O fascismo é uma cadela que está sempre no cio

AVISO: Tirem as crianças da sala. O conteúdo a seguir é impróprio para menores de 18 anos, ou para quem não viveu em um regime de exceção. E não há contradição nisso.

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Arte por Sama & texto por Carlos Krebs, para o Duplo Expresso:

Fulano tem família completa e lar constituído, mas não vai direto para casa ao final do expediente. Fulano caminha pelo centro da cidade cuidando para que ninguém o veja. Hoje em dia há fulanos aos borbotões andando por aí. Este daqui procura um cinema. Na verdade, procura um destes prédios de cinema que restaram quando as projeções migraram para os shoppings. Ele quer um destes cinemas velhos que hoje tem  apresentações analógicas. Ou melhor, para ser mais correto com o que acontece no palco/altar da antiga tela… apresentações anal-órgicas.

Fulano normalmente vai ao culto. Fulano sabe dos pecados do mundo. É temente, crente e presente. Mas hoje ele procura algo “novo” para estes novos tempos – mal sabe ele quão velho é o que virá. Fulano esgueira-se no centro da cidade não por vergonha de seu desejo mundano, mas por receio de servir de mira ao dedo inquisidor doutro fulano no templo do bairro. Afinal, todos os fulanos pecam, mas querem guardar intacta sua salvação.

Fulano encontra o prédio. Fulano entra. Há uma fila de outros ali, todos meio parecidos naquele escuro. Todos excitados no escuro. O show da fé carnal precisa de pouca luz para começar. Fulano, e todos demais fulanos, pagam tributo ao primeiro círculo: o das “Manias” – aquele no qual os fascistas experimentam satisfazerem seus sadismos sexuais.

Isso não seria nenhum problema, se Fulano não saísse dali e fosse para sua casa sentindo-se liberto em sua ignorância. Ele agora é apto a por em prática o segundo círculo: o “Escatológico”, onde a família e os conhecidos são obrigados a engolir sua escrotidão, e tudo aquilo que ele externaliza por seus orifícios.

Isso ainda não seria um problema. Estaria apenas restrito aos mais chegados ao Fulano, não? Mas lembre-se: há fulanos aos borbotões por aí. Parece que agora estão todos prontos para por em prática o terceiro e último círculo: o de “Sangue”. Todos nós estaremos sujeitos as suas interpretações da realidade e, sem motivo ou razão, poderemos sofrer com impropérios, agressões, torturas, mutilações, ou mesmo assassinatos.

A violência parece ser tão fascinante quando a cadela do fascismo entra no cio…

Saudações Samânicas!

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DE: O senhor ao pé da ilustração não é o poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht (autor da frase), mas sim o Olavo “cara-de-pau” de Carvalho.

 

 

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