A estrela opaca e o “brilho de aluguel”

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

A desonestidade daqueles que dizem que o eleitor de raiz de Lula – o não petista – votará “em quem Lula indicar” tem cem por cento de chance de dar certo. Se ganhar a eleição, foi mérito do “poste” e se der errado terá sido um fracasso de Lula. Golpe é golpe! E isso vale para qualquer golpe.

Ocorre que, no afã de garantirem cargos e privilégios, burocratas descolados das bases apostam a vida na transferência dos votos de Lula para o ex-prefeito de São Paulo, Haddad. Muitos sabem que a “tal” transferência será menor do que o esperado por esses parasitas. Ainda assim, insistem com a insanidade.

Com Lula preso e incomunicável, impedido de participar fisicamente da campanha, Haddad terá sérias dificuldades de “emplacar”. Nada contra o candidato, mas é visível a sua incapacidade de lidar com as massas. Falta muita coisa para que o novo mantra “Lula é Haddad e Haddad é Lula” ultrapasse as fronteiras do marketing de venda de sabonete.

A completa falta de compromisso com os verdadeiros problemas do país leva a ala burocrata do PT a consolidar um fenômeno inusitado na política brasileira: muitos eleitores de Lula irão votar em Jair Bolsonaro. É uma lástima, mas a construção deste cenário decorre da visível opção pelo abandono – da ala burocrática do PT – da luta por Lula livre.

O certo é que não há tempo para que o Plano B – que visa identificar Haddad como candidato de Lula – seja empurrado goela abaixo dos desavisados. Até mesmo se o Próprio Lula vier a gritar em alto e bom som que o seu candidato é Haddad, ainda assim, o Plano B dificilmente conseguirá ser vendido como um produto interessante, como nas propagandas de sabonete.

“Se não descer goela abaixo, entrará como supositório”, gritarão os burocratas “descolados”. Dirão isso mesmo cientes de que se Lula for cassado o povo vai se sentir traído, votará em branco ou nulo de cabo a rabo, como forma de protesto. Na cabeça do cidadão comum, das pessoas simples, “Eleição sem Lula é fraude!”. É isso que tem sido revelado de forma incontestável em todas as pesquisas.

A frustração pela cassação do Lula irá refletir também nos candidatos do PT. Tem sido crescente a opinião que questiona o nível de envolvimento e dedicação à causa da defesa política de Lula por parte de muitos deles. Para piorar, essa eleição já é contestada pela ONU, na medida em que Lula segue preso e excluído, ninguém terá legitimidade aos olhos do povo.

A propaganda eleitoral de rádio e televisão não transformará qualquer nome indicado como “Plano B” em um substituto à altura de Lula. Nada contra Haddad, repito. É uma questão de análise fria e distante do calor do marketing de terror em curso, onde nos comícios até mesmo a foto de Lula é excluída do palanque.

Esperta, a direita agora dá corda para Haddad se enforcar. Fala em pesquisas onde o vice na chapa do ex-presidente estaria no segundo turno. Mais um embuste para que todo o PT acredite poder rifar Lula (o grande campeão), líder em todas as pesquisas.

A ala do PT que dá como certa a eleição de qualquer um que “Lula indicar” precisa cair na real. Este terá sido um grande erro, jamais perdoado pelo povo que insiste no “ato de rebeldia” de querer votar em um preso político e injustiçado.

Os burocratas estão insensíveis a isso. Seguem a cometer uma das mais absurdas escolhas da história política mundial, a de pensar que no lugar do “Lula lá”, brilha qualquer estrela. Até mesmo uma estrela opaca com um “brilho de aluguel”.

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.