As violações do Regime Temer (Parte I) – O Holocausto dos Nordestinos Pobres

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Frequentemente notícias e artigos sobre conflitos internacionais têm sido publicados na imprensa brasileira. “Regime”, “genocídio”, etc. são alguns dos termos citados e pouco explicados. Quando convém, Ditadura é chamada de Governo e vice-versa.

Desde a última sexta-feira (17) – quando a ONU jogou água no chope do “Plano B” e mandou a militância de esquerda sair do conforto da poltrona – a validade dos acordos internacionais firmados pelo Estado brasileiro são o centro do debate. O que temos aqui? Um debate sobre Direito Internacional e Ciências Políticas. Concorda?

Para uma melhor compreensão das violações do Regime Temer, tomemos como base algumas decisões visivelmente genocidas e que tem como símbolo a perseguição a Lula. Desde a construção da estratégia, passando pelo atual reconhecimento da ONU, Lula é “o nordestino” a ser abatido, juntamente com os milhões de nordestinos que o mesmo Lula ajudou a melhorar de vida e que, por isso, é amado.

Certa vez, em um debate aqui no Duplo Expresso, o nomeado jurista Afrânio Silva Jardim, pelo qual temos muita admiração e respeito, nos disse que “um livro influencia muito mais a decisão dos juizes do STF do que um milhão de pessoas nas ruas”. O tempo, bem pouco tempo, mostrou que não é bem assim.

Longe de tentar expor como um erro, resgato esta afirmação do Professor Afrânio para tentar aproveitar dela o máximo possível. Percebi que desde quando, na sexta-feira, a ONU abalou a política brasileira com a liminar determinando que Lula participe da campanha política, as reações dos beneficiários do Regime Temer denunciam que eles foram gravemente atingidos por este torpedo deste organismo internacional.

Considerando que o poder judiciário está mergulhado como cúmplice no atual Regime e, ao mesmo tempo, que registros escritos são – na visão do experiente jurista Afrânio Silva Jardim – importantes ferramentas para influenciar nas decisões dos juizes do STF, as decisões (escritas e publicadas) dos Tribunais Internacionais que antes nada podiam fazer, agora – após a liminar da ONU – passam a ser o novo caminho.

Sugiro o debate e formulação de grupos de estudos para que possamos desenvolver a tese da existência do aprofundamento de um genocídio que historicamente tem sido praticado contra os povos do Norte e Nordeste, mas que são todos “rotulados” pelos opressores como “Nordestinos”.

Ao pesquisar os tipos de violência,  encontrei conceitos e análises muito interessantes para o levantamento deste debate aqui proposto. Se para falarmos sobre violência precisamos antes entender o que é a paz, para falarmos nas eleições – sob as atuais circunstâncias – devemos falar primeiro sobre democracia.

Se já há um reconhecido parecer da ONU afirmando que Lula é preso político, não podemos mais falar em democracia no Brasil. Não existem “licenças para o arbítrio” ou “intervalos democráticos”, como alguns sugerem. Há ditaduras e democracias. E a existência de uma, anula a outra. 

Fundamentos para entendermos e combatermos o “Holocausto dos ‘Nordestinos’ Pobres”

Como disse acima, comecei a esboçar, e peço ajuda, “a tese da existência do aprofundamento de um genocídio que historicamente tem sido praticado contra os povos do Norte e Nordeste, mas que são todos ‘rotulados’ pelos opressores como ‘Nordestinos’.” Com base nisso, calçados com a Liminar da ONU a favor de Lula, podemos aprofundar o nível de denúncias contra o Regime Temer.

Juizes do Sul do Brasil, a maioria com descendência alemã, muitos desses herdeiros de nazistas foragidos, nutrem um sentimento de vingança que potencialmente foi transmitido pelos seus antecessores na árvore genealógica: a cultura da “supremacia da raça ariana”. Apenas como um dos exemplos – já mencionado aqui no Duplo Expresso, por Romulus Maya  vejam este caso:

A família Thompson Flores tem expertise em ataque à democracia, violação de direitos humanos, genocídio de pobres e, principalmente, conchavos com o poder.

Após protagonismo no massacre de Canudos, passou também com destaque pelos anos de chumbo da ditadura civil-militar que governou o Brasil de 1964 a 1985. O clã foi, então, agraciada pelo regime com uma vaga no STF, bem como com a prefeitura, “biônica”, de Porto Alegre.

Mais: são também parte da máfia que frauda a totalização e vende votos na Justiça Eleitoral.” (Romulus Maya)

A partir da Liminar da ONU, cabe tudo para denunciarmos e destruímos o Regime Temer com o necessário rigor da Lei. Considerando que o Poder Judiciário Brasileiro está corroído por células como Thompson Flores e o alemão Félix Fischer, como é que os nossos juristas, amantes da democracia e defensores dos direitos humanos podem “enquadrar” este caso às instâncias internacionais?

Nada pode justificar a tentativa de perseguição aos “Nordestinos” com a venda e desmonte da indústria de petróleo e gás, aumento assustador da mortalidade infantil, incitação ao ódio contra contra todos eles, tentativa de prejudicar a transposição do São Francisco, redução do Bolsa Família, venda da Eletrobras, etc.

Não é apenas um recorte histórico. Ao longo de décadas tem sido assim. É preciso reagir com ações que inibam e condenem aqueles que promovem esta “limpeza étnica”, sem constrangimento. Ao emitir a liminar favorável à defesa de Lula, a ONU municiou os amantes da democracia e da justiça para o necessário embate contra o Regime Temer.

Na segunda parte deste texto, entre outras coisas vamos falar sobre “como o ‘Nordestino’ livrou o mundo dos alemães nazistas através da exploração da borracha no Amazonas”. Será este um dos motivos para tanto ódio e perseguição?

Se você tem conteúdos que possam ampliar este debate, comente na área de comentários ou envie um e-mail para contato@duploexpresso.com

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.