Rio: Razões para o voto nulo
Por Luiz Carlos de Oliveira e Silva
- Votarei nulo neste domingo porque a escolha por Paes – e as razões alegadas para isto – me parecem equivocadas, como me parecem equivocadas muitas das razões apresentadas para justificar o voto nulo. Começarei pelas razões apresentadas para justificar o voto nulo para, em seguida, apresentar a crítica aos argumentos em favor do voto em Paes. As minhas razões para o voto nulo aparecem a partir dessa crítica.
- Quanto ao voto nulo, há os que negam o voto em Paes pelas mesmas razões que negam o voto em Boulos, o que me parece um equívoco de viés ultraesquerdista. Há também os que votarão nulo para preservar a pureza de suas biografias, o que me parece uma bobagem de viés narcisista. Entre estes dois polos, há diversos bons argumentos, mas nenhum – de que eu tenha conhecimento – atinge o cerne da questão, tal como eu vejo as coisas.
- Os que, no campo progressista, irão votar em Paes alegam que a derrota de Crivella – por ser ele quem é, e por ser ele o candidato de Bolsonaro no Rio – justifica o voto. Para estes, Paes é um mal menor diante de tudo que representa Crivella. O busílis da questão reside, segundo penso, exatamente neste ponto.
- Desde já digo que não considero Crivella mais nocivo do que Paes, e explico, em seguida, o porquê. E digo mais: para mim, quem considera que a derrota de Crivella justifica o voto em Paes está “capturado” pela armadilha ideológica que a plutocracia armou para “naturalizar” a política de desmanche do Estado e dos direitos sociais que vem sendo implantada desde Collor.
- Essa armadilha ideológica quer nos convencer – maliciosamente – de que Bolsonaro, e tipos como Crivella, são os nossos maiores inimigos. Isto é falso! O maior inimigo dos nossos interesses nacionais, populares e democráticos é exatamente a política de desmanche do Estado e dos direitos sociais que vem sendo implantada desde Collor, com seu entreguismo e com o seu fechamento velado do regime a reboque.
- A armadilha ideológica toma corpo na tão propalada “frente contra Bolsonaro”. Considero esta frente um equívoco porque Bolsonaro, repito, não é o nosso maior problema. Ele é, ao fim e ao cabo, o bufão que ocupou o centro da cena para desviar a atenção do distinto público, enquanto o desmanche do Estado e dos direitos sociais seguia em frente, ainda que, às vezes, aos trancos e barrancos, para o desgosto de Paulo Guedes.
- Deve-se a isto o fato de que toda e qualquer frente que não estiver comprometida com a denúncia do desmanche e com a revogação das “reformas” estará – independentemente da intenção de quem quer que seja – a serviço: (a) da “naturalização” do estrago já feito, e (b) da continuidade da implantação da agenda regressiva.
- Dizer que Crivella é mais nocivo do que Paes é o mesmo que dizer que Damares é mais nociva do que Paulo Guedes, o que dá demonstração de má compreensão da conjuntura. (Isto significa dizer que votar em Paes para derrotar Crivella teria o mesmo sentido que votar em Paulo Guedes para derrotar Damares.)
- Bolsonaro (e Crivella e Damares e demais “aloprados”) é o bode que a plutocracia pôs na nossa sala para facilitar o avanço das “reformas”. Tudo indica que a plutocracia já está disposta a sacrificar no altar dos seus interesses o bode da sala. Tudo indica que já chegou a hora de os “aloprados” voltarem para a insignificância onde sempre se moveram, para abrir espaço para o retorno dos velhos profissionais de sempre do Centrão, cuja agenda é a do desmanche e não outra qualquer.
- No Rio, Crivella é um “aloprado” que já se tornou disfuncional, enquanto Paes é um lídimo representante do Centrão. Como dizer, diante disto, que a derrota de Crivella justifica o voto em Paes? Digo alto e bom som: Paes e Paulo Guedes são mais nocivos do que Bolsonaro, Damares, Crivella et caterva. É por isto que eu votarei nulo no domingo.
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