A versão 2.0 de “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Brasileiro querer ir embora é notícia nacional, EBC

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Mais uma vez recomendo a visita à página da EBC. Neste período da Copa está meio chata, mas há boas matérias para quem quer saber o que está acontecendo durante a vigência do Regime Temer. Entre outras matérias, uma me chamou a atenção: “Seis em cada 10 jovens pensam em deixar o país para morar no exterior – Portugal é o segundo destino de brasileiros depois dos Estados Unidos

A boa reportagem da jornalista Marieta Cazarré foi feita a partir de Lisboa, capital portuguesa. Tudo certo! Tema, sensibilidade, escolha das personagens, etc. O problema é que está na editoria internacional. Este, como todos sabemos, é um problema decorrente da destruição promovida pelo Regime Temer.

A matéria é clara: os brasileiros, sobretudo os jovens de classe média, estão sem nenhuma perspectiva de presente e futuro desde que o golpe foi consolidado – inclusive com o apoio de muitos deles.

Logo na abertura do texto vemos que o problema não é internacional. Nesse caso específico, a única coisa internacional é a solução: o destino! Como veremos neste destaque:

A falta de segurança e de perspectivas profissionais somadas ao alto custo de vida e impostos elevados fazem com que 19 milhões de jovens brasileiros, na faixa etária de 16 a 24 anos, queiram deixar o Brasil em busca de oportunidades no exterior. Portugal é o segundo principal destino, depois dos Estados Unidos. Em seguida estão Canadá, França, Espanha e Inglaterra.

Como falei em recente artigo, o jornalismo resiste na EBC. Mesmo quando – como neste caso – os patrões mandam exportar os problemas e importar as soluções, temos um material que merece ser visto com a necessária atenção.

Apenas para fundamentar ainda mais a nossa crítica pela escolha da editoria internacional para o tratamento desta matéria, no texto a fonte citada é o DataFolha que, pelo que eu saiba, fica no Brasil.

Os dados são do Instituto DataFolha que ouviu 2.090 entrevistados. A pesquisa mostra que 50% dos que têm entre 25 e 34 anos gostariam de abandonar o Brasil. Esse percentual cai para 44%, na faixa de 35 a 44 anos e 32% para os que estão entre os 45 e os 59 anos. No grupo acima de 60 anos, o percentual é de 24%.

Não está muito claro, mas essa pesquisa parece ter sido feita entre pessoas da classe média, pois o pobre não tem escolha: ou se submete ou se levanta. A classe média foge, finge que não vê, como se acometida fosse por uma espécie de síndrome de Estocolmo, mas com um amor platônico em relação ao sequestrador dos próprios sonhos.

A classe média brasileira parece também ser sadomasoquista. Sádica pelo ódio aos pobres, e o ressentimento de Lula ter diminuído a distância entre as classes – que elas querem distinção – e masoquista porque se acha elite, e defende os interesses da Elite que a oprime.

Ao manifestarem o desejo de fuga – numa versão 2.0, mas espontânea, do “Brasil, ame-o ou deixe-o” – estas pessoas revelam que para elas o problema não é tirar Temer, o problema é Lula não ter morrido. Alimentadas pelo ódio, sequer percebem que são “os pobres”, principalmente de espírito. Sequer percebem que irão levar esta pobreza na bagagem para qualquer destino escolhido.

Parece ser sempre mais fácil fugir de uma realidade do que querer muda-la. Falta um líder político, guerreiro de verdade, avisar ao povo, inclusive a essa classe média vacilona, que é mais fácil expulsar o Regime Temer. Melhor que isso, falta Lula livre para promover a reconstrução e reconciliação nacional.

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.