Acabou: Rosa Weber diplomou Bolsonaro ontem, que seguiu para festa na Paulista

Por Romulus Maya & Thais Moya

Resumo:

  • O último domingo será considerado o ritual de passagem para o Regime Bolsonaro. A coletiva de imprensa das supostas “instituições”, acocoradas, com representantes do TSE, OEA, Polícia Federal, MPF, e Governo Federal – com Raul Jungmann e o General Ecthegoyen – representou a diplomação de fato do ex-Capitão.
  • Nela ficou clara a tentativa de imposição de uma realidade paralela chancelada pelo “é o que afirmamos, cale a boca e ponto final”. Linha argumentativa explícita na fala firme do General Ecthegoyen de que “dia 29 teremos um presidente de todos” legítimo e isso é incontestável, “ponto final”.
  • Em síntese, a “coletiva sobre fake news” do TSE ontem foi, ela sim, a grande fake news! A tônica, geral, das falas foi o reenfoque do tema “fake news”. Ocultou-se o sofisticado e caro esquema empregado, clandestina e ilegalmente, em favor de Bolsonaro. E sua consequência jurídico-políticas óbvia: nulidade da “eleição” (sic).
  • Na verdade, o tema só surge num segundo momento, somente no questionamento dos jornalistas presentes (!), depois da fala dos representantes das (supostas) “instituições”. O reenfoque visou a consolidar a narrativa de que “fake news” nestas eleições, se há, é apenas o questionamento – legítimo – à segurança do sistema de votação inauditável do Brasil (!)
    É na repetição – massificada – de que “a urna eletrônica é segura” que estarão todos os esforços do TSE nesta semana no quesito “fake news”.
    E só.
  • Poucas horas depois de sua diplomação de fato pelo TSE acocorado, Bolsonaro pronunciou-se, do quintal de sua casa e por meio de transmissão ao vivo, projetada em telão para dezenas de milhares de seus adoradores-eleitores que faziam manifestação em sua defesa na Av. Paulista.
  • Assim como a coletiva de imprensa das “instituições” acocoradas representa a cerimônia de diplomação, de fato, de Bolsonaro, o discurso do mesmo transmitido a todo Brasil, por meio internet, representa, simbolicamente, seu pronunciamento de posse.
  • – Bem-vindos ao Regime Bolsonaro, sucedâneo do Regime Temer/ Lava Jato no grande esquema do Golpe!
  • – Viva as instituições, que seguem funcionando normalmente!

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REFLEXÕES SOBRE COLETIVA DE IMPRENSA DO TSE E DISCURSO DE BOLSONARO– 21 DE OUTUBRO DE 2018

Por Thais Moya, para o Duplo Expresso

Conceitualmente, o dia 21 de outubro de 2018 será considerado como o ritual de passagem do Regime Bolsonaro, sendo a coletiva de imprensa, composta por representantes do TSE, OEA, Polícia Federal, MPF, e Governo Federal – por meio do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e, do chefe de Estado de fato, General Ecthegoyen – representou a diplomação de fato do ex-Capitão. Note que o Poder Legislativo não compôs o grupo, demonstrando que o Regime Bolsonaro manterá a ditadura de toga com o respaldo “do medo” das Forças Armadas, eliminando, de vez, a soberania em sua representação pelo voto. O que escancara que a cerimônia de diplomação de Bolsonaro foi forjada sobre evidente contradição: uma repetitiva, prolixa e hipócrita afirmação de que a eleição desenvolve-se em perfeita lisura e normalidade, palavra essa dita por todas as bocas da mesa cerimonial.

Todos os fatos que colocam em xeque a normalidade eleitoral, como as urnas inauditáveis e controladas exclusivamente pelo TSE; fakenews financiadas por empresas; impugnação de candidaturas e títulos eleitorais foram minimizadas ou negadas, estabelecendo uma nova dinâmica político-jurídica: a realidade social não será pautada e confrontada pelos fatos, mas pelo força e chantagem do Poder Judicial e das Forças Armadas, estamos, portanto, sob a imposição de uma realidade paralela chancelada pelo “é o que afirmamos, cale a boca e ponto final”. Linha argumentativa explícita na fala firme do General Ecthegoyen de que “dia 29 teremos um presidente de todos” legítimo e isso é incontestável, “ponto final”.

