A destruição neoliberal, a esquerda e os “identitários”

Luiz Carlos de Oliveira e Silva (Professor de Filosofia)

  1. Desde o governo Collor, a plutocracia – sob o comando do seu núcleo duro rentista – está unida em torno do programa de destruição (1) dos fundamentos que sustentaram a modernização do país e (2) dos direitos sociais, como a legislação previdenciária e trabalhista.
  2. Desde Collor a agenda de destruição vem sendo sistematicamente aplicada, com velocidade e profundidade variadas, e jamais foi contestada por nenhum dos governos que vieram depois.
  3. A plutocracia abandonou a barca do petismo – onde todos ganhavam e ninguém perdia, segundo o mantra de Lula – quando viu em Temer a chance da retomada, em ritmo acelerado, da agenda de destruição que, de certo modo, ficara congelada durante os governos do PT.
  4. O governo Bolsonaro é a continuidade do governo Temer, com direito a Centrão e tudo o mais. Paulo Guedes viu no capitão a oportunidade de a obra de destruição chegar ao seu termo, e conseguiu convencer parcelas significativas da plutocracia disto, para o desespero de tucanos e petistas, expulsos do colo carinho dos bacanas.
  5. As “reformas” – o nome fantasia com o qual, desde Collor, se disfarça a obra da destruição– obedecem à lógica da exploração das mineradoras, isto é, explorar e espoliar ao máximo até transformar tudo em uma imensa cratera… Este é o objetivo da agenda de destruição ora em fase terminal de aplicação.
  6. O quadro político que se formou com a imposição do golpe do “impeachment” constituiu a conjuntura mais grave de toda a nossa história republicana, o que vale dizer: os interesses nacionais, populares e democráticos do povo brasileiro estão sob um ataque jamais visto. E como se encontra a esquerda nesta hora tão grave? Minha resposta: no pior momento de sua história.
  7. A esquerda encontra-se sem diagnóstico da crise, sem programa, sem credibilidade aos olhos do povo pobre, sem militância de base, dominada por uma burocracia infernal. A esquerda hoje vive de eleições e sua atuação está limitada a denúncias, em geral de caráter moral, por parte dos mandatos e das “mandatas”.
  8. Na última década, quem mais animou as ações da esquerda foram as lutas dos movimentos identitários. Acontece que as reivindicações dos movimentos identitários são demandas de reconhecimento e fazem parte das assim chamadas políticas de inclusão social. Por isto elas não estão orientadas para confrontarem a agenda de destruição da plutocracia.
  9. As políticas de inclusão social são importantes, claro, mas não têm o poder de reverter o quadro de destruição no qual nos encontramos. É por isto que é importante dizer, alto e bom som, o seguinte, sem medo das palavras: centradas em sua pauta particular, como se encontram, as lutas dos movimentos identitários não guardam contradição com a destruição neoliberal em curso.
  10. Já disse isto aqui e repito: o problema não está nas lutas identitárias, o problema está, a meu ver, no fato de a esquerda vir, praticamente, se limitando às lutas por “inclusão social”, renunciando, lamentavelmente, ao enfrentamento das questões de fundo, sobretudo da agenda de destruição neoliberal em curso desde Collor. Sobram bolhas e “cancelamentos”, faltam compromissos com o nacional e com o popular. E a cratera, esta, maior a cada dia…

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