A cortina de fumaça da Folha e a fritura de Sérgio Moro

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Não é comum aqui na nossa página a análise de publicações do PIG – Partido da Imprensa Golpista, mas no primeiro programa, após o recesso, o nosso patrono, o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, advertiu o nosso público para as entrelinhas do editorial da Folha de São Paulo. Por isso, vamos tentar acrescentar elementos para o enriquecimento deste debate.

Faltando aproximadamente três meses para as eleições, o editorial recente da Folha – importante base do Partido da Imprensa Golpista – faz várias críticas sobre inquéritos baseados tão somente em delações premiadas. Exemplo recente disso foi o caso da absolvição do ex-presidente Lula no processo em que foi acusado de obstrução de justiça, baseado numa delação mentirosa do ex-senador Delcídio do Amaral.

A Folha faz um crítica indireta ao juiz corrupto e criminoso Sérgio Moro e aos procuradores da Lava Jato que alicerçaram todas as suas denúncias baseadas em delações premiadas. A base da Lava Jato são as delações premiadas, pessoas foram condenadas e presas sem provas com base somente em delações e hoje essas pessoas muitas delas foram submetidas à tortura psicológica, extorsões e ameaças como já declarou o ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran, em seu depoimento à CPI no Congresso Nacional, em que relata que ele próprio teria sido vítima de extorsão a partir de abordagens do, padrinho de casamento de Moro e sócio de Rosângela Moro, advogado Zucolotto. Duran denunciou também um esquema de venda de delações.

É realmente de se estranhar que este editorial seja feito somente quando Lula completa 100 (cem) dias sequestrado como preso político nas masmorras de Curitiba, condenado por um juiz notoriamente parcial, num processo ilegal e principalmente baseado em uma delação premiada de Leo Pinheiro, um co-réu (que não tem a obrigação de falar a verdade).

Por que somente agora a Folha começa a criticar as ilegalidades e os inquéritos baseados somente em delações premiadas? É líquido e certo entre advogados e juristas que quando a “poeira baixar”, quando passarem as eleições sem Lula, todos esses processos ilegais da Lava Jato serão anulados! Inclusive do ex-presidente Lula.

É consenso entre as pessoas com pelo menos dois neurônios que depois daquele domingo Dia 8 de Julho, dia em que a justiça mostrou as suas vísceras, ficou claro para o Brasil e para o mundo que o ex-presidente Lula está sequestrado e é um preso político. Isso é DITADURA! Não venha a Folha com a versão 2.0 da “ditabranda”, pois em tempos de internet isso não se sustenta.

A Justiça brasileira está desmoralizada, a Procuradora Geral da República assume o protagonismo da Lava Jato, saindo em defesa do Sérgio Moro e também mostra a sua parcialidade quando abre um inquérito pedindo o afastamento – e aposentadoria compulsória – somente contra o desembargador Rogério Favreto. Setores da imprensa golpista começam a perceber que uma grande bola de neve está em formação, a prova disso são os números, Lula continua crescendo a cada dia.

Com a desmoralização da justiça o golpe perde a força. A solução é começar a armar uma grande cortina de fumaça, começando com a fritura do Sérgio Moro e dos seus procuradores. A imprensa hegemônica quando começa a atacar as delações ilegais da Lava Jato está pavimentando um caminho para que depois das eleições, sem Lula, “as instituições voltem a funcionar normalmente”.

É preciso denunciar ao mundo esta farsa. A exclusão de Lula de um pleito eleitoral tão importante é a exclusão do povo. Não há democracia sem povo! Não haverá como manter as aparências de normalidade institucional se o maior e mais querido político do país for alijado do processo eleitoral. É preciso que haja luta para impedir que esta violência contra o povo brasileiro seja consumada.

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.