Requião denuncia “politização das denúncias do Ministério Público contra Gleisi”

Da Redação do Duplo Expresso,

O roteiro de perseguição a Lula é tão previsível que no mesmo dia em que Lula foi convencido pelo “Laranja Pobre” (Zé Cardozo) a se entregar, avisávamos que a próxima vítima da perseguição (e traição interna) seria a senadora Gleisi Hoffmann.

Estava mais do que claro que a forma contundente e aguerrida como a senadora defende a liberdade do ex-presidente seria motivo para mais um episódio de perseguição protagonizado por uma justiça carcomida pela falta de respeito às leis.

O senador Roberto Requião fez hoje na Tribuna do Senado Federal um belo discurso em defesa da senadora Gleisi e, mais, em defesa da democracia e contra o avanço da ditadura da toga.

É hora de todos nós defendermos a senadora Gleisi Hoffmann. Está com ela a chance de desmoralizarmos o atual regime vigente no Brasil, pois é ela quem assina a ficha da candidatura de Lula e, por conseguinte, resgata a soberania popular.

Acompanhe aqui o texto e o vídeo com o discurso do senador Requião, feito hoje (13 de junho).

Da Assessoria do Senador Roberto Requião

O senador Roberto Requião defendeu nesta quarta-feira (13), no plenário, a trajetória política da senadora Gleisi Hoffmann que, na próxima terça-feira (19), será julgada por uma das turmas do Supremo Tribunal Federal. Requião citou a longa convivência com a senadora, lembrando que em algumas oportunidades estiveram em campo oposto. No entanto, disse o senador, não há como deixar de reconhecera honradez, o espírito de luta, a coragem e o compromisso de Gleisi com os mais pobres e com as causas nacionais.

A seguir, texto do discurso de Requião

De todas as senadoras e os senadores que hoje compõem esta Casa, a que mais conheço, com a qual tenho a mais longa convivência é a senadora Gleisi Hoffmann. Logo, considero-me apto a testemunhar a sua retidão, seriedade, linha de conduta e o seu compromisso com o povo, o seu amor ao povo brasileiro.

Jovem estudante, Gleisi atirou-se com paixão e coragem aos enfrentamentos de sua geração, como as lutas pela anistia, pela redemocratização e pelas eleições diretas. Foi nessas circunstâncias que a conheci. Tive-a como uma das coordenadoras estudantis de minha campanha à Prefeitura de Curitiba, em 1985, primeira eleição direta para o governo das capitais depois do fim da ditadura.

Uma eleição memorável em que o entusiasmo e o fervor de jovens como a Gleisi deram o tom, já que o nosso principal oponente era um político duas vezes nomeado pela ditadura para a Prefeitura de Curitiba.

Filmes históricos de minha campanha mostram a jovem Gleisi no palanque, discursando com essa mesma vibração, essa mesma crença em um país melhor, justo e fraterno que manifesta desta tribuna. Mas nem sempre estivemos juntos, é verdade.

Fomos até mesmo adversários, como na eleição de 2014, quando ambos disputamos o Governo do Paraná.
No plano nacional, como as senhoras e os senhores puderam comprovar inúmeras vezes, nem sempre estivemos do mesmo lado, especialmente a respeito da política econômica dos governos do PT.

Seja com o for, isso nunca arrefeceu o meu respeito e a minha admiração pela Gleisi.

Era de se esperar que suas posições históricas em defesa da soberania nacional, dos trabalhadores, do capital produtivo, das mulheres e das minorias provocassem as reações raivosas de parte da imprensa e de setores do Judiciário e do Ministério Público. E daquela banda da internet contaminada pela hidrofobia fascista.

Até mesmo nesta Casa vimos manifestações carregadas de rancor e fúria contra a senadora Gleisi.

E a elevação de Gleisi à presidência do Partido dos Trabalhadores deixou ainda mais coléricos, hostis os seus opositores.

E em que circunstância Gleisi assume a presidência do PT?

Na circunstância da prisão de Lula. Na circunstância da partidarização e ideologização da Lava Jato. Na circunstância das controversas e cada vez mais suspeitas delações premiadas.

Na circunstância da campanha liderada pelas Organizações Globo e mídia aliada de destruição, de liquidação do PT e de toda a oposição nacionalista, democrática e popular.

Na circunstância em que, irresponsavelmente, as ditas elites aquecem o ovo da serpente fascista. Na circunstância em que, outra vez, os nossos chamados liberais, como em 32, 45, 54, 64, 2015 flertam, namoricam a extrema direita.

É nesse caldeirão que Gleisi está lançada. É preciso muita coragem, fibra, espírito público, renúncia e caráter para enfrentar tamanho bombardeio.

É preciso aquilo que Ho Chi Min definia como “moral revolucionária”, o senso do dever, o compromisso com o dever e com os princípios humanitários, civilizatórios.

Há uma moralidade intrínseca, originária, própria e essencial nos que colocaram como causa da vida a causa dos mais pobres, dos desamparados, dos humilhados e ofendidos. Dos que vão ao mercado não para especular e sim para vender a sua força de trabalho a troca da sobrevivência, do direito de viver.

Não há moralidade, não há dignidade, não há distinção ou honradez em regimes, em sistemas de governo, em uma imprensa ou no judiciário não apenas indiferentes.

Pior que isso, cúmplices na exploração e espoliação do trabalho humano, na construção e na manutenção da desigualdade, na sonegação do direito à moradia, à segurança, a pelo mesmo três refeições diárias, à cultura, à educação, à dignidade que deve revestir todo ser humano.

Não há moralidade em um sistema judiciário que faz da licença hermenêutica a lei, que acusa, processa e condena segundo a visão de mundo dos juízes, segundo simpatias ou antipatias, segundo o direito e os interesses de outros países a que se vincularam e prestam vassalagem.

Conheço a Gleisi desde menina, a menina que primeiro queria ser freira para ajudar os pobres, mas que depois viu na militância política e na luta pela transformação da sociedade um espaço maior para a realização daqueles anseios adolescentes.

Essa menina trouxe desde lá, entranhada em sua alma, envolvendo o seu coração, possuindo o seu espírito a moralidade dos que buscam não a riqueza, não notoriedade, não a efêmera celebridade dos vaidosos, não o afago dos poderosos. E sim o bem-estar e a felicidade de seu povo.

Esta é a Gleisi que conheço desde menina e por quem testemunho.

Senhoras e senhores senadores. Senhoras e senhores ministros do Supremo Tribunal Federal.

Caso alguém tivesse ainda algum fiapo de dúvida sobre a politização das denúncias do Ministério Público contra Gleisi, que faça um cotejamento das denúncias que foram retiradas contra outros senadores e as acusações mantidas contra a presidente do PT.

É tão óbvio. Só não vê, só não acredita quem foi abduzido pela imoralidade desses tempos tão trevosos. Que se faça a luz. E a justiça.

 

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