Recordar para Entender (Parte II) – A “Liga da ‘Justiça’” dos aloprados

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso,

Na sequência da oportuna “retrospectiva”, após as publicações dos nossos comentaristas Luiz Moreira, Pedro Pinho e Gustavo Galvão, vamos à segunda parte que fala sobre a construção da imagem de heróis desses moleques criados em condomínio e que saíram da Disneylândia para os tribunais do Brasil. Vimos na Parte I como tudo foi construído para este cenário de “meganhagem” dos dias de hoje. Segure o riso, pois é bizarro demais o que vem nos próximos parágrafos.

Nós brasileiros ainda sentiremos muita vergonha deste período da Lava Jato no Brasil. É um espetáculo dantesco, onde homens despreparados e patéticos foram alçados à condição de heróis, através de uma mídia cada vez mais corrompida e vendida aos interesses internacionais.

Quem não se lembra do “Japonês da Federal” que virou até marchinha de carnaval? O tal “Japa da PF” disputava holofotes com Moro, mas foi jogado às traças e condenado a 4 anos e 2 meses de prisão por facilitação de contrabando, em junho de 2016. Ele ficou um tempo em uma sala da PF, mas logo passou para ao regime semiaberto. A Justiça lhe determinou o uso de uma tornozeleira eletrônica, com a qual Ishii, seu nome, chegou a efetuar prisões, como a do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro e a do pecuarista José Carlos Bumlai. Já livre do acessório, ele se aposentou da PF em fevereiro deste ano. Mas já está solto e é pré-candidato a Deputado Federal pelo PEN. Em qual país do planeta um agente da Polícia Federal, cumprindo pena, de tornozeleira eletrônica, efetuaria prisões? Provavelmente, nenhum! Só no país da Lava Jato.

Neste show de horrores, ainda temos a autointitulada “Liga da Justiça”, formada pelos procuradores da Força Tarefa da Lava Jato: Carlos Fernando, Deltan Dallagnol (conhecido no mundo do crime como “DD”),  entre outras “sumidades” do clube jeca de Curitiba. A megalomania narcísica desses procuradores não tem limites. Fizeram camisetas com o nome “Liga da Justiça”( A Liga da Justiça, também conhecida como Liga da Justiça da América é uma fictícia equipe de super-heróis, publicada pela editora norte-americana DC Comics.), tiraram fotos para a Revista Veja (hoje falida) e revista Época, todos juntos como se fossem super-heróis. Algo que as gerações futuras sentirão vergonha de ver diante da tamanha palhaçada.

Hoje, o que parece assustador, daqui há alguns anos vai parecer um filme de humor sarcástico. Imaginem seus netos em alguma madrugada zapeando a televisão e deparando com um filme “A Justiça é para Todos”, com certeza ficará horrorizado, vendo Flávia Alessandra interpretar a delegada Érica “Macarena” responsável pelo suicídio do Reitor Cancellier. Ela liderou a operação que jogou Cancellier num presídio, algemado, submetido à revista íntima, ainda em fase de inquérito (“Macarena” seria a mulher Maravilha da Liga da Justiça). Com certeza a atriz Flávia Alessandra daqui a alguns anos irá apagar de seu currículo este filme trash como se fosse uma daquelas pornochanchadas que algumas atrizes escondem a sete chaves.

São 9 procuradores da Lava Jato de idades entre 30 a 50 anos. O núcleo duro é formado pelo coordenador Deltan Dellagnol (34), Martello Junior (45 anos). O único com 50 anos é o procurador Carlos Fernando (o “Tio Sukita” do grupo). O resto da turminha gogo boys de Curitiba não tem mais de trinta anos.

Carlos Fernando Lima é considerado um dos mais implacáveis inquisidores da Lava Jato. Adora se pronunciar nas Redes Sociais, sempre mostrando toda a sua parcialidade e narcisismo. Advogados das “vítimas” dizem que ele é o cérebro por trás dos acordos de delação premiada. Segundo uma matéria publicada no R7 “os Políticos com ‘valor de mercado’. Advogados que atuam na Lava Jato, afirmam, nos bastidores, que quem entrega políticos, como os ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, acabaria ganhando mais benefícios do que aqueles que entregam esquemas relativamente desconhecidos, mesmo que envolvam grandes quantias de desvio de dinheiro público. Um exemplo citado é o do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT) que, ao citar Lula e figurões da Petrobras na delação, obteve a permissão para manter o mandato de senador, o parcelamento de multa de R$ 1,5 milhão em até 10 vezes e o limite de no máximo 15 anos de prisão ao fim do processo“. Lembrando que o ex-presidente Lula foi absolvido recentemente deste processo, baseado somente na delação do ex-senador Delcídio do Amaral.

No Paraná, com a Lava Jato emergiu uma nova geração de advogados, inclusive com parentes e familiares de procuradores da Lava Jato. O Paraná virou uma verdadeira indústria da delação premiada, uma verdadeira quadrilha foi formada para ganhar milhões nos processos de delação premiada em troca de favorecimentos. É o sequestro institucionalizado.

O mascote da força tarefa da Lava Jato, o jovem promotor Diogo Castor de Mattos de apenas 28 anos, tem um irmão que advoga inclusive para o marqueteiro João Santana, cujo nome é Rodrigo Castor de Mattos. Em uma sessão televisionada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes faz diversas denúncias sobre a corrupção nos processos de delação, entre elas de que era ordem do Ministério Público do Paraná que alguns processos passassem pelo escritório do irmão do procurador Diogo Castor de Mattos. Uma organização criminosa denunciada por um ministro da Suprema Corte e NADA É INVESTIGADO!

Esperança: Quando esta bomba explodir, não vai sobrar pedra sobre pedra! É preciso ser otimista e acreditar que um dia os que aplaudiram essa “Liga da ‘justiça’” terão que visitar os seus heróis na cadeia.

Deltan Dallangnol e o fim do “estado laico”

Deltan Dellagnol, 34 anos, evangélico, cara de nerd, fanático religioso, com traços nítidos de quem possui alguns problemas psiquiátricos. Autor do famoso Power Point televisionado ao vivo em horário nobre pela Rede Globo, um vexame em rede nacional que gerou milhares de memes nas redes sociais, dada a natureza pífia, infantil e irresponsável que colocava o ex-presidente Lula como o “chefe de uma organização criminosa”. Deltan comprou dois apartamentos do programa de casas populares para pessoas de baixa renda “Minha casa, minha vida”.

Deltan recebe um salário de R$ 35.607,28. Chegou a receber em abril de 2017 o valor de R$ 67.024,07, com “indenização” e “outras remunerações retroativas/temporárias”, acima do teto constitucional, segundo o Portal da Transparencia do Ministério Público Federal. Quem na condição de “DD” compra apartamento do Programa Minha casa, minha vida tira a oportunidade de alguém que precisa conseguir um imóvel com taxas de juros subsidiadas de 8,16% ao ano. “DD”, por ter condições, comprou à vista e agora quem quiser comprar do Deltan vai ter que recorrer ao financiamento imobiliário de 12% ao ano.

Nos negócios, como com a maioria dos charlatães da fé, “DD” não é nada cristão. É também um “palestrante compulsivo”, chegando a ganhar R$ 219.000,00 por doze palestras em 2016. Ser procurador da Lava Jato no Brasil é sinônimo de sucesso. O “garoto” chega a cobrar R$40.000,00 por palestra para contar suas aventuras no combate à corrupção. Cômico se não fosse trágico, Deltan, na esteira dos fanáticos religiosos, um procurador Federal, coordenador da Força tarefa da Lava Jato, jejuou para que o STF negasse HC ao Lula. Não sofreu muito, porque todos já sabiam qual seria o resultado. Mais uma “sentença anunciada”.

O rapaz ainda foi autor de um projeto fascista, as 10 medidas contra corrupção, onde gastou milhões em campanha publicitária com dinheiro público, com apoio total da Globo. Um verdadeiro embuste que propunha o fim do Habeas Corpus, teste de integridade tipo Minority report (ele deve ser fã do Tom Cruise), entre outros descalabros que significaria assassinar de vez a nossa constituição. Tinha como musa para recolher assinaturas para o projeto a atriz global Maria Fernanda Cândido, jantou na casa de celebridades como Caetano Velloso – em seu apartamento em Ipanema, participou de festas bancadas por socialite. Enfim, virou uma celebridade. Somente uma FOLIE COLETIVA (loucura), armada pela Rede Globo, para transformar um imbecil corrupto em Super-herói. Será que Caetano acordou da Folie?

E quem seria o Super-homem da Lava Jato? Quem transformou um juizeco jeca de Curitiba em herói? A Globo! Impossível falar de Sérgio Moro e esconder o trabalho da Globo na criação de uma imagem de um juiz culto, determinado, focado no trabalho, rigoroso, etc. que enganou tantas pessoas no início desta operação. Sem a Globo, Moro seria o que ele realmente é: nada!

Somente um nada, para cometer as ilegalidades e crimes que ele cometeu, prender pessoas sem provas, forjar provas, perseguir, ameaçar, condenar sem provas , intimidar, desobedecer ordem superior de desembargador, impedir a polícia Federal de cumprir alvará de soltura, mantendo por horas Lula sequestrado. Cada vez que Moro abre a boca a justiça fica menor. Moro não age como um juiz, ele age como um justiceiro da Rede Globo. Virou uma super celebridade, ganhou prêmio da Revista Times como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Premio merecido do ponto de vista dos EUA, ele através da Lava Jato transformou a Petrobras num ninho de bandidos para dar a justificativa para os golpistas entregarem o nosso Petróleo sem nenhuma reação popular. Este trabalho de destruição do setor de petróleo e gás e da engenharia pesada brasileira, além da naval, etc. é o resultado de uma articulação internacional que no Brasil contou com a “dobradinha” Moro/Globo.

Expectativa: O juiz justiceiro e sua deslumbrada mulher acabarão escorregando no próprio chão que enceraram, como diz o autor do livro advogado do Diabo, Morris West “vaidade é o meu pecado predileto!”.

E já temos claros sinais desta queda. Devemos lembrar que quando começou a Farsa da Lava Jato, de acordo com a última pesquisa Ipsus, Moro tinha 69% de aprovação em maio do ano passado e 22% de reprovação. Hoje, o “herói da Globo” tem 37% de aprovação e 55% de rejeição. E o seu preso cativo, o ex-presidente Lula, tem 45% de aprovação. Além disso, Lula tem a menor rejeição de todos os candidatos a presidente, 54%.

É preciso lembrar como tudo começou. Abandonar Lula após uma perseguição tão explícita como esta é uma traição de toda a esquerda. Normalizar a exclusão do nome de Lula é assinar o atestado de rendição. O Brasil jamais terá estabilidade se estes absurdos não forem reparados.

“Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo.” (Abraham Lincoln)

Acha importante o nosso trabalho? Fácil - clique no botão abaixo para apoiá-lo:

Facebook Comments

Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.