A Crise se anuncia bruta

A CRISE SE ANUNCIA BRUTA
Luiz Carlos de Oliveira e Silva

1. Eu moro na rua Figueiredo Magalhães logo depois da rua Tonelero, região de classe média-média… Houve um pequeno panelaço nesta quarta-feira à tarde e às 20:30hs, o barulho foi grande, mas menor do que o maior panelaço contra Dilma.

2. Nisto tudo, o mais importante a notar, a meu ver, é que os panelaços de ontem e de hoje mostram o início de um litígio entre Bolsonaro e setores importantes da classe média. Tudo indica que este litígio é um caminho sem volta.

3. A este desconforto de setores da classe média somam-se os sinais que a plutocracia vem emitindo de descontentamento crescente com a condução da política e da economia por parte do governo federal (a recente atuação de Mônica de Bolle, Armínio Fraga e André Lara Resende tiveram este sentido…).

4. O apoio a Bolsonaro tende a ficar reduzido às bases de algumas igrejas neopentecostais, à extrema-direita fascistóide e às forças militares, o que é pouco para ele se sustentar durante a crise que se anuncia bruta e longa.

5. É possível já ver no horizonte qual será a configuração de um inevitável quadro pós-Bolsonaro? Acredito que não, já que a crise, como disse, se anuncia bruta e longa, não só aqui como alhures.

6. Os efeitos da crise – que é multifacetada – são imprevisíveis, não sendo descartável nem mesmo a hipótese de ingressarmos numa situação de anomia, isto é, numa situação de “falência múltipla dos órgãos” da nossa sociabilidade.

7. Temos no horizonte do possível um colapso do sistema de saúde conjugado com uma crise econômica em precedentes, com recessão, desabastecimento, ataque especulativo contra o Real, “crack” da bolsa de valores etc., o que pode “zerar o jogo”. Com o “jogo zerado”, quais são as forças mais capacitadas para reerguer o país?

8. Antes da crise, o quadro estava mais claro, com o Grupo Globo – o “núcleo duro” da plutocracia – como sempre pontificando tanto na oposição quanto na situação. (O GG mete o pau no presidente ao tempo em que apoia resolutamente a política de desmanche do Estado e dos direitos, em curso desde Collor.)

9. Bolsonaro seria muito provavelmente defenestrado em breve, mas o seu sucessor, com o apoio do GG, certamente daria continuidade à política de desmanche iniciado por Collor. Contudo, a crise provocada pelo novo corona vírus pode colocar, aos olhos de parcelas expressivas do povo, rapidamente em descrédito a cantilena neoliberal.

10. Muitos já começam a perceber a extraordinária importância de um SUS, por exemplo… Por isto, além dos muitos milhares de mortos, o neoliberalismo pode ser a grande vítima do corona vírus, aqui e alhures.

11. Antes da crise do corona vírus, o país estava sob o maior ataque de sua história, sem praticamente oposição. Nunca, no passado recente, foi tão urgente a necessidade da construção de um bloco de oposição claramente comprometido com os superiores interesses nacionais, populares e democráticos do povo brasileiro.

Luiz Carlos de Oliveira e Silva, professor de filosofia

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