A ditadura com tom arbitrário, típico de estado de exceção, foi reforçado pela presidente do TSE, Rosa Weber, que nos primeiros segundos de sua fala afirmou, apesar de todos os fatos recentes, que o primeiro turno ocorreu em completa normalidade; o que representa um julgamento monocrático, adiantado e, portanto, contrário ao devido processo legal dos processos protocolados pelo PDT, que pediu impugnação do primeiro turno, e pelo PT, que solicitou cassação da chapa de Bolsonaro e General Mourão. Detalhe: ao lado dela estava a Procuradora Geral da República, Raquel Dogde, que não manifestou qualquer crítica à escandalosa violência contra a Constituição.

Poucas horas depois de sua diplomação de fato, Bolsonaro pronunciou-se, do quintal de sua casa e por meio de transmissão ao vivo, projetada em telão para dezenas de milhares de seus adoradores-eleitores que faziam manifestação em sua defesa na Av. Paulista. Não só suas palavras autoritárias definiram que seu Regime está pautado no legado nazi-fascista, mas também toda performance desenvolvida na manifestação antes de seu discurso, digna dos preceitos de Goebbels, Ministro de Propagando do Regime nazista de Hitler que estabeleceu uma adesão enfeitiçada da maioria dos alemães. Como dizia, minutos antes do discurso de Bolsonaro, seus seguidores fizeram um minuto de silencio seguido por um mantra “Estou em paz, o Brasil está em paz”.

Assim como a coletiva de imprensa citada representa a cerimônia de diplomação, de fato, de Bolsonaro, o discurso do mesmo transmitido a todo Brasil, por meio internet, representa, simbolicamente, seu pronunciamento de posse. Que destoou de todos os anteriores da Nova República, pois, ao invés de colocar-se como chefe de um governo de todos, clamando pela união da população, Bolsonaro estabeleceu uma postura de profunda divisão, estabelecendo toda oposição como inimigo interno que será violentamente perseguida pelo exílio imposto ou pela prisão. Haddad e Lindbergh, por exemplo, foram nominalmente ameaçados como alvos prioritários, associados diretamente a Lula, que teve sua pena perpétua decretada sob gritos de celebração.

Sociológica e historicamente, 11 de setembro foi a eleição de fato, quando Lula, o candidato que venceria em primeiro turno, com mais de 55% dos votos válidos, foi arbitrária e inconstitucionalmente retirado do pleito. Não só pelo Golpe jurídico-legislativo-executivo-midiático-militar, sustentado e orientado pela Finança Transnacional, mas com o concurso indispensável do chamado “PT Jurídico” (apud Luiz Moreira). Da mesma forma, dia 21 de setembro, o último domingo, está marcado como a diplomação e posse, de fato, do sombrio e truculento Regime Bolsonaro, sustentado pela “normalidade” das eleições, que foram literalmente fraudadas do início ao fim, bem como das (supostas) “instituições”. Sendo assim, o próximo domingo, 28, nada mais significa que uma vírgula do roteiro golpista que vai assolar os direitos sociais, civis e políticos da população estigmatizada como inimiga da nação.

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PRINCIPAIS PONTOS DA COLETIVA EM QUE (SUPOSTAS) “INSTITUIÇÕES” DIPLOMARAM BOLSONARO

Por Romulus Maya, para o Duplo Expresso

Presidente do Conselho Federal da OAB, Lamachia, “representando a sociedade civil” apud Rosa Weber:
– “Instituições funcionam normalmente”;
– “Judiciário não é de esquerda nem de direita. Ele é a lei” (!)

A inacreditável e inepta Rosa Weber, falando grosso modo pelo Judiciário:
– “Fake news sempre existiu. O que mudou foi a velocidade”.
– Nenhum país do mundo soube impedir (sic): “nós entendemos que não houve falha alguma da Justiça Eleitoral no que tange a isso que se chama fake news. Todos sabemos que a desinformação é um fenômeno mundial (…). Se tiverem a solução para que se evitem ou se coíbem a fake news, por favor, nos apresentem. Nós ainda não descobrimos o milagre”.
– Relativização do pesado esquema de fake news, profissionalizado e ricamente remunerado, atuando em favor de Bolsonaro: a ideia era “chumbo trocado não dói”. Como se os dois candidatos fossem igualmente afetados por fake news. Jungmann sacramentou a ideia dizendo, inclusive, que “as duas campanhas serão investigadas a pedido das PGR, em sigilo”.
– Tranquilamente Rosa disse que nada fará, afirmando que interessados poderão entrar com ação de impugnação nos prazos regimentais. Que, obviamente, vai para as calendas. E, assim, convenientemente a ameaça de cassação da chapa pairará sob a cabeça de Bolsonaro/ Mourão/ Heleno durante todo o mandato. Nada que os há de assustar nem remotamente, por certo. Lembremos da fala – verdadeira, infelizmente – de BolsoFilho sobre o soldado e o cabo.
– Reiterou que “nunca houve fraude comprovada” desde que as urnas eletrônicas começaram a ser usadas no Brasil. Ora, tampouco houve prova de que não houve! Isso porque prova não há de nada no atual sistema de votação. Rosa Weber acredita que devemos nos contentar com a (suposta) “fé pública” das autoridades? No mais claro “la garantia soy yo”? Por favor…
– Segundo Weber, o primeiro turno valeu. Foi perfeito. Ponto final. Ou seja, antecipou voto na ação do PDT. O mesmo valerá pro segundo turno, por óbvio.

