A ressaca da Copa, o “complexo de vira-lata” e as Eleições 2018

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

O que a ressaca da Copa, o “complexo de vira lata” e as eleições 2018 têm em comum? A resposta está em você. Ela é um teste para que você mesmo possa medir o seu grau de alienação ou capacidade de resistência ao massacre midiático que um receptor, vítima do monopólio da comunicação social, está exposto diariamente.

Agora, vivemos aquele momento onde o espólio da ressaca pela “derrota do Brasil” tem sido disputado a tapas por esta mesma mídia hegemônica que ajuda a criar no imaginário do cidadão brasileiro uma série de conceitos, sentimentos e emoções no bojo de uma estrutura que controla e usa esses sentimentos e emoções para atender aos próprios interesses e conveniências.

O mais alarmante, e decepcionante, é ver alguns setores da esquerda engolidos e envolvidos pelo debate improdutivo que serve apenas de, como com qualquer viciado, desculpa para o “espoletar” dos sentimentos de frustração e desânimo, autorizados e controlados como autênticos pela imprensa no “pós-derrota” contra a Bélgica. É como se todas as mazelas anteriores e aquelas que estão por vir – muito mais sérias e vivenciadas na pele pelos brasileiros no Regime Temer – fossem secundárias.

Estamos todos cientes de que nada ganharíamos, além do tempo que foi perdido, com esta “onda da Copa”, criada especialmente pela Globo. Ainda assim, a nova curra que testemunhamos impotentes neste novo período de alienação (agora o pós-derrota) é para ocupar o brasileiro com a “ressaca”, um período calculado para a explosão dos mais variados sentimentos que foram plantados em cada um.

Por isso, não raro, há aqueles que dizem que “não estão nem aí para Copa”, mas no fundo “sentiram o baque” e não conseguem falar sobre outra coisa; os que ficaram “com ódio”, mesmo sem saberem bem de que ou de quem; Os “resignados”, aceitam o título ou a humilhante eliminação com o mesmo conformismo de um escravo obediente e o grupo mais perigoso, os “frustrados”.

O grupo dos “frustrados” é composto por aqueles que se comportam como crianças mimadas quando alguém toma ou guarda o seu brinquedo. Essas pessoas precisam de uma realidade paralela para se abster do mundo real no qual estão inseridas, se sentem inferiorizadas pelo fato do seu time não pertencer mais ao “Olimpo do Futebol” e transmutam as suas carências, mazelas, falta de dinheiro, necessidade de luta, etc. para o momento em que o Brasil entra, ou é eliminado, em campo.

Para esse grupo, o “perder a Copa” tem uma importância tão grande que isso causa nos seus componentes um impacto muito maior do que perder o Pré-sal, a Embraer, o emprego, etc. Este grupo é o autêntico produto do monopólio midiático, pois realmente exercita o “complexo de vira lata” sem sequer perceber que o “ganhar a Copa” ou o “perder a Copa” são ganhar ou perder nada.

A Rede Globo sabe que precisa manter presas à “realidade paralela” essas pessoas, pois são como “homens bomba” e só podem cumprir a “missão” quando autorizadas, na Avenida Paulista ou outros locais definidos previamente, após uma chamada especial que interrompe os seus programas de TV favoritos.

Nesse esforço para não perder a “boiada” vale tudo. O show de manipulação da Globo vai do choro sem lágrimas de uma apresentadora (a mais comentada da vez é Glenda Kozlowski) e o discurso empoeirado do, não menos empoeirado, apresentador Galvão Bueno que, no “pós-derrota”, pareciam que anunciavam um genocídio de bebês recém-nascidos.

Este esforço da Globo é também uma vacina para que não seja ela mesma (a Globo) a vítima da reação que ajudou a construir nessas pessoas do “grupo dos frustrados”. Por isso, apresenta um cenário de transição entre a despedida de um mundo imaginário, criado para manipular os incautos que sofrem com vazio reflexivo, e o regresso à rotina que mantém a boiada sobre controle.

