Rede de Solidariedade: Vila São João (RJ)
Por Ilsimar de Jesus.
Sou ILSIMAR DE JESUS moradora da Vila São João, em Vilar dos Teles, bairro de São João de Meriti (RJ).
Diarista, Personal Organizer, Ativista e membro da Rede Mães e Familiares da Baixada Fluminense, defendo os direitos humanos lutando por tudo aquilo que é nosso por direito e que tantas e tantas vezes é tirados de nós.
Venho acompanhando diversas situações aqui no bairro onde moro e no geral também através de relatos das pessoas moradores local e também de mapeamento de famílias e suas necessitadas.
Não só na Vila São João como também no entorno.
Como por exemplo: temos aqui bem próximo a comunidade Vila Ruth, que assim como um todo necessita muito do olhar das autoridades para a necessidade do povo.
Por aqui falta tudo: saneamento básico, atendimento digno na área da saúde, obras de infraestrutura.
A população vive em ruas cheias de buracos e muitas com esgoto a céu aberto. Temos aqui um único posto de saúde na Vila São João q não dá conta da demanda de quem chega em busca de socorro médico.
Também tem a UPA Jardim Íris, onde com a superlotação leva até de 5 a 6 horas para se conseguir um atendimento. Falo por experiência própria. Nem sempre conseguimos o atendimento necessário e humanitário de forma descente, principalmente nesse momento de pandemia do COVID-19.
A população está abandonada a própria sorte. A UPA não tem estrutura pra atender a demanda dos casos suspeitos do COVID-19, muito menos pra fazer um atendimento com exames necessários.
Aqui não temos hospital de emergência e nem de atendimento ambulatorial. Precisamos recorrer a outros hospitais de outros lugares mais próximos para buscar socorro.
Ouço as pessoas relatarem o medo que tem de adoecerem e passar por situações de emergência.
Por não terem onde buscar socorro nesse momento de pandemia além da UPA Jardim Íris, onde as pessoas precisam ficar aglomeradas aguardando atendimento sem proteção nenhuma.
Sem máscaras, sem luvas e sem álcool em gel pra uso. E o mais importante, sem ter um atendimento com um pouco mais de dignidade.
A preocupação que vejo mais aqui é o povo com medo da fome, de não ter como pagar um aluguel e terem o básico em casa pra sobreviverem.
O que já era pouco agora está pior porque tem muitas famílias que estão sem trabalhar, passando necessidade até de alimentos.
A quarentena por aqui, pelo que vejo e ouço falar, não está funcionando muito bem não.
Muitos precisam ir prá rua resolver suas coisas. Outros não estão levando tão a sério. Bares cheios, padarias com pessoas sentadas batendo papo, supermercados lotados.
Por outro lado também há as pessoas que vão formar filas gigantes nas lotéricas e bancos, todos em pânico querendo resolver a vida. Assim se aglomeram em filas sem cuidado nenhum. Todas ao mesmo tempo.
Aqui conheço muitas famílias que já passam dificuldades para ter o básico. Como vão ter como seguir as orientações de prevenção de saúde? Muitos não tem nem álcool comum, quanto mais o álcool em gel.
Tudo muito caro. Falta até comida nos lares. Os supermercados local com preços absurdos. Uma cartela de ovos sendo vendida a R$ 17, R$ 18. Leite de R$4 a R$ 5 Alho a cerca de R$ 30. E por aí vai.
Como sobreviver a tudo isso dentro dessa pandemia? Se nossos direitos à saúde, educação, cultura e lazer já nem temos de forma justa?
Nossos direitos já nos é negado de forma tão cruel. Vivemos largados a própria sorte. Quando o que queremos é apenas viver dignamente!
Muitos vivem de trabalho informal, autônomos, fazendo bicos,sendo diaristas, catadores, como muitos que vejo sempre. Se não trabalham, não tem de onde tirar o sustento prá levar comida prá casa. E dentro disso tudo não tem como se protegerem, por falta de condições.
Há 1 ano e 9 meses perdi um filho de 17 anos, cheio de sonhos. Morto pela policial local juntamente com um amigo de 18 anos. Jovem com tantas expectativas de vida e sonhos a se realizarem
A desculpa foi que eles estavam numa moto sem capacete, portanto eram suspeitos. Morreram com tiros no peito praticamente na esquina da minha rua.
Nos tiram até o direito de ir e vir em paz.
Desde então eu e a mãe desse outro jovem, dona Elisabete, ingressamos a Rede Mães e Familiares da Baixada Fluminense.
