Lula candidato “sim ou sim” – o inadiável enfrentamento do golpe do Judiciário

Por Romulus Maya, para o Duplo Expresso
Publicado 18/mar/2018 – 16:49
Atualizado 18/mar/2018 – 20:15 – resumo audiovisual

Em nosso último artigo anotamos a falta de lógica elementar – que, com boa-fé, restaria óbvia – a acometer a ideia de diante do assédio do Judiciário – patrocinado pela Finança internacional e pelos EUA – articular-se uma alternativa no PT à candidatura de Lula:

(…)

Ora, a pergunta que a tudo deveria anteceder é:

– Por que a perseguição a Lula?

(…)

É evidente que o problema da Finança transnacional e do Deep State americano é com o que o Presidente Lula representa:

– A emancipação do Brasil.

(…)

É extrema ingenuidade estratégica – para dizer o mínimo – acreditar que o sistema internacional chegou até aqui para permitir que um “Plano B” qualquer, um novo “poste”, digamos, dê sequência – “por procuração” – à obra de Lula.

Pobre “Plano B”!

Quanto tempo duraria na cadeira diante do assédio concertado do sistema internacional e da elite brasileira sem contar com os predicados que abundam em Lula – carisma, destreza na articulação política, comunicação direta com o povo, legitimidade para arbitrar conflitos sociais numa quadra de acirramento do conflito distributivo?

Bem, a não ser que “Plano B” – ou agora o tal “Lula (somente) até onde der” (?) – signifique não apenas uma alternativa à “pessoa física” de Lula, mas também à sua “pessoa jurídica”, à sua obra política: a emancipação do Brasil.

(…)

Repito: com boa-fé a falta de lógica, elementar, restaria óbvia. A não ser, como disse acima, que “Plano B” signifique bem mais do que a mera substituição da “pessoa física” de Lula. Se esse for o caso, subsiste a incômoda pergunta: para que “Plano B” então? Se o programa do Golpe vai seguir qualquer que seja o resultado das eleições, continuemos com o original e não queimemos o capital político das esquerdas e do Partido dos Trabalhadores, jogando-os na vala comum dos traidores da pátria. Afinal, para o bem e para o mal, o jogo – de mais 500 anos – não termina em 2018.

A esse propósito, circula na internet uma bem-intencionada proposta de programa mínimo para um “Plano B” a Lula, com 3 pontos chave:

(1) Aprovação no Congresso de anistia a Lula, precedida de indulto presidencial publicado no próprio dia da posse, para que o ex-Presidente seja imediatamente libertado;

(2) Compromisso inarredável com a realização do Referendo Revogatório;

(3) Instalação de uma “Comissão da Verdade da Lava Jato”, a esclarecer, entre outras coisas, suas conexões com o Deep State americano.

Como disse, a intenção é boa. Mas, mais uma vez, carece de lógica por não dar conta do questionamento que, como afirmamos, logicamente a tudo deveria anteceder:

– Por que a perseguição a Lula?

Por que atropelar leis e a Constituição para promover uma caçada judicial ao mesmo – um moderado que nunca antagonizou frontalmente o “Mercado” – se for dado a um “Plano B” levar adiante, por procuração, a sua obra?

Eis a verdade inconveniente que os partidários do “Plano B” buscam contornar:

– O Golpe só poderá ser parado internamente quando o ator local que dá execução às suas diretrizes transnacionais for parado: o Judiciário.

O DNA “negociador” do PT – e do seu próprio pai: Lula – vem adiando o que, do ponto de estratégico, mostra-se incontornável: o enfrentamento aberto do Judiciário enquanto “instituição”, em vez de dirigir críticas “fulanizadas” a atores individuais (Moro, “DD”, Gebran, Carmen Lúcia, etc.). A ideia de que isso não conviria por criar “espírito de corpo” também afronta a lógica mais elementar: ora, impossível criar o que já existe!

A questão do enfrentamento do Judiciário – i.e.: caso se queira, efetivamente, parar o Golpe! – é “quando”. E não “se”!

De que adianta, tal qual a lagartixa, seguir permitindo que o Judiciário continue a devorar pedaços da cauda do PT – dos quais a sigla prontamente se despede buscando, em fuga apressada, sobreviver (Dirceu, Genoíno, João Paulo Cunha, Vaccari, Palocci, entre outros) – se o predador agora mira, inarredavelmente, a cabeça e o coração do réptil: Lula?

Novamente: o Judiciário – patrocinado pelos EUA e pela Finança – não atacam a pessoa física de Lula, mas sim a sua obra! É evidente – ou, ao menos, deveria ser – que tão logo destrua a cabeça e o coração, o Judiciário triturará todos os membros remanescentes do animal. Certificar-se-á, assim, de que não haverá, em nenhuma hipótese, reprodução da antiga lagartixa por “brotamento” a partir das patinhas que restaram.