Levadas a acreditar que pertencem a esse mundo paralelo que deixou de existir no “pós-derrota”, esses zumbis precisam agora ser empáticos com a apresentadora ou “bem amigos” do narrador empoeirado. Este é o novo debate, estes são os sentimentos autorizados pela Globo. Sair disso é muito perigoso para a manutenção da estrutura do Regime Temer.

Sobretudo porque os falsos problemas geram sentimentos reais de revolta nesse “grupo de frustrados”, a Globo não pode simplesmente dizer: “agora acabou a trégua, a fantasia, voltemos à realidade”. Neste intervalo, novas “velhas cartadas” já estão a ser preparadas para a condução da “boiada”.

Não demora para que as telas, jornais e revistas sejam ocupadas, de novo, pelas operações espetaculosas da Polícia Federal, as “robustas acusações sem prova” de mais uma “delação premiada” de Palocci, etc. Além do milagre do “Jejum de Dallagnol” ou dos “chiliques” de Sérgio Moro. Tudo isso acompanhado pelo “tempero” de sempre: muita novela, futebol de baixa qualidade e Faustão para completar a lavagem cerebral.

Realmente, diante de uma realidade dessas só os fortes resistem, só os que conseguem desligar esse lixo e procurar formas alternativas de se distrair e se informar escapam desse genocídio de neurônios. Duro é escrever este texto, em pleno domingo de repouso, e quando for ler os comentários perceber que muitos sequer entenderam que não é sobre futebol que pretendemos debater.

Preparem-se! Depois dos milhões que essa mesma Rede Globo de sempre ganhou com mais uma Copa – mesmo sendo investigada por corrupção – a campanha de disseminação do ódio vai recomeçar com tudo! E esse ódio será canalizado para onde? Acertou quem falou: ELEIÇÕES 2018! E quem se beneficia desse ódio? Precisa desenhar? BOLSONARO, o candidato que representa bem esta “elite” brasileira.

Do cruzamento da Globo com a Lava Jato nasceu Bolsonaro que, agora, representa algo maior do que ele mesmo. Somente desta forma pode-se explicar como um ser abjeto e medíocre, orgulhosamente reacionário, pode estar em segundo lugar nas pesquisas. E, pior, com o voto declarado de pessoas que tiveram acesso à educação superior e contato com outras sociedades.

Mais duro ainda é testemunhar algumas mulheres declarando voto a esse totem, mesmo cientes do que ele pensa(?) em relação a elas. É o voto do ódio irracional, do vazio reflexivo, da direita chucra, é o voto das pessoas que acordam vendo o Bom dia Brasil, almoçam vendo Jornal Hoje, jantam (quando têm o jantar) com William Bonner e vão dormir com Merval Pereira.

Numa breve comparação, os eleitores de Lula, pobres na sua maioria, que apesar dos ataques diários dessa emissora, antes da novela conseguem ter um pragmatismo que essa classe média não tem. Eles já perceberam que a vida deles piorou muito sem o Governo Lula, dessa forma tornaram-se imunes a esse veneno.

Hoje Lula tem 40% das intenções de voto, favorito para ganhar no primeiro turno, o pior e mais irresponsável que poderia acontecer neste país seria tirar Lula das eleições, teríamos mais um grupo de frustrados e com ódio, algumas pesquisas já apontam que uma parcela dos eleitores do Lula votaria em Bolsonaro, mas alguns setores da esquerda insistem em falar de “futebol como unidade nacional” e “Plano B”.

É preciso ser responsável, combater a Globo e admitir, humildemente, que sem Lula é Bolsonaro quem ganha em todos os cenários. SE TIRAREM LULA DESSAS ELEIÇÕES SEREMOS O PAÍS DO ÓDIO! Ao contrário do que alguns oportunistas dizem, Lula é o único nome para apaziguar este país. Entendeu onde entram as “Eleições 2018” nesta história? Ufa! Vamos à luta!

 

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.