Eleições 2018: “Esquerda x Esquerda”. Falta um pequeno detalhe: combinar com o povo

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

As convenções partidárias têm sido anunciadas e, na medida em que os partidos anunciam os planos eleitorais para o pleito 2018, vemos uma sucessão de erros estratégicos que merecem uma análise mais profunda sobre os riscos de cada um deles.

No noticiário, nomes de presenciáveis acompanhados pelo mantra “defendo Lula e lutarei pela sua liberdade”. O que isso significa? Nada! É apenas uma jogada manjada de marketing para tentar ganhar a simpatia dos eleitores do mesmo Lula que fingem defender.

O PSOL na sua convenção lançou Guilherme Boulos como seu candidato a presidente. O PC do B poderia praticar um gesto inteligente e construir uma aliança ao redor do ex-presidente Lula. A esquerda tem que se convencer de que a mais importante luta –  não apenas da esquerda, mas de todos os democratas – não é a corrida presidencial, mas a luta contra o Regime Temer.

É esta luta contra o avanço do imperialismo sob o nosso país que impedirá a entrega do nosso petróleo e permitirá a reconstrução de caminhos para o resgate da democracia e a restauração do nosso estado democrático de direito. E, sem muito esforço – todos sabem que – esta luta passa necessariamente pela liberdade de Lula e o seu direito de ser candidato!

Isso por duas razões muito simples: 1) o povo quer Lula candidato! 2) o povo quer votar em Lula! Talvez para alguns setores da esquerda, mais pragmáticos e açodados, seja difícil entender isso, mas é bom lembrar que se deixarem o povo de fora deste processo, o povo se sentirá traído! Toda a esquerda estará reunida no velho slogan dos “sem partido e sem bandeira”: “são todos iguais”.

Como convencer o eleitor de Lula de que ele deve abrir mão de sua candidatura? Não seria legitimar o golpe? O povo já entendeu que o ex-presidente é um preso político e que querem caçar os seus direitos políticos. O povo já enxergou que Lula foi condenado e preso injustamente. Por qual razão Lula deve abrir mão do seu direito legítimo de ser candidato? O que justifica o argumento de que devemos aceitar que o nosso candidato, primeiro lugar disparado nas pesquisas, tenha os seus direitos caçados?

Não há teórico que convença o povo de que “isso é assim mesmo, porque…”. Não existe um único argumento que possa justificar o abandono desta importante luta por Lula, ao lado do povo. Por que não nos unimos para lutar pelo povo que quer ter o direito de votar em Lula? Para que toda a esquerda seja resgatada é preciso que a luta pela liberdade de Lula seja uma prioridade.

Esses fatos, também do ponto de vista psicológico, têm muita força! Como esse eleitor que agora sabe tudo sobre a perseguição a Lula aceitará “naturalmente” que não poderá votar no seu candidato? Para onde irá toda esta frustração? O PT e os partidos de esquerda, se não quiserem perder o bonde da história, terão que ter a sensibilidade de enxergar todos esses fatores!

A direita já se uniu, tudo de mais retrógrado, entreguista e lesa-pátria já se encontra do lado de lá! Chegou a hora de fazermos uma aliança do “lado de cá” pelo direito de Lula ser candidato! O povo deve ser respeitado, a esquerda deve se unir e lutar por duas frentes como uma pauta única: Lula livre e o direito de Lula ser candidato.  A esquerda deve estar toda unida com o povo.

Esta é a eleição da esquerda contra ela mesma. Resgatar o sentimento popular de agente político é um caminho que dará força à esquerda por muitos anos. Lutar por lula é o caminho melhor pavimentado para isso. Quem agir diferente disso não terá combinado antes com o povo.

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.