Ora, já não estão atrás de Gleisi, Jacques Wagner e até mesmo de Fernando Haddad?

Portanto, o PT – e a obra de Lula – só sobreviverão se o Judiciário for parado. A única chance discernível de o Partido lográ-lo é com a última – mas poderosa – cartada que lhe resta na mão: a do “impasse institucional”, com a manutenção da candidatura de Lula “ou sim, ou sim”. Sem isso, que “dente” restaria ao PT para forçar uma negociação com seus algozes – Judiciário, Finança e EUA?

Se o PT seguir como a lagartixa, decidindo dar Lula em holocausto, a destruição da sigla é certa. Caso resolva, ao contrário, finalmente traçar uma linha no chão como a dizer “daqui não passarão” – como fez Renan Calheiros com a liminar (!) que o afastava da Presidência do Senado em 2016 – há alguma chance de sobrevivência. Portanto, a defesa incondicional e intransigente da candidatura de Lula confunde-se com a sobrevivência do PT. E, grosso modo, do Brasil. I.e., do Brasil soberano!

A não ser…

Bem, como dissemos ontem:

– Apenas caso “Plano B” – ou “Lula até onde der” (?) – signifique tão somente uma “alternativa” (vã!) à “pessoa física” de Lula – e não à sua “pessoa jurídica”, à sua obra política: a emancipação do Brasil.

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Voltemos agora aos três pontos do programa mínimo de um “Plano B” que não representasse alternativa – também – à obra de Lula:

(1) Aprovação no Congresso de anistia a Lula, precedida de indulto presidencial publicado no próprio dia da posse, para que o ex-Presidente fosse imediatamente libertado;

(2) Compromisso inarredável com a realização do Referendo Revogatório;

(3) Instalação de uma Comissão da Verdade da Lava Jato, a esclarecer, entre outras coisas, suas conexões com o Deep State americano.

Como afirmamos acima, a intenção é boa. Mas, como diz o ditado, delas o inferno está cheio, não é mesmo?

Ora, como garantir a implementação desses três pontos sem colocar o guizo no gato: enfrentar o Judiciário?

– O Min. Barroso não acaba de, afrontando (mais uma vez) a Constituição, reescrever o indulto presidencial editado por Michel Temer no uso de prerrogativa exclusiva da Presidência da República?

– “Juizecos” não impedem posse de Ministro com base em interpretação extensiva do princípio da “moralidade administrativa”?
Que “Comissão da Verdade da Lava Jato” resistiria a isso, meu Deus do Céu?

– Mais: é certo que um STF que diz que “as instituições estão funcionando normalmente”, devidamente provocado pelo capital estrangeiro, determinará ser “inconstitucional” o Referendo Revogatório, por ferir as “expectativas legítimas” (sic) dos “bem-intencionados” investidores que nos roubam o patrimônio!

Notem bem: independentemente de quem ganhe a eleição, o Brasil tornou-se ingovernável! Poderes não eleitos travam tudo o que bem entendem. Por isso dizemos que o enfrentamento do Judiciário não é uma questão de “se”, mas de “quando”. E, como resultado de uma análise estratégica que deveria ser óbvia dadas as circunstâncias, nossa única chance de sucesso nesse enfrentamento é com Lula!

Repetindo o título de nosso artigo anterior, ou Lula sai candidato ou já era – e também o Brasil!

Mais: e também o PT!

Quer dizer…

O PT que (ainda) defende o projeto de um Brasil soberano…

Certo?

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P.S.: Temos algumas poucas – mas profundas – divergências com relação às ricas análises de Rui Costa Pimenta, do PCO. Em especial na leitura que faz do papel das Forças Armadas no Golpe, desconsiderando a sua complexidade e divisões internas. Nos dias que se seguiram ao ataque feroz, “inusitado”, que o Duplo Expresso sofreu de células do PT ao publicarmos documento que em muito ajuda a defesa – política mais que jurídica! – de Lula, mesmo provocado, Rui Costa Pimenta absteve-se de tomar posição. Pois agora ele também entende que para o bem da luta – de todos – não há mais como contornar a divisão no PT com relação a “o que fazer com Lula”:

(“Análise política da semana” – 17/mar/2018. Integralidade aqui)

 

(entrevista do ex-Presidente do PT Rui Falcão ao Jornal da Gazeta – 14/mar/2018. Integralidade aqui)

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ATUALIZAÇÃO 20:15 – resumo audiovisual no Duplo Expresso de Domingo:

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.