A hora de evitar o caos e a falência completa das instituições

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

O mais difícil para o brasileiro foi perceber que estava sob uma ditadura. O plano “quase perfeito” dependia da manutenção da aparente credibilidade da justiça e da imprensa. O ódio a Lula e a idolatria a Moro formariam o antagonismo perfeito para que todo o arbítrio do atual regime fosse legitimado, mas algo deu errado. A fome, o desemprego e o futuro incerto tiraram o sono do povo.

A proteção aos tucanos, a venda de delações premiadas, a destruição da indústria brasileira, a perda dos direitos trabalhistas, o desemprego e as terríveis consequências para a economia do país derrubaram a máscara do golpe. Isso sem falar das malas de dinheiro, encontros na garagem, compra de votos para se salvar, votos vendidos para lobistas do petróleo, etc.

Mergulhados na incontestável condição de inimigos do Brasil e dos brasileiros, o regime tenta a tática do assalto ligeiro como fuga da inevitável reação popular. As recentes greves dos caminhoneiros e dos eletricitários apontam para um caminho de resistência. Cansados do abandono, os brasileiros agora apoiam as greves e o regime sabe que não há nada pior em ano eleitoral do que lutar contra o povo.

Chama a atenção o medo que eles têm de uma reação deste povo que maltrata. Todos aqueles que jogaram o país no caos, tentam agora a ameaça de multas e prisão como últimos recursos. Caminhoneiros, eletricitários, petroleiros e outras categorias estão no limite para que seja dado início a uma explosão de greves e paralizações. “Isso não vai dar certo!”, pensam aqueles que assumiram os destinos do país através de uma farsa contra a soberania popular.

Moro só se sustenta na Globo, a Globo depende do sucesso de Neymar para poder atrair a audiência, Lula é o mais popular, o Brasil está praticamente destruído e o povo está abandonado. Este é o cenário que força a ditadura brasileira a se assumir como tal. A cada novo ato de perseguição ao líder nas pesquisas eleitorais, a cada ação de desmonte do Estado e o sádico prazer de impor o sacrifício no lombo do povo, temos o aprofundamento da opressão e a prática de diferentes tipos de perseguição e chantagem.

Temer sabe que não conseguirá cumprir as promessas feitas aos caminhoneiros. A justiça sabe que o recurso de aplicar multas milionárias é um blefe que pode culminar na sua completa desmoralização, através da desobediência civil. 
O cenário é dramático. Não há como entregar aos patrões estrangeiros tudo o que eles exigem e, ao mesmo tempo, ficar bem com o povo que massacra. Um dilema que só se resolverá com o recuo ou com o aprofundamento total da ditadura.

As Forças Armadas estão divididas entre a mentira, que ajudou a criar, de que existia “uma ditadura comunista/bolivariana no Brasil” e a necessidade de ser respeitada pelo povo que deveria proteger, mas que apenas ameaça, oprime e entrega ao mercado escravagista. Isso sem falar da “cara de paisagem” que faz para a entrega das nossas riquezas.

Empresários do agronegócio, que dominam uma importante bancada política, agora precisam proteger a PETROBRAS e tirar Lula da cadeia para poder vender os seus produtos. Dois anos depois de jogarem o próprio setor de atuação no colo dos concorrentes dos EUA, perceberam que “eram felizes e não sabiam”. A China quer “um amigo”, mas este amigo está preso.

A geopolítica é cruel, pois quem atravessar a fronteira errada perderá o bilhete de volta. Ou soltam Lula e resgatam o Brasil, ou perderão tudo.

Somente a fraude eleitoral daria alguma legitimidade ao atual regime, mas quem seria o candidato dos inimigos do Brasil? Como justificar uma vitória de Bolsonaro, Alckmin, etc. sem Lula como um dos concorrentes? Como convencer o povo de que a justiça é imparcial? Como manter alguma credibilidade massacrando o povo e destruindo o próprio país?

É estarrecedor o papel de sabujo dos EUA e do Sistema Financeiro cumprido com primor pelo STF e estranho demais o silêncio das Forças Armadas no Brasil. O apreço pelo cinismo e pela “carteirada” apenas reforça a falta de argumentos para a defesa e manutenção desta política de abandono do Brasil e escravidão do próprio povo.

Entre as diversas funções que lhe são atribuídas, um dos papéis fundamentais das Forças Armadas na defesa do país, previstos na Constituição Federal de 1988, no art. 1423, é a “defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Como fingir não saber que é comandada hoje por poderes cooptados pelo mercado financeiro e pelos EUA? Como negar ao Brasil e ao povo brasileiro a proteção neste raro momento em que são convocadas a fazê-lo? O que justificaria o elevado custo aos cofres públicos se para nada servem?

Sob ordens dos invasores estrangeiros, o cenário real é de um presidente ladrão, Câmara e Congresso ocupados por uma maioria corrupta e vendilhona, um poder judiciário parcial e que rasga a Constituição todos os dias. Como receber ordens desses poderes quando todos sabem se não é ao Brasil e aos brasileiros que estão a servir? Se na Ditadura de 1964 houve o uso excessivo da força, no atual regime o papel dos militares poderá ser reduzido ao de um porteiro de prostíbulo.

Se o papel dos militares for reduzido a isso, os analfabetos políticos que pedem “intervenção militar” darão conta de que esta intervenção é isso aí. Com isso, teremos o aprofundamento do caos. Nunca é demais lembrar que no caos todos são iguais e as instituições deixam de existir. É o cenário planejado pelos invasores, mas que ainda pode ser evitado pelos brasileiros.

 

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.