Teia dos Povos: uma alternativa para a luta popular no século XXI

Por Luiz Carlos de Oliveira e Silva

1. Nas últimas décadas, boa parte da ação das esquerdas militou em dois campos distintos:

(a) o das políticas de “inclusão-social-sem-mudanças-estruturais”, e

(b) o do velho “doutrinarismo”, crítico ferrenho do primeiro.

2. As políticas de “inclusão-social-sem-mudanças-estruturais” foram implantadas durante os “governos do PT” por duas vias:

(a) expansão do consumo: por mecanismos de transferência direta de renda, de valorização do salário mínimo e de expansão do crédito, e

(b) via “reconhecimento social”: por meio de políticas de “cotas”, da criminalização de práticas preconceituosas e de outras políticas “afirmação identitária”.

3. O Velho “doutrinarismo” continuou o mesmo de sempre: críticas às políticas de “inclusão social” somadas a exortações abstratas à “revolução sob a direção da classe operária”.

4. Mas sempre houve um outro campo de luta, cuja luta de “resistência” implicava um novo tipo de produção, de educação, de organização política etc.

Ouça o artigo no player abaixo ou na Rádio Expressa:

 

5. Exemplo disto é a “Teia dos Povos”, que vem amadurecendo um conjunto de ideias novas – com um, a meu ver, inegável potencial revolucionário –, nascidas de uma prática política e de uma reflexão teórica bem definidas.

6. A prática política da “Teia” vem da luta travada nos diversos assentamentos do MST. A partir destas lutas, os companheiros compreenderam a necessidade de romper com as práticas capitalistas de produção agrícola. (Valendo-se do conhecimento produzido pela agrônoma Ana Primavesi, os assentamentos dirigidos por eles fizeram a “transição para a agroecologia”, com reais ganhos de eficiência na produção e de qualidade nos frutos da terra, além da proteção do meio ambiente.)

7. A reflexão teórica da “Teia” vem de uma profunda e criativa metabolização da experiência de luta da esquerda e da luta dos “povos” (Cabanagem, Balaiada, Canudos, quilombos, lutas dos índios, do povo preto, do povo pobre das periferias, dos trabalhadores etc.).

8. O que vem resultando desta metabolização teórica e da prática política nos assentamentos – sob o lema “Ocupar, resistir, produzir”)– abre, me parece, novos e promissores horizontes políticos para aquela esquerda que identifica, a um só tempo, os limites das políticas de “inclusão social” e os do “doutrinarismo”.

9. A “Teia dos povos” sabe que a nova sociedade não pode ser a expansão “para todos” da atual sociedade, com o seu eurocentrismo, com a sua financeirização da economia, e com o seus padrões de produção e de consumo. Esta é, a meu ver, a pedra de toque do ideário da “Teia”.

10. Eu recomendo forte e entusiasticamente que todos tomem conhecimento do que diz Mestre Joelson Ferreira, liderança da “Teia dos povos”, no vídeo abaixo…

“Teia dos povos”, no vídeo abaixo…

 

Luiz Carlos de Oliveira e Silva é professor de filosofia.

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