de 2019 não vai mais “ser Golpe” (!)

É diabólico!

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P.S.: Não espere de um egresso da Mensagem ao Partido e do “PT jurídico”, Fernando Haddad, passar o horário eleitoral batendo na Lava Jato, como você propôs semanas atrás, Piero. Em vez disso, se for para tocar no tema, será para repetir a Dilma – e o Cardozo – de 2014 para dizer que foi no governo deles que houve “o maior combate à corrupção” (sic).

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“Ganhar dinheiro”

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E o pior é que não deixa de ser verdade!

Para além dessa legitimação da Lava Jato, Haddad também legitimará a farsa dessas “eleições” (sic), cujo resultado já está contratado, “discutindo programa de governo” (!). Não adotará o figurino de anti-candidato. Ao contrário, será candidatíssimo. E, seguindo o atual Programa do PT, que deveria ter o seu nome e não o de Lula, discutirá com Alckmin – para além de “quem mais combate corrupção” (!):

(i) quem teve mais “responsabilidade fiscal” e fez os maiores superávits primários;

(ii) quem tem o projeto mais agressivo de desnacionalização da infraestrutura brasileira, fazendo mais “parceiras público-privadas” e “concessões”, num contexto em que a Lava Jato (by Mensagem ao Partido) arrebentou as empreiteiras nacionais;

(iii) quem mais atende aos interesses da Finança, com Haddad propondo – de maneira inacreditável! – dolarizar a dívida interna, admitindo o absurdo de, com as nossas reservas cambiais, pagá-la (!). E sem auditoria, é claro. Como garantido, aliás, por providencial veto da dupla Dilma/ Cardozo à lei que a estabelecia em 2015;

(iv) quem mais defende os interesses dos acionistas privados – e estrangeiros – da Petrobras. Em prejuízo, no verso da moeda, da sua atuação como empresa verdadeiramente pública, que deve atender à lógica de fomento ao desenvolvimento da economia brasileira como um todo.

(Nota: o Programa Haddad defende que a Petrobras siga o modelo estabelecido desde FHC, repassando no Brasil os preços internacionais de combustíveis. Pouco importa que os custos de extração e refino sejam calculados e dispendidos em Reais, a partir da autossuficiência proporcionada pelo Pré-sal conjugado com a entrada em operação das super refinarias de Abreu e Lima e COMPERJ. Sem surpresa, ambas as obras foram atacadas – e paralisadas – pela Lava Jato (e pela administração golpista da Petrobras). Aliás, trata-se de algo a mais que Haddad propõe desnacionalizar, sugerindo a adoção de “PPP” (com estrangeiros) para as duas refinarias.
A despeito de despesas em Reais, o Programa Haddad propõe manter o repasse internamente do custo da variação cambial do dólar e também dos prêmios de risco político (Oriente Médio, Rússia, Venezuela) que, por motivos óbvios, fazem parte da matriz de formação dos preços… internacionais.
Como demonstramos no Duplo Expresso, além de tornar a renda petroleira imbatível no Brasil, deixa-se o setor em que temos a mais clara vantagem comparativa, o agronegócio, com o freio de mão puxado. Nele, o preço do diesel é componente fundamental na formação do preço dos produtos finais. Atende-se, assim, ao interesse geoeconômico e geoestratégico do nosso maior rival no setor: os EUA.
Duplamente: com a monumental renda petroleira extraída diretamente no Brasil pelas multinacionais do petróleo – e pelos acionistas estrangeiros da Petrobras –; e com a coleira colocada no pescoço do agronegócio brasileiro, maior ameaça ao americano.
Mas o pior não é isso: de forma inacreditável, o Programa Haddad não fala em retomada do que foi levado pelas estrangeiras do Pré-Sal durante o Golpe! Patrocinado, por essa razão, pelas próprias!
Aliás, só há 3 ou 4 vezes a referência à palavra “Pré-sal” em todo o programa Haddad. Sendo que apenas uma para falar dele propriamente. As demais tratam dos fundos sociais para saúde e educação, nas respectivas seções temáticas.
Ou seja, se “foi Golpe” das petroleiras, continuaria, em grande medida, sendo!)

Mas tudo isso é, apenas, hipotético. Isso porque a “discussão de programas” entre o tucano Alckmin e o “PTucano” Haddad na TV visa, tão somente, a legitimar a fraude do processo “eleitoral” deste ano. O plano preferencial do Golpe segue sendo nos tirar a frigideira (Haddad) para jogar-nos diretamente no fogo (Alckmin), com a derrota de Haddad já contratada.

Depois dela, quem poderá, em 2019, seguir dizendo que “é Golpe”?

Concluo repetindo: é diabólico!

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P.P.S.: quem pensa que Haddad candidato é fato consumado está enganado. Fala-se nos bastidores que, apesar da imensa mídia, ele ainda sofre enorme resistência das bases lulistas. Além disso, o “recado” de Lula, do cárcere, de que “Haddad não é o candidato” e que estaria ainda em “estágio probatório” fala por si. O problema é saber até que ponto, dado o cerco sob o que vive externa e internamente o ex-Presidente, chegarão os relatos dos tropeços de Haddad.

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P.P.P.S.: como o “PT jurídico” armou a cama de gato para Lula:

 

Pois agora, com o serviço feito, vão todos eles emitir a fatura aos clientes e, finalmente, “ganhar dinheiro”:

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P.P.P.S.: O Duplo Expresso é, e seguirá sendo, “Lula de A a Z”; “Lula até as últimas consequências”. Para o Duplo Expresso, não se troca de palavra de ordem como se troca de roupa íntima usada, de um dia para o outro. Portanto, eleição sem Lula é – e continuará sendo – fraude. Mais do que por Lula, por quem temos enorme respeito e gratidão, mantemos a nossa palavra pensando no Brasil. O país – e os seus pobres – têm na sua única liderança popular a sua, também única, esperança de derrotar o Golpe. Seja na sua vertente mais ostensiva (Globo/ Judiciário/ direita/ EUA/ Finança), seja na sua vertente intra-PT. O Duplo Expresso é Lula. Se de todo impossível, defendemos uma anti-candidatura. Uma que chame a farsa pelo que ela é – fraude –, adotando uma tática de empate. Em ambos os casos, defendemos que se promova uma totalização paralela à do TSE, baseada nos boletins em papel emitidos por cada urna eletrônica. Exatamente como fez Brizola no RJ em 1982.

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P.P.P.P.S.: Para compreender a teia de rabos presos entrecruzados – tal qual jogo de varetas – que fez com que o Golpe pudesse degolar Lula sem que houvesse resistência (de verdade), não deixe de ler “Moro, Cunha, Messer (o doleiro) e o pacto para decapitar Lula” (24/jun/2018).

E de ver este vídeo:

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ATUALIZAÇÃO 19:44 – este artigo serviu de base para a discussão do D.E. de Domingo, há pouco:

Vídeo:

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.