Resumo da semana: Parem de “embargar” o povo!

Por Wellington Calasans, Para o Duplo Expresso

Para início de conversa, lembremos o que pensa o conterrâneo de Lula, Alceu Valença, sobre a solidão:

A solidão é fera, a solidão devora.

É amiga das horas prima irmã do tempo,

E faz nossos relógios caminharem lentos,

Causando um descompasso no meu coração.

A solidão dos astros;

A solidão da lua;

A solidão da noite;

A solidão da rua.”

Atualmente, para falarmos sobre a política brasileira é necessário que façamos as vezes do rábula. Pré-sal? Educação? Saúde? Soberania Nacional? Que nada! O “chique no último” são os “embargos”. Ávido por uma ação mais efetiva em defesa de Lula, o povo começa a pedir aos que deveriam fazê-lo: “parem de nos embargar!”.

Esgotados todos os panos que escondiam o medo da luta, agora, com Lula preso, fica difícil sustentar a “normalização” de uma prisão injusta e criminosa imposta, há oito dias, ao político mais querido do Brasil. Esqueçamos a “confusão” da negação de HC em hipótese de prisão preventiva. Estudante do primeiro ano de direito já sabia que era treta, mas ok. Sigamos “unidos”.

Todos sabemos que estar preso em uma solitária é uma tortura, recomendo, por isso, a leitura do artigo “Os diferentes aspectos da tortura”, onde a médica psiquiátrica Guanaíra Rodrigues do Amaral é categórica ao afirmar que “a tortura, dentro do contexto individual, planta o medo na vítima, cumprindo assim a função de intimidar ou amedrontar”. Lula está isolado do povo, Lula é torturado.

Combater a injustiça contra Lula deveria ser o foco da resistência, mas o que vimos ao longo desta semana foi a narrativa da dispersão que tentou substituir a necessária revolta contra o arbítrio da ditadura da toga. “Lula está bem”, “Lula faz exercícios todas as manhãs”, “Lula ficou emocionado com as cartas”, Lula isso, Lula aquilo, com direito à narração de âncora global. Covardes!

O povo brasileiro, sobretudo a camada de miseráveis e pobres, precisa exercer o direito à revolta. A baderna está no poder. “O nosso povo é pacífico” tem sido o mantra que é parte da verdadeira estratégia, a do “povo pacificado”, nas palavras do antropólogo João de Athayde, aqui mesmo no Duplo Expresso.

“Solitária não é Spa”, afirmou também nesta página o advogado Rubens Rodrigues Francisco, com a experiência de quem foi diretor de presídio. Há algo muito grave quando um preso político é impedido de ser visitado por nove governadores e três senadores.

O Duplo Expresso tem denunciado a tentativa de alguns oportunistas com o plano irresponsável da “Mandelização” de Lula. Temos lembrado que Mandela estava na luta armada, ficou vinte nove anos preso, foi forçado a dividir o Prêmio Nobel com o seu algoz e o controle da economia foi entregue aos brancos do Apartheid. Até hoje a população negra vive na miséria.

Plano B e Chapas plantadas como medidores de resultados da “normalização” foram os primeiros ensaios para saber se “Lula transfere voto” ou se “o povo vota em quem Lula indicar”. Para a sorte do povo e de Lula, as recentes pesquisas mostram que não basta Lula apontar o dedo e elegerá novo “poste”. O povo quer Lula, não quer mais intermediários.

Jornalistas, políticos e pseudos intelectuais fazem um esforço enorme para a exclusão de Lula do páreo eleitoral. Tentam dar como “jogo jogado”, por Lula, a certeza de que “Lula sabe que não será candidato”. Mais uma forma de tirar proveito do isolamento de Lula para construir, na ausência dele, uma fala que não lhe pertence.

Lula, que não queria se entregar, foi claro ao afirmar que provaria a sua inocência e voltaria mais forte. Concorrer nas próximas eleições, portanto, não é uma “birra” de Lula. É preciso entender, e repudiar, que tirar Lula das urnas é a consumação de uma “birra” da elite.

Por isso, chega de “embargar” o povo! O povo quer Lula e devemos lutar por isso. É uma luta contra a injustiça, contra o conformismo que em nada tem ajudado o Brasil e os brasileiros. É uma luta pela devolução da nossa soberania e pelo resgate da dignidade do nosso povo.

Lula livre! Lula vale a luta!

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.