A “esquerda” Bolsonarista e as eleições

Por Alejandro Acosta

Os partidos autodenominados de “esquerda” estão totalmente concentrados nas eleições Bolsonaristas municipais que acontecerão em novembro deste ano.

Essa “concentração” é tanta que têm traído todas as lutas e funcionado como cães de guarda do Governo Bolsonaro na contenção de qualquer reação contra o massacre do Brasil.

As duas únicas reações de massas importantes contra os ataques que conseguiram furar esse cerco aconteceram nos Correios. E não porque a “esquerda” Bolsonarista tenha promovido alguma reação, mas porque ali atua Gazeta Revolucionária que já faz tempo tem impulsionado enorme pressão nessa Categoria, principalmente depois da reunião pelega da Diretoria da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores da Empresa dos Correios e Telégrafos) que aconteceu no dia 5 de dezembro de 2018.

Naquela data, a máfia sindical ainda não transformada abertamente em “esquerda” Bolsonarista tirou um cronograma de luta fake que tinha como objetivo enganar os trabalhadores e ajudar a privatização.

A pressão de Gazeta Revolucionária foi enorme. No dia 17 de janeiro, apareceu, sem ter sido convidada numa reunião dos pelegos de Minas Gerais, que tentam aparecer como esquerdistas, onde a assembleia para mobilizar para o Congresso dos Trabalhadores dos Correios que iria durar três dias em fevereiro, tinha sido transformado na campanha eleitoral em apoio à pelega da CUT de Minas Gerais, Beatriz Cerqueira, e ao Deputado Rogério Correia.

Sob enorme pressão o Congresso aconteceu, mas com duração de apenas um dia. E Gazeta Revolucionária sem dirigir nenhum aparato burocrático mobilizou mais que todos os sindicatos e federações, com a exceção de Minas Gerais que acabou levando uma maioria de moradores de bairro no lugar de trabalhadores da Categoria.

Assim chegamos a primeira grande greve contra o Governo Bolsonaro, que foi quebrada pela máfia sindical em uma semana.

Se não tivesse sido isso, teria acontecido exatamente o mesmo que tem acontecido nas demais categorias: NADA.

Toda a “esquerda” Bolsonarista unida para ajudar a massacrar o Brasil

No caso da Petrobras, apenas restam 7% de trabalhadores concursados e a Empresa se encontra esquartejada. As máfias sindicais de todos os partidos políticos agora estão unificadas e fingem que tudo está bem … no “maravilhoso” mundo Bolsonarista.

As centrais sindicais se passaram com mala e cuia para o Bolsonarismo. Quem ajuda o Governo Bolsonaro a massacrar o Brasil, na prática, Bolsonarista é.

A recente greve dos Correios foi a maior da América Latina e a maior do Brasil desde 1995.

Essa greve foi levantada pela máfia mais Bolsonarista de todas, a do PCdoB, com 699 votos em São Paulo e 250 votos no Rio de Janeiro. Isso parece ridiculamente pouco para uma Categoria que conta com 105 mil trabalhadores concursados e pelo menos 100 mil trabalhadores terceirizados.

Todos os demais partidos políticos, federações e centrais não somente aceitaram o golpe, mas não mencionaram uma única palavra sobre o golpe. Nem uma única denúncia. Nada! Porque na realidade, foram todos coparticipes.

O PCdoB controla uma das duas federações de trabalhadores dos Correios que tem negociado diretamente com a Empresa, e quebrado todas as greves e lutas desde 2004, mesmo sem ter a carta sindical.

O PT controla a Fentect que foi transformada numa federação muito pelega, incapaz de promover qualquer luta.

Agrupamentos menores como a Conlutas do PSTU ou as Intersindicais do PSOL participam do balcão de negócios e em vários casos são controladas por elementos abertamente de direita. E não falam absolutamente nada sobre as máfias sindicais mais barra pesada.

Todas as centrais sindicais, federações e partidos políticos oficiais, assim como seus penduricalhos, representam máfias Bolsonaristas, ou quem quiser se valer de um eufemismo, uma “esquerda” Bolsonarista.

Os novos Bolsonaristas disputam a liderança do novo MDB da Ditadura

A “esquerda” Bolsonarista está muito preocupada com o aperto promovido pela Reforma Política há três anos e o aumento da cláusula de barreira.

