A bola está na marca do pênalti, sem goleiro. A esquerda vai fazer este gol?

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

A grande vitória de Lula, após o escancaramento da ditadura no Brasil, no último domingo (08 de julho), está diretamente ligada à guerra de narrativa. A despeito do monopólio da Globo, os reflexos nas próximas pesquisas (mesmo quando algumas fazem de tudo para puxar os números para baixo) serão sentidos, com Lula ainda mais forte e imbatível nas urnas.

O que farão os partidos de esquerda? Vão insistir no discurso – da direita – “as instituições estão funcionando normalmente” ou vão partir com tudo para o necessário confronto? Vão perder a chance de escrever na história uma revolução inteligente, sem mortes, sem sangue? Ou deixarão o fascismo crescer ainda mais?

O desespero dos sabujos dos EUA é evidente. O aprofundamento da crise econômica e a desmoralização das instituições jogam o povo no caminho do, inevitável, confronto. Com a esquerda ou sem a esquerda o povo irá reagir. Não é mais possível suportar tamanho abandono. Será que os partidos de esquerda enxergam isso?

Falei no texto anterior que somente através da luta em defesa de Lula a esquerda sobreviverá. Ainda que alguns quadros tentem normalizar um fato de tamanha gravidade como é a prisão política de Lula, se a esquerda insistir em fazer deste tema um tabu, será o povo – primeiro aleatoriamente, depois nas mãos de uma nova liderança, rezemos para que não seja fascista – que reagirá ao descaso generalizado.

Este cenário de caos já está praticamente consolidado. É preciso resgatar Lula como liderança para a unidade e pacificação nacional. Nos tempos atuais não há espaço para uma dicotomia bolchevismo x fascismo, pois o ponto de convergência entre ambos – o controle psicológico das massas – não se constrói artificialmente, com a estrutura Bancos/Globo/Justiça/Militares/EUA definindo os atores dos dois lados.

Lula é, portanto, a única saída “orgânica”. É o resultado de uma reorganização social que se fez necessária após a avalanche de desmandos e abandono do período FHC. É algo ainda muito vivo e recente no inconsciente popular. Os sociólogos e estrategistas do Regime Temer esqueceram este importante fator: memória recente. Daí a explicação para que Lula seja cada vez mais forte e imbatível.

Essa “tolerância” com o Estado de Exceção, estranhamente adotada por parte da esquerda, funciona apenas como uma aceitação de uma margem de inconformismo. No entanto, por estar desconectada do povo, servirá apenas para justificar o discurso previamente preparado de que “são todos iguais”. Desempregado, com fome e abandonado, o povo jamais aceitará ter sido “rato de laboratório” de teóricos à direita e à esquerda da política. Burocratizar a luta ou administrar as reações são ambas, de vermelho ou de azul, uma estratégia paliativa, pois jamais se sustenta nos médio e logo prazos.

A presença das Forças Armadas, através de um golpe militar, não pode mais ser temida. Este argumento (ou desculpa para a apatia) se esfarela quando todos já sabem que atualmente esta instituição é um dos braços do Regime Temer, usada por células cooptadas pelos EUA como ferramenta de ameaça. A esquerda não pode ser uma falsa oposição ao Regime Temer, uma anestesia social, pois a fome, o desemprego e a incapacidade de planejar o amanhã são problemas reais.

O povo tem dado, pacificamente, todos os recados de que “é Lula ou nada!”. Parte da esquerda, sobretudo a infiltrada, brinca com o “quem Lula indicar”, ignorando o recado claro, objetivo e (repito) pacífico do povo de que “Lula é o cara!”. O Regime Temer só se sustenta se a esquerda não chutar a bola que está na marca do pênalti, sem goleiro. Chamar Lula, fazer este gol e “correr pra galera!” é o que resta à esquerda.

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.