Celso Amorim: só Lula tem capacidade para negociar Referendo Revogatório com estrangeiros
Por Romulus Maya, para o Duplo Expresso
(extrato do Duplo Expresso de 28/fev/2018. Integralidade aqui)
O Duplo Expresso teve a honra de receber, na manhã desta quarta-feira 28 de fevereiro, o (eterno!) Chanceler Celso Amorim. Isso mesmo: o homem da política externa “ativa e altiva” dos anos Lula. Algo que hoje, é certo, parece uma lembrança distante. Mas que representa, ao mesmo tempo, a esperança de um (nada paradoxal) “retorno para o futuro” do Brasil:
Na companhia do nosso comentarista para temas institucionais, o advogado e assessor legislativo Samuel Gomes, Wellington Calasans e Romulus Maya discutiram com o Chanceler a encruzilhada diante da qual o Brasil se encontra.
De início, Celso Amorim contextualizou o episódio da intervenção federal no Rio de Janeiro, lembrando que os EUA sempre defenderam como paradigma para as Forças Armadas da América Latina, após a queda do Muro de Berlim, a sua “mexicanização”. I.e., a sua transformação em uma gendarmerie dedicada, precipuamente, ao combate “ao crime organizado e ao narcotráfico”.
Mostrando a mesma cautela discursiva com que o Presidente Lula tratou da questão na semana passada, o Chanceler não alimentou a ideia de “antagonismo” entre militares e forças populares. Pelo contrário: mostrou preocupação com a exposição dos soldados a perigos para os quais não foram treinados. Por óbvio, Celso Amorim defende o retorno dos mesmos ao seu papel constitucional: a defesa da soberania brasileira.
Provocado por Samuel Gomes (do Paraná!), Amorim lembrou do interesse, já antigo, dos EUA de fortalecerem a sua presença na região tríplice fronteira Brasil/ Paraguai/ Argentina. Atentou ainda, com preocupação, para os recentes exercícios militares na Amazônia envolvendo países da região e…
– … os Estados Unidos!
O Chanceler comentou ainda – criticamente – a desnacionalização da Embraer. Enfatizou o despropósito da narrativa de “segregação” entre as suas partes civil e militar. Lembrou caso concreto, do passado, em que avanços de engenharia obtidos no desenvolvimento de um modelo militar foram aproveitados na linha de jatos regionais, categoria em que a Embraer veio a se tornar líder mundial. Continuaria a sê-lo sem tal sinergia?
De qualquer forma, Amorim não acredita na possibilidade de tal “segregação” ser levada a termo. Em vista disso lembrou, com preocupação, o veto que os EUA impuseram no passado à venda de aviões Super Tucano à Venezuela, pelo uso de peças americanas. Concluiu a advertência ressaltando a importância de construirmos um país autônomo.
E por isso, diante do desafio representado pela recente desnacionalização de setores estratégicos – barragens hidrelétricas (água e energia), petróleo & gás, Vale, Embraer e satélites, entre outros, Celso Amorim é categórico: ninguém tem capacidade igual à de Lula para negociar a devolução das riquezas brasileiras ora alienadas. Para ele, o Brasil deve fazer, ao menos, o mesmo que fazem Estados Unidos e Europa. I.e., fazer o que eles fazem… e não o que nos dizem para fazer! Por exemplo, os EUA há pouco impediram a aquisição de empresas de software por sociedades asiáticas (e também de empresas portuárias por árabes) enquanto que, mais recentemente, o Presidente francês, Emmanuel Macron, o novo “campeão do liberalismo” na Europa, acaba de estatizar um estaleiro para impedir sua aquisição por estrangeiros.
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