O Brasil está capturado – O aprofundamento do Estado de Exceção

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Ainda que o monopólio da Globo tente descolar de mais uma ditadura que ajudou a consolidar, o que temos hoje no Brasil é o aprofundamento do Estado de Exceção (a negação do estado democrático de direito) e a antecipação das eleições presidenciais.

A prisão e manutenção de Lula em cárcere é, sem chance para o contraditório, uma manobra do Regime Temer para impedir o constitucional manifesto da soberania popular, fator primeiro da Carta Magna.

Este rompimento do pacto social terá cicatrizes abertas por muitos anos, posto que Lula é, em si, o símbolo e essência da existência de uma esquerda organizada no Brasil. Os inimigos (externos e internos) não o escolheram à toa.

Para que o atual Regime Temer seja mantido, somente através do sequestro do maior líder político brasileiro, pois seria um risco muito elevado eliminá-lo definitivamente – como desejam aqueles que reconhecem em Lula um político insuperável na disputa eleitoral.

A descrição por tópicos enumerados é vista por alguns psicólogos como um característica de psicopatia, mas há casos – como este – que se faz necessário enumerar alguns pontos para que sejam eliminados eventuais ruídos na mensagem.

Vamos analisar os pontos que julgo importantes para a compreensão do cenário brasileiro atual:

1-As eleições serão FAKE, o Regime Temer tenta dar um “ar de legitimidade” para continuar com os desmandos. Através da fraude eleitoral (já dada como certa por especialistas), aposta na eleição de um congresso totalmente alinhado com o golpe. Sem Lula, o próximo presidente será refém do Congresso. A corrupta Rede Globo continuará pautando o país.

2- A grande (e única) jogada do golpe será apoiar um candidato híbrido, que engane os simpatizantes da esquerda. Para isso, os mais cotados são Haddad e Ciro. No entanto, ambos precisam de Lula.

3- As lideranças de esquerda pecam quando tentam evitar abrir o jogo para o povo que apoia esta inclinação política (maioria que deu a vitória nas urnas nas últimas quatro eleições). É preciso usar a expressão certa e assumir: estamos numa ditadura! É urgente, antes que o impacto seja reduzido, falar abertamente sobre isso.

4- As lideranças estão com medo? O povo está com medo de ir para as ruas? É preciso impedir o efeito psicológico de tantas forças contrárias e o fato do Estado, detentor da “lei e ordem”, e do judiciário estarem envolvidos, numa ação articulada de intimidação e distorção da realidade, via Globo.

5- O que fazer quando praticamente todos os poderes constituídos estão comandados por células que fazem parte do golpe, via cooptação dos EUA?

5.1- Presidência da República- Um presidente inundado de denúncias, engessado pelos próprios crimes.

5.2– Empresa de Segurança de Puteiro (antiga Forças Armadas), onde o Exército é no Regime Temer o braço armado e trabalha em conluio com Jungmann (que dispensa comentários).

5.3- STJ (Félix Fischer é apenas um exemplo)

5.4- STF (Não há nenhum que seja digno daquela casa)

5.5- Procuradoria Geral da República (Dodge é “laranja da CIA”)

5.6- Polícia Federal (Recebe dinheiro da CIA)

5.7- Ministério público (Refém da CIA)

6- Fator Rede Globo/EUA

Depois do episódio do domingo (8 de Julho) o golpe ficou exposto, o DNA dos artífices está registrado para a história. O criminoso e corrupto juiz Moro será afastado do caso e o processo de Lula será anulado, isto é óbvio. Mas tudo isso só irá acontecer depois das eleições FAKE!

O que assistimos no último domingo foi um Moro desesperado, cometendo todo tipo de ilegalidade se expondo completamente para ainda parecer ter alguma utilidade. Para Moro, seria muito perigoso – por tudo que sabem sobre ele – ter “deixado” Lula passar.

Moro estaria liquidado diante dos que o apoiam: EUA e Rede Globo. Os detalhes do 8 de Julho que ficarão para história todos já sabemos. Com certeza, em vinte anos nossos filhos e netos conhecerão os detalhes desta ditadura moderna: parlamentar, jurídico, midiática comandada pelos EUA e com o suporte do exército, sustentado pela propaganda. Tanques nas ruas ficaria óbvio demais.

O que vimos no dia 8 de Julho foi muito mais grave! No lugar dos tanques, vimos como o nosso país está sob intervenção internacional, com todo o aparato judicial agindo criminosamente para manter sequestrado um homem inocente. Uma manobra suja para impedi-lo de ser candidato à presidência.

Somente a manutenção da candidatura de Lula dará a ele e ao Brasil o necessário “tensionamento da corda” entre cidadãos e instituições carcomidas pela invasão dos EUA.

Depois de desmascarada essa farsa, chancelar o plano B, ou Plano F de FAKE, será legitimar o Regime Temer, através de um novo presidente fraco e refém da estrutura atual. Todos nós sabemos: a pressão está tremenda!

As lideranças da esquerda colaboram para o próprio fim quando colocam “a faca no pescoço de Lula” para que ele abandone a disputa. Por isso a dificuldade de assumir abertamente que estamos numa ditadura.

7- O que fazer?

A única saída política plausível para Lula e para a restauração da democracia, dentro deste quadro de DITADURA (escancarada, sobretudo, no domingo Dia 8 de Julho) em vigor é manter a sua candidatura. Jamais lançar outro nome! Lula não pode legitimar uma ditadura, um golpe!

É “LULA ou NADA”! Um recado claro: “quem quiser que vote em Lula preso ou vote nulo!” Este é o mais nobre ato político. Um caminho de escancarar a ditadura aos olhos do mundo e “melar” o plano FAKE do Regime Temer.

Mataria também os infiltrados na esquerda. Quem não apoiar este ato político estará legitimando o golpe! Como Lula poderá aceitar estar preso injustamente? Como aceitar como normal ser um sequestrado? Como normalizar este crime de ser impedido, injustamente, de se candidatar? Como aceitar excluir a vontade do povo?

É certo que se ele Lula tiver a, necessária, coragem de encampar esse desafio, o povo – no silêncio das cabines de votação – irá dar esse tiro no peito dos canalhas do Regime Temer.

Ao expressar a sua fúria, o povo – que é ameaçado pela Empresa de Segurança de Puteiro (antiga Forças Armadas) – dará uma fortíssima demonstração de coragem. Será uma conquista revolucionária, não violenta. Uma revolução surda!

Como já dito anteriormente, sem Lula, o presidente eleito mais provável será o energúmeno Bolsonaro. Se ele, ou qualquer outro, ganhar as eleições mediante este gesto de coragem de Lula e do povo, não terá a menor legitimidade.

Com isso, será Lula a manter-se firme por mais alguns anos como o único presidente legítimo do povo e capaz de – mesmo preso – liderar a necessária resistência ao Regime Temer. É preciso que a esquerda rasgue imediatamente a fantasia de “instituições funcionando” para que possamos encarar estrategicamente a realidade atual.

 

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.