Argentina com o pires na mão

Da Redação do Duplo Expresso,

O Duplo Expresso quebra mais um paradigma e mostra na prática que a chamada “rivalidade” entre o Brasil e a Argentina deve ser limitada ao histórico confronto entre os dois países nas competições de futebol. Entendemos que uma crise na Argentina afeta diretamente a economia brasileira e vice-versa.

Diante disso, tivemos a honra de estrear como nosso novo comentarista de geopolítica o politólogo e analista internacional argentino, Eduardo J. Vior. Doutor em Ciências Sociais na Alemanha e Doutor em Sociologia pela Universidade do Paraná, Vior comentou na sua estreia sobre “A crise na Argentina”.

O que impressionou na análise do comentarista do Duplo Expresso foi a possibilidade de ouvirmos com riqueza de detalhes os elementos da grave crise na qual o Presidente Macri, em menos de um mandato de quatro anos, mergulhou o país. Pior, foi possível entender, para o nosso lamento, que o Brasil segue invariavelmente destino semelhante. Um cenário de rendição ao FMI e de redução do país à condição de mero exportador de commodities.

O artigo do Diplomata de Carreira Alessandro Warley Candeas, “Relações Brasil-Argentina: uma análise dos avanços e recuos”, publicado na Revista Brasileira de Política Internacional, é uma excelente fonte de consulta para a melhor compreensão da decisão da nossa página de tratar dos assuntos argentinos com um cientista do país hermano. Como vemos neste pequeno extrato:

“Ora, não interessa ao Brasil, como sempre sublinha o Governo, que a Argentina se desindustrialize ou se enfraqueça economicamente. O Brasil precisa de um sócio estratégico fortalecido, com o qual possa construir poder internacional num contexto de integração. O que conta, aqui, é a lógica da construção de poder compartilhado (jogo de soma positiva), e não a de reequilíbrio e contenção (jogo de soma zero).

A construção da estabilidade como “coerência estrutural” ou fio condutor do relacionamento bilateral implica a adoção dessa lógica da construção de poder compartilhado e a combinação de elementos dos dois paradigmas da política externa argentina – liberalismo, desenvolvimentismo e busca de autonomia regional e mundial.

A intensificação dos laços sociais e culturais em todos os níveis permitirão “internalizar” uma cultura de amizade e construir a “sociedade estratégica”, suplantando os resquícios de rivalidade e equilíbrio de poder. Segundo pesquisa realizada por Mora y Araújo, 25 há disposição extremamente favorável para tanto na sociedade argentina. As conclusões da sondagem de opinião são eloquentes:

  • o Brasil é o país com quem a Argentina mais deveria estreitar vínculos (36 %), superando Europa, Estados Unidos e Ásia;

  • Brasile Espanha são os países que evocam sentimentos e atitudes mais positivas (70%);

  • a imagem do Brasil está mais ligada à de “grandes mercados” (ao lado dos EUA) que à de país latino-americano; e

  • a preferência pelo Brasilé majoritária no espectro ideológico, da direita à esquerda.”

Assista ao resumo do vídeo com o comentário de estreia no Duplo Expresso do Politólogo e Cientista Social Eduardo Jorge Vior.

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.