O “Holocausto dos Nordestinos Pobres” – O papel da comunicação social

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Conforme o prometido no texto de 3 de setembro sobre as violações do Regime Temer – sequência da série “O Holocausto dos Nordestinos Pobres”- publicada aqui mesmo neste Duplo Expresso, pretendo nestas novas linhas trazer para o debate o papel da comunicação social neste processo de massacre contra os pobres no Brasil, com ênfase para os povos do Norte e do Nordeste do nosso país.

No Brasil, quando falamos em comunicação social, imediatamente lembramos da Rede Globo. Obviamente que há outros órgãos de imprensa com poder de manipulação e que praticam este poder sem o menor pudor. Nunca é demais lembrar do papel que cada um jogou antes e durante a ditadura de 1964, e como conseguiram sair incólumes daquelas práticas horrendas. Foram capazes, inclusive, de manchar apenas a imagem da instituição Forças Armadas. Ainda que elas – sobretudo o Exército –, tenham “dado a cara”, todos sabemos que foram apenas um dos tentáculos daquela fase nefasta da nossa história.

O certo é que a Rede Globo funciona como uma paraestatal que há décadas trabalha para a posse do Estado. O mesmo que ela combate diariamente com o discurso totalmente contrário daquilo que pratica: “a iniciativa privada é mais eficiente”. Sabemos todos que não existiria Rede Globo sem o Estado. Reduzir a população pobre, através do holocausto é, no entanto, uma espécie de “plano secreto” que esta empresa executa regularmente através dos seus produtos e serviços, sempre em conluio com a elite mais bizarra e perversa do planeta, a brasileira.

Basta olhar como as novelas, séries, telejornais, jornais, emissoras de rádio, portal internet e outras empresas que compõem este império de comunicação constroem todos os dias a discórdia, o desrespeito e a agressividade entre diferentes setores da nossa sociedade. A Globo é, em si, um evento traumático continuado da comunicação no nosso país. Pratica impunemente a guerra de versões, pois desta maneira consegue impor narrativas – ainda que falsas – para a manutenção do monopólio da memória do povo brasileiro.

A consequência para este ambiente belicoso, onde as pessoas são tratadas como cobaias de laboratório, é visível no acirramento da irracionalidade entre as subdivisões que a Globo cria para manter entretido com o supérfluo um povo espoliado por instituições ocupadas de células racistas, mesquinhas e perversas. Tal manipulação de mentes e idéias ocorre todos os dias e a cada momento nas páginas dos jornais, nas emissoras de rádio, na televisão, na internet, na produção de livros e na cinematografia. Em cada um e em todos os veículos de comunicação da Globo. O papel secundário atribuído aos negros e pobres nas telenovelas, por exemplo, apenas reforça a função da comunicação social no holocausto dos nordestinos pobres.

Nunca é demais lembrar que a fraude eleitoral no Brasil tem colaborado diretamente para que os povos do Norte e Nordeste sejam vistos como “inferiores”, quando comparados com o “gosto nas urnas” dos povos do Sudeste e Sul. Ainda que na prática tenham sido os primeiros os responsáveis por termos impedido a desgraça de vermos o país governado por Serra e Alckmin, a cada nova eleição (todas fraudadas) a Globo e demais tentáculos do Partido da Imprensa Golpista (PIG) trabalham para o acirramento regional dos povos.

Ocupados com este entretenimento perverso, cidadãos brasileiros sequer dão-se conta de que são vítimas de uma manipulação vulgar, e que são envolvidos numa polêmica que atende somente aos interesses de grupos interessados em fazer prevalecer esta ou aquela interpretação dos fatos. Assim, podem utilizar-se disso no preenchimento das suas próprias conveniências. Esta “brincadeira” (na verdade, um jogo de manipulação) rendeu este ano um resultado que será por décadas o responsável pelo atraso do nosso país: a eleição de Bolsonaro, consequência direta da normalização do arbítrio da prisão de Lula.

Enquanto houver a Globo, o que estará em jogo será a identidade das novas gerações, todas elas fustigadas e atormentadas pelo passado que é contado por uma narrativa falsa, a partir de uma empresa corrupta e que em nada contribui para o desenvolvimento do nosso país ou ao bem-estar do nosso povo. É preciso barrarmos isso agora! Com o passar do tempo, os eventos históricos ficarão cada vez mais distantes, e isso insuflará o choque entre as versões dissonantes.

A luta sobre o significado do passado é o grande trunfo político que a imprensa – e sobretudo a Globo –, se utiliza para impor as narrativas do presente. No caso dos pobres nordestinos, sabemos que a elite brasileira é – na sua maioria esmagadora – racista e fascista e, por isso, está historicamente ocupada com o desaparecimento do testemunho desses atores que, vivos, são muito mais do que apenas vítimas ou responsáveis pelos problemas que ocupam os jornais. São, na essência, o “arquivo vivo” das práticas danosas de distorção da realidade que esta mesma elite pratica, sempre com o imprescindível suporte da comunicação social.

Restam artigos como este e mais centenas de pequenas publicações que servem de documentos, relatos, registro. A denúncia destemida destas práticas e métodos torna imortal esta luta por justiça e reparação. Sabemos que a maioria pobre e massacrada é sufocada pela versão triunfante dos donos do poder e da narrativa predominante, mas a luta por melhores dias jamais poderá ser abandonada. Esperamos plantar sementes para que as forças populares possam ressurgir alimentadas pela indispensável vontade de contestar toda esta manipulação da qual são submetidas. Que saibamos discernir quem é quem para a construção de uma sociedade mais justa e um país que sirva ao seu povo.

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