“Novidade” direto da Antiguidade: o ‘Caminhoneiro’ de… Troia!

Comentário de Marcelo Xavier ao Duplo Expresso desta manhã:

  • Existem denúncias de peleguismo nos sindicatos dos caminhoneiros empregados, assim como denúncias de ações violentas por parte dos proprietários de Transportadoras. Trata-se, portanto, de um lockout, e NÃO HÁ A MENOR POSSIBILIDADE de que tal movimento seja isoladamente instrumentalizado pela esquerda. A reação da esquerda deveria ser APROVEITAR o momento para chamar uma greve geral e “engolir” essa paralisação do setor dos transportes. Diluí-la como uma gota num oceano de paralisações. Deixada como está, essa paralisação serve a múltiplos objetivos que serão descortinados com o passar dos dias. NENHUM deles tem o caráter de luta contra o Golpe.

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Na tentativa de contribuir com o debate, vão aqui algumas ponderações de caráter objetivo a respeito da categoria paralisada e da atividade economica à qual está vinculada:
1. Desde o governo Dilma as transportadoras estão sendo estranguladas pelo aumento dos combustíveis de um lado e pelo setor produtivo de outro, que se aproveitou da proliferação dos caminhoneiros autônomos que compraram caminhões financiados para baixar o valor do frete;
2. A situação se agravou com a legislação aprovada também no governo Dilma, que transforma o caminhoneiro empregado num semi escravo, e que ainda abriu a possibilidade das próprias transportadoras contratarem esses caminhoneiros “autônomos”;
3. Causa no mínimo estranheza que uma “categoria” completamente atomizada e pouco organizada como a dos caminhoneiros autônomos, tenha conseguido, de uma hora pra outra, mobilizar e paralisar tanta gente;
4. O setor de transporte rodoviário de cargas é super regionalizado, também relativamente atomizado, com muitas empresas médias, que dominam uma região relativamente pequena;
5. Tais empresas não possuem, elas mesmas, condições financeiras para sustentar um movimento como esse por muito tempo. Talvez nem mesmo por pouco tempo;
6. A indústria imediatamente afetada e cujos prejuízos podem ser irrecuperáveis é a de proteína animal. TODA A CADEIA PRODUTIVA, desde a engorda até o abate, é “alimentada” pelo setor de transporte de cargas. Inclusive, as empresas que fazem a “apanha” dos animais e sua “entrega” nos abatedouros, são na sua grande maioria bem pequenas;
7. Essa atomização do setor de transportes, de um modo geral, foi forçado e incentivado pelo setor produtivo, justamente para poder “determinar” o valor do frete;
8.Nos últimos dois anos, a “quebradeira” das transportadoras pequenas e sua substituição por caminhoneiros autônomos também é visível;
9. Passei em frente a uma assembleia, e vi faixas de apoio à paralisação, de empresas que prestam serviço aos transportadores;
10. Também é importante notar que por não garantir retorno significativo, o setor de transporte rodoviário de cargas não tem presença significativa de capital Estrangeiro;
11. Não há uma UNIDADE IDEOLÓGICA entre os caminhoneiros, mas as transportadoras maiores e mais influentes são todas de DIREITA;
12. Existem denúncias de peleguismo nos sindicatos dos caminhoneiros empregados, assim como denúncias de ações violentas por parte dos proprietários de Transportadoras;
13. Trata-se, portanto, de um lockout, e NÃO HÁ A MENOR POSSIBILIDADE de que tal movimento seja isoladamente instrumentalizado pela esquerda;
14. A reação da esquerda deveria ser APROVEITAR o momento para chamar uma greve geral e “engolir” essa paralisação do setor dos transportes;
15. Deixada como está, essa paralisação serve a múltiplos objetivos que serão descortinados com o passar dos dias. NENHUM deles tem o caráter de luta contra o Golpe.

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