IV Congresso do PSUV ocorre em meio a conjuntura decisiva para Revolução Bolivariana

Por Caio Clímaco*, para o Duplo Expresso

Depois de uma semana marcada por datas bastante simbólicas para o povo venezuelano e latinoamericano, tais como os aniversários de Simon Bolívar (24) e Hugo Chávez (28) e as comemorações do Dia Nacional da Rebeldia Cubana (26), teve início o IV Congresso do PSUV, realizado entre os dias 28 e 30 de julho.

O congresso se desenvolveu numa conjuntura bastante difícil e decisiva para o PSUV. Mesmo concentrando praticamente todo o poder político do país, seja através da presidência da república, da hegemonia na Assembleia Nacional Constituinte, da concentração da maioria das prefeituras e governos estaduais do país, o governo ainda não foi capaz de diminuir os impactos da guerra econômica e resolver as dificuldades produtivas do país. Obviamente que essa não é uma tarefa nada simples, ainda mais quando o país enfrenta abertamente a maior potência imperialista do mundo (EUA) e possui uma economia que é, há mais de 100 anos, dependente do petróleo.

Inserida em um quadro onde o velho ainda não morreu e o novo ainda não nasceu, a Revolução Bolivariana se reencontra em um momento decisivo onde o poder popular busca se reorganizar e reassumir o seu papel enquanto vanguarda do processo revolucionário, sem deixar de respaldar e de legitimar o governo de Nicolás Maduro, ao mesmo tempo em que o burocratismo do Estado e os setores vacilantes do governo, corrompidos pelos vícios da própria estrutura, também cumprem com seu papel histórico: fragmentam o chavismo, geram ineficiência e corrupção nos aparatos do Estado.

Diante desse cenário é que o IV Congresso do PSUV foi realizado, contando com a participação de mais de 670 delegados e delegadas de todo país, além diversas organizações políticas internacionais, incluindo o Partido Comunista da China, o Partido Comunista de Cuba, o Partido Comunista do Brasil, o Partido Político Vasco SORTU (España), o País Progresista, Movimiento del Socialismo Allendista (Chile), o Movimiento Izquierda Unida (República Dominicana), o Partido Africano para a Independencia de Guiné e Cabo Verde (Guiné Bissau), incluindo ainda a participação de organizações provenientes de Argentina, El Salvador, Perú, Colombia, Nicarágua, Africa do Sul, Portugal, Alemanha, entre outros.

O congresso buscou avançar em três temáticas centrais: a reestruturação do partido (direção nacional e formas de organização), o Novo Programa de recuperação econômica e as sete linhas estratégicas lançadas pelo governo de Nicolás Maduro (“diálogo, pacificação e reconciliação nacional”, “acordo econômico produtivo para conseguir a estabilidade econômica”, “luta renovada e frontal contra a corrupção”, “fortalecimento e ampliação das conquistas do Poder Popular”, “defesa contra o imperialismo e o bloqueio dos Estados Unidos”, “ratificação do socialismo” e “controle e acompanhamento de infraestruturas e serviços públicos”).

Com relação ao Novo Programa de recuperação econômica, Nicolás Maduro anunciou 5 medidas que serão implementadas até o dia 20 de agosto, são elas:

1) Melhoria da distribuição de bens e serviços

2) Combate a especulação dos preços

3) Impulsionar a produção das empresas públicas e mistas

4) Nova lei de divisas para atrair investidores internos e externos

5) Reconversão monetária através da nova moeda Bolívar Soberano

Maduro também anunciou a criação de uma Comissão Permanente para o resgate da história da Revolução Bolivariana, no sentido de fortalecer o processo de formação da consciência histórica do povo venezuelano.

No domingo (29) foram instaladas 12 mesas de trabalho que ficaram responsáveis por debater os documentos fundacionais do PSUV, as sete linhas estratégicas do governo, o sistema de Forças e Alianças do partido e o desenho do novo sistema organizativo.

Diosdado Cabello, membro da direção nacional do PSUV e presidente da Assembleia Nacional Constituinte, afirmou que a síntese das propostas das mesas de trabalho serão reunidas em um documento a ser divulgado em um prazo de 30 dias. Esse documento servirá como plano de propostas para o partido nos próximos 4 anos.

Além desses debates, as 12 mesas de trabalho definiram por unanimidade o nome de Nicolás Maduro como presidente do partido, dotado ainda da autoridade necessária para eleger a direção nacional e sua estrutura política.

A primeira ação de Maduro após ser conduzido novamente a presidente foi ratificar a Direção Nacional do PSUV, com Diosdado Cabello como seu primeiro vice-presidente e Eduardo Piñate como secretário da Presidência.

 * Caio Clímaco é cientista do Estado e mestrando em Ciências para o Desenvolvimento Estratégico na Universidad Bolivariana de Venezuela (UBV) e correspondente do Duplo Expresso na Venezuela.

 

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