Por que Haddad não defende Lula?

Por Maria Eduarda Freire, para o Duplo Expresso

A campanha de Haddad comete um grande equívoco: Não colocar a prisão ilegal do ex-presidente Lula no centro do debate político.

A candidatura de Fernando Haddad à presidência da República não deixou claro para a população brasileira que o ex-presidente Lula é um preso político. Ao contrário, Haddad, ao longo do processo eleitoral, faz questão de esconder e minimizar o fato do ex-presidente Lula ser vítima da mais cruel e covarde perseguição política que o impediu de exercer a sua candidatura. Haddad em diversas declarações afirmou que “o problema de Lula não é político, mas jurídico” e que “não existe conspiração contra Lula, mas erro jurídico”, essas afirmações levam ao entendimento de que o processo de Lula e a sua condenação são legítimas, quando não são.

Recordo aqui o tenebroso episódio do dia 8 de julho em que se configurou um verdadeiro complô contra o ex-presidente Lula, entre juiz Moro, polícia Federal, desembargadores do TRF4, Procuradora Geral da República, Raquel Dodge e Raul Jungmann, que juntos impediram que fosse cumprido o seu alvará de soltura, concedido por desembargador competente, Rogério Favretto. Somente em ditaduras, alvarás de soltura são impedidos se serem cumpridos.

Haddad não trazer o lawfare contra Lula para o debate político expõe o ex-presidente e os nossos direitos fundamentais a uma situação de extrema fragilidade porque ele silencia sobre o fascismo institucional que além de Lula, vitima milhares de brasileiros anônimos que ingressam, todos os dias, no nosso sistema de justiça.

Haddad perdeu a grande oportunidade de falar nessa campanha para o povo brasileiro sobre judicialização da política, lawfare e luta pela Democracia. Entretanto, o que Haddad tem feito é enaltecer e prometer empoderar ainda mais o Estado Policial e o poder arbitrário das Instituições de Justiça. Recentemente, encontrou-se com Joaquim Barbosa, o Inquisidor algoz do PT no Mensalão, e declarou que “a Lava Jato continua, apoio à Policia Federal continua, apoio ao Ministério Público continua, ao Poder Judiciário continua. Eu não fui visitar o Joaquim Barbosa por outra razão. Eu quero escolher os melhores quadros e as melhores propostas para aprimorar o combate à corrupção no Brasil”, ou seja, Haddad irá comandar o mesmo republicanismo penal que criminalizou o PT e mantém o ex-presidente Lula preso em Curitiba.

O que a campanha de Haddad tem demonstrado é que a figura do ex-presidente Lula tem se tornado um grande incômodo por visibilizar toda essa barbárie institucional, instrumentalizada largamente pelo “petismo jurídico”, incompatível com a pauta do “momento” de “civilização contra a barbárie”. Barbárie também é ignorar que o maior líder popular desse país esteja preso ilegalmente. Barbárie também é o republicanismo penal do PT, o qual aprofundou o Estado de Exceção no país. Haddad, ao não se comprometer com essa verdade histórica, comete o erro daqueles que continuam a fazer da história “tábula-rasa”. O povo brasileiro continuará arcando com o custo disso porque, na luta da “civilização contra a barbárie”, é “sempre o povo que morre”.

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