Os Militares, “a verdade do universo e a prestação que vai vencer”

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

O que leva o Exército às ruas do Rio de Janeiro não é a violência, mas a destruição do estado social imposta por Sérgio Moro e a Lava Jato à indústria naval e de petróleo e gás, principais fontes de receita do estado. As consequências imediatas são desemprego, aumento da criminalidade e caos social. Basta recuperar os empregos que a situação muda.

Boa parte da turma de Temer está no poder do Rio de Janeiro e contribuiu decisivamente para a formação deste cenário de insegurança e medo. Além do abandono do povo, as polícias civil e militar são corroídas pela total carência de dignidade, desde a falta de combustível, passando pela insuficiência de munição, mas – sobretudo – culminando com a participação, de muitos dos seus quadros, no crime.

Os cidadãos cariocas e fluminenses estão acuados e é preciso tratar do assunto com alguma cautela. Se por um lado, Temer reduz o papel do Exército ao de Guarda Municipal do Rio, também é verdadeiro afirmar que é papel das Forças Armadas exercer a intervenção quando o caos está anunciado. Raul Seixas diria que “dois problemas se misturam: a verdade do universo e a prestação que vai vencer”. A violência e a insegurança como um todo são consequências, mas também devem ser combatidas.

Se Temer reduz o cidadão humilde do Rio de Janeiro ao estereotipo de “marginal” é urgente a necessidade de debater a origem do problema. O que leva tantas pessoas ao mundo do crime? Certamente a resposta não estará na atrofia cerebral de Bolsonaro que propõe o resgate da imbecilidade “bandido bom é bandido morto!”, mas também não podemos permitir que a desordem seja tolerada por conta do preconceito contra as Forças Armadas, como propõe alguns setores mais radicais da esquerda.

O esforço do Ministro (do governo do golpe) da Defesa, Raul Jungmann, para negar que a medida extrema seja uma intervenção militar, mas sim uma “intervenção federal, na qual o interventor é um general”, consolida o fracasso do golpe e a total ausência de projetos de País e para a sociedade. É no campo político-social que devemos concentrar a nossa crítica. A “militarfobia” ou o “holocausto dos pobres” são, em espectros opostos, pensamentos obsoletos.

A direita e os donos do poder querem afastar da esquerda os cidadãos assustados com a violência imediata e as forças de segurança. Não podemos cair nessa armadilha. A insegurança é real e as forças de segurança são compostas por brasileiros reais e tem uma função importante a cumprir. Não há motivo plausível para eles não estarem juntos conosco contra esse golpe, a favor da democracia e do estado social e soberano.

O improviso é a marca característica deste (des)governo que responde hoje pelo Brasil. Não satisfeito com a própria sepultura que cava todos os dias, agora quer jogar na vala comum as instituições e transformar o aparato militar no novo entretenimento para desviar o foco dos verdadeiros problemas que levam o Brasil ao caos e os brasileiros ao abandono.

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.