O Novo Normal

O NOVO NORMAL
Luiz Carlos de Oliveira e Silva

1. A edição de 11 de fevereiro último de “O Globo”, acerca do temporal que alagou diversas regiões da capital de São Paulo na véspera, trouxe a opinião de “especialistas” que afirmam que a ocorrência de temporais deste tipo já pode ser considerada como um “novo normal”.

2. Disseram também que, diante do “novo normal”, só caberia às cidades tomar as providências necessárias para se adaptarem ao novo quadro.

3. Por diversas razões, o que era exceção tornou-se regra… Temporais devastadores com aquele que inundou São Paulo já não podem mais ser considerados como casos isolados. O ponto fora da curva agora é a própria curva, e é a partir da constatação deste fato que as políticas públicas têm que ser elaboradas.

4. Fenômeno semelhante a este, me parece, está acontecendo na política.

5. Diante do fato de que a previsão feita por muitos de nós de que Bolsonaro cairia logo em descrédito não se confirmou me leva a crer que parte expressiva do povo brasileiro está tomando o presidente e o bolsonarismo – a princípio considerados “exóticos” por tudo o que significam – como o “novo normal” na política.

6. O “novo normal” chama atenção para o fato de que boa parte daquilo que a elite progressista considerava absurdo, para setores expressivos do povo brasileiro não é mais absurdo (ou nunca foi).

7. Absurdo é tudo aquilo que vai de encontro ao que se toma como óbvio. Ora, o “novo normal” dá mostra de que há divergência entre o que setores expressivos do povo brasileiro e a elite progressista tomam como óbvio.

8. Não parece, mas o óbvio é fruto de construção social, portanto atravessado pela luta de classes…

9. Quando parte expressiva da elite progressista credita a emergência desta discrepância entre o que se toma como óbvio à estupidez ou à ignorância das pessoas, ela não faz mais do que confessar a sua incapacidade de compreender as razões que levaram ao “novo normal”.

10. De minha parte, está claro o seguinte: ou compreendemos as razões do “novo normal”, para destituí-lo, ou não teremos condições de lutar com eficiência contra a sua cristalização no tempo.

11. Para início de conversa, como negar que o “novo normal” surge dos escombros de um sistema político excludente, opressivo, corrupto e demagógico? E como negar que a esquerda – que historicamente lutava para ser a alternativa ao sistema político dominante – passou a fazer parte do sistema político excludente, opressivo, corrupto e demagógico?

12. Aos olhos de muitos – e não por estupidez ou ignorância –, a esquerda passou a fazer parte do problema e não da solução. Sem uma alternativa de esquerda, caiu no colo da extrema-direita a chance de constituir um “novo normal”.

13. E eles estão dando mostras que estão aproveitando bem a oportunidade…

 

Luiz Carlos de Oliveira e Silva, professor de filosofia

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