Diários da Pandemia: junto ao Povo da Rua no Rio de Janeiro (RJ)

Acompanhando a pandemia e a quarentena junto ao Povo da Rua, os mais desassistidos e vulneráveis, aqueles cuja casa para ficar é a própria rua.

Por Cláudia, Gláucia e Lúcio.

 Três quentinhas a serem distribuídas uma vez por semana para pessoas em situação de rua. Esta foi a orientação recebida em julho de 2016 por Lúcio Sanfilippo, da força chamada Seu Tranca Rua das Almas.

Assim começou um trabalho que frutificou. Quase 4 anos depois, hoje são distribuídas semanalmente cerca de 80 quentinhas.

O cardápio varia de acordo com as doações recebidas e a disponibilidade de alimentos. Na última semana antes da quarentena, o cardápio foi estrogonofe de frango, com milho, batata palha e salada de cenoura e beterraba, junto com arroz e feijão.

De sobremesa, bombom. Mais guaraná natural e cerca de 60 litros de água filtrada e gelada.

Para quem vive em situação de rua, a dificuldade de conseguir água potável é quase como estar num deserto. A cidade é hostil. Ficam desesperados de sede.

Também há uma grande preocupação com a higiene, por isto entregamos kits com sabonete, pasta de dente e absorventes femininos.

Também distribuímos alimentos não perecíveis, pois há grupos que cozinham nas ruas.

Uma vez, nos ofereceram comida! Nos convidaram para comer com eles. Asseguraram que estava limpinho, que podíamos comer descansados. Era carne guisada com jiló e estava com uma aparência maravilhosa. O mais incrível era a panela de alumínio, brilhando.

Cozinham em condições precárias em plena rua. E ainda se dispõe a dividir.

Mesmo com a quarentena, não podemos deixar de estar presente junto com nossos irmãos nas ruas. Vestimos nossas máscaras e nossas luvas, e fomos ao encontro deles.

Temos esta relação com as pessoas que recebem as quentinhas já de longa data. Seria indigno de nossa parte nos ausentarmos justo neste momento tão grave e perigoso. Nos sentiríamos muito mal se agíssemos assim, enquanto eles estiveram nas ruas não iremos abandoná-los.

Muitos participantes de outros grupos suspenderam suas atividades, seja por precaução e até por alguns serem pessoas pertencentes a uma faixa de risco mais alto.

Na verdade, nosso medo maior é de contaminá-los, por isto não descuidamos das normas de segurança.

Constatamos que a fome aumentou. A cidade está vazia. A maior parte deles trabalha, se viram vendendo balas, vive de bicos, prestando pequenos serviços, etc… A dificuldade na geração de renda piorou muito.

Devido as circunstâncias impostas pelo COVID-19, decidimos maximizar nossos recursos, para aumentar a quantidade de alimentação distribuída.

Por isto hoje levamos sanduíche de requeijão, ovo cozido, banana e laranja. Também sabonete. E aumentamos o volume de água.

Além disto entregamos muitas garrafas, que são usadas para armazenar água. E máscaras. Como está difícil achar para comprar, elas foram doadas saídas do próprio estoque de uso pessoal de nossos colaboradores.

Há um caráter didático na presença do COVID-19. Uma pedagogia da solidariedade. O vírus exige que cada qual olhe para o outro, ou ninguém sobreviverá sozinho.

Compreendamos que não há nenhum “outro”, somos todos parte integrantes de um mesmo todo.

“A cada encontro semanal, aprendemos que de alienados eles não tem nada. Se preocupam com a higiene pessoal. Estão sempre procurando roupas para se trocarem. Mantendo um mínimo de dignidade. Hoje eu senti em cada olhar uma preocupação do país.”

Cláudia

“Como sempre, cada dia desses é rico em experiências e um enorme aprendizado, o que nos faz ter a certeza de que recebemos muito mais do que damos.”

Gláucia

“A gente fica leve, porque a gente ajuda a tirar o peso da fome neles. Só que o peso é da humanidade e a gente também carrega. Pena que muitos não entenderam ainda…”

Lúcio

 

vídeo: Ciranda: Comida para o Povo da Rua

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