Bolsorão Temer Rousseff da Silva – O Frankenstein brasileiro que “toca o terror” contra o povo

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

A posse do presidente eleito – e legitimado nas urnas – Jair Bolsonaro ocorrerá nesta terça- feira, dia 1° de Janeiro, sob um mega esquema de segurança militar e de inteligência. Com direito a decreto assinado por Temer – autorizando abater aeronaves no dia da posse do seu sucessor – haverá também mísseis antiaéreos com alcance de 7km. Também será a primeira vez em Brasília que a parte de baixo da Esplanada dos Ministérios será cercada por concertina, um arame farpado com lâminas.

No lugar da festa entre povo e político, uma “Parada de 7 de Setembro” fora de época. Ninguém poderá levar para a posse garrafas, bolsas e mochilas, sprays, máscaras, fogos de artifício, guardas-chuvas e carrinhos de bebê. Festa? Que nada! A Esplanada será uma verdadeira retaguarda de guerra. O cenário desta posse “meio festa, meio guerra” reflete claramente a cara do novo governo de extrema direita e ultraliberal que teremos, um governo “2 em 1”, que de direito é civil, mas que de fato servirá apenas como uma marionete aos militares.

A história do Brasil nos mostra que quando os militares tomam gosto pelo poder começam a se exceder. Esses excessos já começaram. Desde quarta-feira (26), milhões de celulares com DDD 61 (Brasília) receberam instruções sobre restrições na posse de Bolsonaro. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o pedido para o envio das mensagens foi feito ao órgão pelo Comando de Operações Especiais do Exército. Isso é propaganda de guerra. Gerar pânico e vender soluções sem esforço, a mesma estratégia das igrejas neopentecostais que fazem fortuna vendendo segurança contra o medo que plantam nos desavisados.

Nunca é demais lembrar que de acordo com a resolução 656/2016 da Anatel, este recurso (disparo das mensagens via SMS) só pode ser utilizado em situações de calamidade pública ou emergência. Por isso, o disparo de mensagens encomendado pelo Exército se não é ilegal, no mínimo é desnecessário. O verde-oliva voltou a ser a cor da moda no Brasil. 

O novo governo começa com 72 militares eleitos para cargos legislativos (8% das 961 candidaturas apresentadas nas últimas eleições), 7 ministros militares e o vice, General, Hamilton Mourão, tem participado ativamente da composição e transição, expondo seus pontos de vista em entrevistas. Inclusive expõe muitos pontos contrários ao do presidente eleito, agradando a certos setores da “esquerda” (entre aspas porque não existe na prática). Pior ainda é que nos escalões inferiores os militares já estão praticamente com todos os cargos, mas isso não aparece na imprensa (assumidamente de direita ou a aparentemente de esquerda). É um Cavalo de Tróia.

Apenas para ratificar o que é dito sobre a “esquerda” aqui no Duplo Expresso, destacamos que o PT, em mais uma mise en scène para o lado esquerdo da plateia, resolve criar um “fato político” dizendo que não comparecerá à cerimônia de posse de Bolsonaro e do Vice Mourão, mas – nos bastidores – Mourão e o PT estão bastante alinhados. Ambos estão unidos em torno da candidatura de Rodrigo Maia (Rodrigo Maia, “Companheiros”!) à presidência da Câmara.

O jornalista Ricardo Noblat, publicou que:

O general da reserva Hamilton Mourão acha que Maia tem um perfil mais ‘reformista’, sabe como a Câmara funciona e conta com aliados em diversos partidos.

Para o PT, Maia é antes de tudo um homem de palavra, que faz acordos e que os cumpre. Enquanto Mourão e PT se acertam na eleição da Câmara, Bolsonaro tem dito que não se envolverá com eleição da Câmara e estimula o surgimento de outros candidatos – um deles o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG).

Que lindos!

Nesse “museu de grandes novidades” envolvendo a posse desse governo civil-militar, surgiram inclusive ameaças de supostos “terroristas”, que ameaçam literalmente “tocar o terror” na Posse. O tal grupo já havia reivindicado a autoria de um ataque à bomba a uma igreja de Brazlândia (pausa para risos) e agora ameaça fazer um atentado durante a posse. No terrorismo Tupiniquim os supostos terroristas avisam antes. Os terroristas se autodenominam “Sociedade Secreta Silvestre”. E há quem ainda leve isso a sério.

Na cartilha de governos de extrema direita, como o caso do Governo Trump, o terrorismo sempre foi usado para atacar a imigração e endurecer as leis. No Brasil é a desculpa perfeita para a criminalização dos movimentos sociais, como o MST.

Sempre falamos no Duplo Expresso que o governo de extrema direita civil-militar de Bolsonaro não precisará fazer nenhuma lei fascista para praticar os absurdos que promete, pois o PT já se encarregou disso. Lula e Dilma através dessas leis são responsáveis pelo incremento do Estado Policial no qual o ex-presidente e outros são vítimas. 

Quando falamos sobre terrorismo, devemos lembrar que o PT no governo Dilma também deixou mais um presente para Jair Bolsonaro e seu governo civil-militar: apesar do Brasil já contar com instrumentos legais para punir atos terroristas, o governo Dilma sancionou em 2016 a Lei Antiterrorismo na esteira da realização das Olimpíadas no país. O objetivo original era supostamente conter os Black Blocs presentes em diversas manifestações na época.

Dilma já com seu governo por um triz aprova uma legislação que visa criminalizar movimentos sociais. Dilma não quis sair do governo sem agradar aos EUA e atender a uma demanda do Grupo de Ação Financeira do G-20, organização internacional que coordena políticas de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento de grupos terroristas.

A lei punitivista petista vai depender da interpretação dos agentes de justiça (juízes, promotores e delegados). São eles que definirão o que é, ou não, terrorismo. E agora, com base nessa lei, temos o Decreto 9.630 de Temer que cria uma Força Tarefa com organismos militares e outros órgãos que serão responsáveis por combater o crime organizado. O Decreto instaura uma duração de 10 anos para o Plano Nacional. Ou seja , coloca a Força Tarefa como lei até 2028. É o Bolsorão Temer Rousseff da Silva – O Frankenstein brasileiro que “toca o terror” contra o povo.

Bolsonaro nunca escondeu que iria tratar os quadros do MST como terroristas. Dilma chegou a vetar na época oito artigos polêmicos da atual Lei Antiterrorismo após pressão dos movimentos sociais. Esses artigos vetados por Dilma são justamente os artigos que a base do governo Bolsonaro pretende recuperar. A ex-presidente Dilma, além de ter sancionado uma lei antidemocrática que foi amplamente criticada (a ONG Conectas disse que essa lei é o “maior retrocesso político-criminal desde a redemocratização”), ainda deixou tudo pronto para o governo Bolsonaro terminar o serviço.

Que em 2019 saibamos escolher as verdadeiras batalhas para que juntos possamos superar os obstáculos reais.

Força e solidariedade!

Feliz Ano Novo!

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.