O PCdoB, PT, PSOL, Rede, PDT e partidos secundários, como o PSTU ou outros penduricalhos do PT disputam a formação de uma “frente ampla” que lhes permita ultrapassar a cláusula de barreiras e eles mesmos liderar a “esquerda” Bolsonarista consentida.

Todos esses partidos, assim como as centrais sindicais, as lideranças dos principais movimentos sociais e a máfia sindical estão pendurados em dossiês do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

A fragilidade é tanta que já faz pelo menos uns quatro anos essa suposta “esquerda” abandonou qualquer coisa parecida com alguma luta. Esses Bolsonaristas têm se dedicado a fazer conchavos com os governos da direita, e agora especificamente com o Governo Bolsonaro, para salvar a própria pele; tanto de uma eventual prisão quanto de serem ultrapassados pelo movimento de massas.

Com esse objetivo, esses partidos, que atuam na prática como Bolsonaristas, são  capazes de matar a própria mãe. Os exemplos abundam.

A matéria “Quem Matou Marielle Franco?” de autoria do Romulus Maya, do Portal Duplo Expresso, trouxe luzes muito importantes sobre a “mágica” que possibilitou ao PSOL ter ultrapassado a cláusula de barreira, assim como as “forças ocultas” que o facilitaram. Esse feitio nem sequer foi conseguido pelo PCdoB com seu governador do Maranhão, o Dr. Flávio Dino.

Há um giro generalizado à direita da “esquerda” Bolsonarista

O PCdoB é controlado pelo setor mais de direita do Partido, encabeçado pelo Dr. Flávio Dino.

O PT é controlado pela ala mais de direita, o PT Jurídico, que conta com ilustres representantes como Fernando Haddad, Aloysio Mercadante, Paulo Pimenta, José Eduardo Cardoso, dentre outros. Eles mantêm vínculos com os setores mais golpistas do Governo, a começar com o Poder Judiciário que eles próprios chefiaram durante os governos do PT. Eles são responsáveis por um conjunto de leis muito reacionárias que foram utilizadas pela Operação Lava Jato com o objetivo de ajudar o imperialismo norte-americano a massacrar o Brasil.

A direita que controla o PT avançou sobre os demais setores e hoje paralisou e controla a CUT (Central Única dos Trabalhadores), o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e as direções de vários movimentos sociais importantes.

Partidos políticos menores participam da disputa para tentar “roubar” o protagonismo do PT e eles próprios liderar a nova “frente ampla” contra o povo brasileiro, com o consentimento do Governo Bolsonaro, seus generais e os grandes abutres capitalistas que pairam sobre o Brasil na tentativa de levar as grandes empresas e recursos naturais a troco de nada.

Elementos da esquerda do PSOL tentam aparentar que luta pela defesa do Brasil. O problema é que se trata de uma estrutura reacionária que é dominada por parlamentares com vínculos claros com os setores mais direitistas.

O Deputado Glauber Braga é um caso muito significativo porque foi ele quem revelou a existência de dossiês do GSI contra todas as lideranças políticas, sindicais e dos movimentos sociais. O problema é que ele foi questionado por trabalhadores dos Correios durante a greve sobre os dossiês, quando ele participou de hangouts com conhecidos pelegos mafiosos, e ele se negou a responder.

Posteriormente, Glauber Braga defrontado com as denúncias de Alejandro Acosta enviou um representante para tentar me convencer que o Deputado talvez não tivesse um conhecimento importante sobre os Correios, mas que teria feito um grande trabalho na Petrobras. Aí a situação é ainda mais grave dado o alto grau de esquartejamento da Empresa, que acontece com a cumplicidade das máfias Bolsonaristas de todos os partidos políticos, centrais sindicais, sindicatos e principais movimentos sociais.

As nossas advertências ao Dep. Glauber Braga entraram por um ouvido e saíram pelo outro. Ele continua se negando a falar sobre os dossiês do GSI / Governo Bolsonaro.

Para os trabalhadores resta, impulsionar a luta pela base, passando por cima dessas direções que na prática são Bolsonaristas. A greve dos Correios mostrou o caminho da luta e deixou o rei nu.

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