Lula em Liliput

Por Rubens Rodrigues Francisco para o Duplo Expresso

Numa obra clássica da literatura inglesa, As viagens de Gulliver, o escritor irlandês Jonathan Swift conta as aventuras de Lemuel Gulliver, capitão de um navio que naufraga. O protagonista vai dar então em uma de duas ilhas que são inimigas.

Nessa ilha – chamada Liliput – Gulliver conhece os liliputeanos, uma população minúscula, com cerca de 15 centímetros de altura, cujo rei é um tanto arrogante e autoritário. No começo, Gulliver é amarrado e temido, mas depois tudo se arranja e ele passa a conviver em paz com os habitantes do lugar. Mais tarde, porém, ao vencer a guerra contra a outra ilha – chamada Blefuscu –, mas rejeitar fazer dela uma colônia de Liliput, ele é acusado de traição. Inclusive por urinar para apagar um incêndio nos aposentos da rainha, salvando-a e à sua corte. Declarado culpado, ele recebe como sentença ter os olhos arrancados.

Acabei recuperando essa história ao assistir ao espetaculoso julgamento do pedido de habeas corpus de Lula. Esse termo é grafado em latim porque remonta ao direito romano, embora a maioria dos autores o considere de origem inglesa, criado pelo rei João Sem Terra na Magna Carta de 1215. Tratava-se de um instrumento de pleito de libertação em caso de prisão indevida.

Angustiado e raivoso, observando o pavoneamento verbal dos ínclitos ministros da colenda 5ª Câmara do STJ – esforçando-se para falar muito sem dizer coisa alguma – pensei em pegar algum livro do Direito Anglicano Inglês para me inspirar naquele momento tão difícil do judiciário brasileiro, em que o princípio do habeas corpus escorria ralo a baixo.

Sem meu laptop, sem meus arquivos e livros, na pacata Bella Unión, no Uruguai, eu procurava pelo celular na internet o termo swift. Ele hoje é usado para designar operações bancárias internacionais. Acidentalmente, apareceu na tela o nome do escritor Jonathan Swift, o que me remeteu às aventuras de Gulliver.

A sátira, em apertada síntese, propõe que os pequenos, quando diante dos gigantes, sentem-se ameaçados. Vendo aqueles homens de toga preta, tão minúsculos naquele momento, tão temerosos, comparei-os aos habitantes de Liliput, amarrando e condenando o gigante LULA.

Assim como os nobres de Liliput tinham medo e raiva de Gulliver por ele ser tão grande, e por agir rapidamente, mas de modo pouco convencional, ao ver pessoas em perigo em consequência de um incêndio no palácio, os “nobres” do Brasil querem Lula condenado por ter feito o bem para o povo – o que não agradou, absolutamente, às elites. Lula fez bem para muitos, mas, para alguns, urinou na cabeça de poucos, como fez Gulliver para dar fim ao incêndio.

Gulliver, o gigante gentil, poderia facilmente ter esmagado os minúsculos agressivos e ingratos da corte que o sentenciou, mas seu coração era ainda maior do que ele. Conseguiu escapar da condenação injusta sem qualquer violência contra os pequeninos e aguerridos habitantes de Liliput. Um amigo que fizera na corte ajudou-o a fugir para Blefuscu (a outra ilha), onde um navio o encontrou e o levou para casa.

Na Liliput nacional, ou seja, no Judiciário, LULA não terá chance alguma de justiça, pois os pequeninos togados não veem nobreza nos atos dele. Se a Praça dos Três Poderes em Brasília fosse um arquipélago de três Ilhas no Lago Paranoá, não seria nem na Ilha da Panela-pra-Cima-Panela-pra-Baixo, nem na Ilha da Estátua Cega, que LULA escaparia do obscurantismo alheio e da condenação arbitrária.

Lula tem que ser ajudado, e rápido! Só o povo, grato por tudo que ele fez, poderá salvá-lo da sentença injusta dos minúsculos de toga e conduzi-lo para a ilha certa neste conjunto – a Ilha do Palácio.

A hora é do povo brasileiro, unido, agigantar-se ainda mais para ajudar aquele que lhes mostrou a possibilidade e a grandeza de uma vida digna e respeitada.

Acha o nosso trabalho importante? Reforce a nossa causa em apenas 2 segundos: apoie a sua divulgação tornando-se um Patrono do Duplo Expresso

Facebook Comments