Por que Ciro vacilou no Roda Viva?

POR QUE CIRO VACILOU ONTEM NO RODA VIVA?
Luiz Carlos de Oliveira e Silva

1. Na entrevista no Roda Viva de 2018, onde ele deu um verdadeiro show, Ciro Gomes não teve medo de enfrentar, como todo estadista deve fazer, questões difíceis como a situação da Venezuela, dentre outras.

2. Ciro deu mostras naquela ocasião, como todo estadista deve fazer, de que não se submeteria à pauta conservadora e aos preconceitos estimulados pela grande mídia. Estadista agem assim, impondo-se, como Ciro fez naquela memorável entrevista…

3. Ontem, ele não se houve bem quando confrontado acerca de seus posicionamentos, digamos assim, mais radicais. (A explicação que deu para a sua antiga opinião acerca da Venezuela foi lamentável. Falar em inglês e em francês, então, foi mais do que lamentável…)

4. Ciro, a meu ver, deu mostras de que não está seguro quanto à identidade com a qual ele deve se apresentar à sociedade. Este é, me parece, o busílis… Ele é “explosivo” ou não? Ele é “radical” ou não? Ele é de esquerda ou não?

5. Ontem, ele oscilou o tempo todo, tentando capitalizar o lado “explosivo”, “radical”, de esquerda, quando isto lhe era vantajoso, e negando estas mesmas características, quando isto lhe era desvantajoso. Os jornalistas – eles estavam lá para isto mesmo – souberam explorar muito bem esta oscilação de Ciro, e ele acusou o golpe, demonstrando irritação.

6. Esta insegurança quanto à identidade com a qual ele deve se apresentar à sociedade, somada ao desconforto com o “formato teleconferência”, explica, a meu ver, o mau desempenho de Ciro na edição de ontem no Roda Viva.

7. A conjuntura exige a figura do estadista. Estadista é aquele que – consciente da sua identidade, e fazendo dela o seu principal trunfo – não se curva diante da pauta conservadora e dos preconceitos estimulados pela grande mídia. O estadista se impõe…

8. Ciro ontem deu mostras de que não é ainda o estadista que a hora exige. Ele pareceu alimentar o sonho impossível de ser, ao mesmo tempo, ele e o seu contrário, a depender das circunstâncias. Erro no qual Brizola, por exemplo, jamais incorreu…

9. Lamentável também, a meu ver, foi a sua patética insistência em se “diferenciar” do PT a todo custo. O PT já não está mais em questão, desde a derrota do “plano B”. Esta insistência já está beirando a histeria…

10. Ciro deve decidir se quer apenas ganhar as próximas eleições – e ser mais um dentre tantos –, ou se quer ser o estadista que a hora está exigindo. Caso ele opte por ser o estadista que a hora está exigindo, ele deve, a meu ver, aceitar o fato de que a sua identidade tem que residir no “explosivo”, no “radical” e no “esquerdista” que os conservadores insistem em lhe atribuir.

Luiz Carlos de Oliveira e Silva, professor de filosofia

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