Fomos acolhidas. E hoje fazemos junto com toda rede o acolhimento de outras famílias que necessitam de apoio, carinho ,amor, ABRAÇOS e acolhimento.
Buscamos o direito dessas famílias, independente da situação vivida, independente de quem são.
Lutamos por direitos, assim levamos a quem precisa acompanhamento, como o psicossocial por exemplo.
Também passamos a fazer parte da caminhada da Rede de Mães pela memória das 29 vítimas da maior chacina da Baixada Fluminense, ocorrida em 31/03/2005. Em memória de todas as vítimas de violência.
Assim mapeamos e auxiliamos as famílias da Baixada, buscando acolher e ajudá-las a obter seus direitos como ser humano, dentro das suas dores e suas necessidades.
Por conta da pandemia lançamos nas redes sociais uma ação solidária chamada: AÇÃO SOLIDÁRIA ALIMENTE UM IRMÃO.
Eu e uma amiga de anos e moradora local, LUCIANA ALVES. Ação criada pra buscar doações prá alimentar pessoas em situação de rua e famílias que precisam de ajuda nesse momento.
É principalmente buscando incentivar e conscientizar mais pessoas para a importância de ajudar o próximo, acolher pessoas e famílias tão vulneráveis nesse momento e sem o olhar das autoridades.
São João do Meirit tem muitas pessoas em situação de rua, como em todo o Rio, passando fome e necessidades do básico. Nem água e sabão eles tem pra se higienizar. Quem dera o álcool…
Assim estamos vendo outras pessoas se mobilizando também. E isso é maravilhoso. Levar um pouco de amor a quem tem tão pouco para viver.
Minha vontade quando vejo tudo isso, um ser humano deitado no chão na rua, é levar para casa e cuidar. Alimentar e dar uma cama, mesmo que simples mas descente, para dormir.
Infelizmente não tenho condições para fazer isso. Mas esse sempre foi meu sonho de vida, poder ter condições de acolher pessoas em situação de rua.
As igrejas locais algumas estão fechadas, outras mantém suas funções normalmente. Mas nas ruas a movimentação está normal Há o medo de se contaminarem, porém muitos necessitam ir para as ruas.
Tenho atendido e mapeado muitas famílias com várias necessidades. Pessoas que estão sem alimentos, por não poderem trabalhar. Famílias que tem idoso,s crianças e até pessoas e crianças especiais.
Venho buscando doações através das redes, movimentos comunitários e instituições que estão na luta,auxiliando famílias.
Movimentos como por ex: Rede de Mães, Movimenta Caxias, Projeto ABBA, AMAC, assentamento Terra Prometida… e tantos outros que estão fazendo um lindo trabalho.
Assim estamos conseguindo ajudar com cestas básicas famílias dentro dessa pandemia.
A dificuldade das famílias se cuidarem nesse momento, com tudo tão difícil e preços tão altos, vai causando o adoecimento dessas famílias. Não só pelo vírus, mas também pelas dificuldades, que vão causando síndrome de pânico, por medo de se contaminarem.
Causa ansiedade, depressão. Por não terem como cuidar das famílias. Sem falar que muitos já vivem dentro desses quadros sem atendimentos e tratamentos necessários, pela deficiência na saúde pública.
Faço parte do grupo de risco. Assim não posso estar nas ruas lutando e buscando ajuda com as companheiras de rede. Então mobilizo tudo pelas redes sociais.
Compartilhando, divulgando as campanhas e informações necessárias, buscando doações pra ajudar as famílias.
Pois aqui não tenho conhecimento que o prefeito da cidade tem feito alguma coisa prá ajudar o povo, nesse momento de pandemia.
Pelo contrário. Ouço relatos até de salários atrasados.
Já temos casos de mortes confirmadas, e outros precisando de exames para serem confirmados.
Não tenho conhecimento da Prefeitura ajudando pessoas em situação de rua.
Enfim estamos todos largados.
Como REDE e cidadã que paga seus impostos, só queremos saber quando as autoridades vão olhar para os necessitados? Para comunidades e famílias que estão morrendo sem assistência?
Como Rede faço esse mapeamento e cadastramento de famílias, nesse momento de pandemia do COVID-19, em busca de assistência e socorro para todos nós, visando levar a cada uma delas principalmente amor e calor humano!
Rede Mães e Familiares da Baixada Fluminense
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Ilsimar de Jesus, liderança comunitária a Vila São João, em Vilar dos Teles, bairro de São João de Meriti (RJ). |
ver também:
Movimento Unificado dos Camelôs (RJ)
KM 32: na profundidade da Periferia
Frente CDD: Cidade de Deus (RJ)
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