Em suma:
– Como sempre, fraquíssima. Em nível técnico e de caráter. Mais uma vez mostrou a vergonha que é tê-la no STF. Sua única credencial, como se sabe, era ser companheira de carteado de Dilma. Lembremos, por exemplo, da sabatina sofrível por que passou no Senado quando de sua indicação. Constrangedor.
– Entubou, em nome do Judiciário, a ameaça de BolsoFilho, acocorada: “o vídeo foi desautorizado pelo candidato. No Brasil as instituições estão funcionando normalmente. E juiz algum que honra a toga se deixa abalar por qualquer manifestação que pode ser compreendida como inadequada”. Quanta altivez (!)

Giuseppe Janino – chefe do TI do TSE:
– Mentiu, com a cara mais limpa, falando que a urna eletrônica brasileira é auditável e que foi auditada. Ora, era de se esperar. Estava lá apenas para isso.
– Sobre o que o farsante chamou de “auditoria” eis pronunciamento dos melhores técnicos das universidades públicas brasileiras que se dedicam ao tema, feito ainda antes do primeiro turno:

“Membros do CMInd acabam de descobrir que o software das urnas eletrônicas durante o Teste de Votação simulada que deve ser feito obrigatoriamente durante a cerimônia de carga das urnas usando o pen drive VPP, reage de forma diferente da condição normal de uso e NÃO IMPRIME O QRCODE no final do BU simulado.
Isso prova que o software detecta que está sob o teste e muda seu comportamento.
Em resumo o teste é imprestável para indicar a higidez do software.
Sugerimos, a quem for assistir e participar dessas cerimônias de carga e lacração das urnas que peça que conste esse fato da ata (o software da urna testada detecta que está sob teste e altera seu comportamento regular, deixando de imprimir o qrcode no BU)”.

Giuseppe Janino é membro chave da máfia supra-partidária e, como vemos, supra-institucional que vem fraudando votações no Brasil há décadas (aqui e aqui).

Jungmann, o pateta patético:
– Ameaça, vã, de que “não há anonimato na internet”.
– Patética tentativa de dissuasão. Seu único recurso, o pobre. Era melhor ter ficado calado.

Assessora de comunicação do TSE/ Weber/ Jungmann/ OAB/ AGU/ …:
– Tônica, geral, das falas foi o reenfoque do tema “fake news”. Ocultou-se o sofisticado e caro esquema empregado, clandestina e ilegalmente, em favor de Bolsonaro. E sua consequência jurídico-políticas óbvia: nulidade das “eleições” (sic).
– Na verdade, o tema só surge num segundo momento, somente no questionamento dos jornalistas presentes (!), depois da fala dos representantes das (supostas) “instituições”.
– O reenfoque visou a consolidar a narrativa de que “fake news” nestas eleições, se há, é apenas o questionamento à segurança do sistema de votação (!)
– Diante da fala dos representantes do CMInd, reproduzido acima, vemos que a “coletiva sobre fake news” foi, ela sim, a grande fake news!
– Como demonstrou a assessora de comunicação do TSE, exibindo inclusive clipes ridículos produzidos pela sua equipe, é na repetição – massificada – de que “a urna eletrônica é segura” que estarão todos os esforços do TSE nesta semana no quesito “fake news”.
E só.

Ou seja…

– Bem-vindos ao Regime Bolsonaro, sucedâneo do Regime Temer/ Lava Jato no grande esquema do Golpe!

– Viva as instituições, que seguem funcionando normalmente!

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O tema foi discutido pelos autores no Duplo Expresso de hoje:

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.