Ressurreição (no Terreiro D.E.): só “volta” quem um dia “se foi”, Maria…

Com você é natural… e o faz de forma brilhante. Os elementos geopolíticos da crise, a impecável análise do emaranhado institucional, a aterrorizante compreensão das armadilhas que podem blindar o golpe no day after, o “sorriso da Mona Lisa” que descreve tão bem o enigma do papel das Forças Armadas… Maquiavel na veia!

 

Trecho — complementado! — do artigo “Maria-Ariclê Grey detona: “‘Primadonna’ do D.E. se queimou! Só falta nude agora…”. Falta?“, de 8/fev/2020, de “Romulus Maya”:

(…)

“Maria” surgiu numa seção de… comentários!

De um artigo meu… publicado, claro!

(e, portanto, não enterrado por um plagiador prospectivo…)

Bem, “Maria” ali surgiu para nunca mais sair da minha vida…

Mas como — como! — demorou a entrar! Nossa, que aflição…

Quem me acompanha desde aquela época (início 2016) sabe, bem, meu desespero para descobrir quem — raios! — era uma tal “Maria” (e só “Maria”!), leitora não registrada, que fizera um único mas — avassalador! — comentário a um artigo meu de grande impacto sobre Luis Roberto Barroso. Perguntava em toda parte, em todo artigo que escrevia a partir daí: “cadê você, Maria?! Pelamor! Volte! Comente! Maria!!”

Pois demorou pelo menos, que eu me lembre, umas cinco semanas para ela reaparecer — casualmente, blasée e professoral… (rsrs) — em outra seção de comentários minha!

Até ali temia: nunca mais encontrarei essa mulher! PQP!

Pelo meu desespero você tira o nível — estratosférico — do único comentário que “Maria” fizera até ali, antes de voltar — blasée (rs) — para um segundo, depois das tais cinco semanas.

*

Atualização 9/fev/2020 — 17:21 — o tesouro desenterrado

Antes, o comentário de “Maria”, digo, o primeiro (“Deus? Terá sido o último?” — questionava-me aflito então), fora por mim levado diretamente à página principal do GGN, com todo o destaque, em publicação própria. Diferentemente da farsa Barroso, tratava-se de latim que prestava:

Pela segunda vez reproduzo no blog uma das ricas trocas que ele me possibilitou. Dessa vez o post que suscitou a troca foi o principal de ontem: “Reflexão sobre a coletiva de Dilma: o “Novo” enterrará o “Velho”?“. Entendo que o texto possa provocar reações, pois em mim mesmo ele as produziu.

É um chavão de quem escreve, mas no meu caso é totalmente verdade. Embora tudo que eu escrevi aqui até agora seja engajado e vise à produção – sem nenhuma grande pretensão, evidentemente – de efeito na realidade, é certo que primeiro eu escrevo para mim mesmo. E o resultado também me afeta.

Esse texto em particular tem um peso. