Ilusionismo da imprensa para justificar a inexplicável política de Parente e seu “sucessor”
Por Paulo César Ribeiro Lima, para o Duplo Expresso
A queda do consumo de combustível e o aumento recente de capacidade de refino permitiriam ao Brasil quase a autossuficiência em diesel e certamente efetiva autossuficiência em diesel para transporte. O Brasil inexplicavelmente é o único país grande do mundo que usa grandes volumes de diesel para produzir energia elétrica. Mas isso é uma outra história, vamos agora falar sobre refino.
A turma do Parente na imprensa alega que o Brasil não tem condições de fazer o diesel de que necessita com o petróleo que temos, veja abaixo os argumentos deles:
“_O petróleo predominante no Brasil é do tipo pesado, mais denso e difícil de refinar, explica o professor Celso Grisi, da Fundação Instituto de Administração (FIA). “As refinarias brasileiras precisam misturar o óleo pesado nacional com o óleo leve importado para conseguir refinar. A Petrobras acaba exportando o petróleo excedente e importando óleo leve para fazer a mistura. O problema é que o óleo pesado é mais barato do que o leve. Ganhamos menos com a exportação e gastamos mais com a importação”, diz Grisi._
_A situação das importações já foi pior no passado, quando as refinarias eram mais dependentes do óleo leve. “Uns 10 anos atrás, cerca de 50% do petróleo refinado pela Reduc (Refinaria Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro) vinha do Oriente Médio”, afirma Márcio D’Agosto, professor de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ._”
Voltei… (Paulo César Ribeiro Lima)
Quanto ao tema do refino, para mim não faz sentido o que foi dito acima. É ilógico. As refinarias mais antigas foram projetadas para óleo leve. Com as descobertas dos grandes campos de óleo pesado da Bacia de Campos, essas refinarias de fato foram adaptadas para uma mistura de óleo leve (geralmente importado) e óleo pesado. Como o óleo do pré-sal é bem mais leve que o da Bacia de Campos, ele mantém o mix entre óleo leve e pesado que já operávamos. Ou seja, o crescimento do óleo leve do pré-sal facilita o refino.
Contudo, para tornar o argumento do Estadão ainda mais absurdo, se houvesse realmente algum problema no mix do petróleo nacional em relação às nossas refinarias, se desejamos para aproveitar as refinarias antigas que foram adaptadas para o óleo pesado, no extremo, o Brasil poderia importar óleo pesado muito barato e exportar óleo do pré-sal mais caro.
Todavia, as novas unidades, como Abreu e Lima e Comperj, têm unidades independentes e são muito flexíveis. A refinaria Abreu e Lima está em operação; o Comperj foi paralisado com 85% de realização física.
Em resumo, isso é só uma desculpa esfarrapada para tentar manter a política de diesel caro da gestão Pedro Parente, mesmo sem ele no comando.
Paulo César Ribeiro Lima é PhD em Engenharia pela Universidade de Cranfield, Ex-Consultor Legislativo do Senado Federal e Ex-Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados. É comentarista do Duplo Expresso sobre Minas e Energia às terças-feiras.
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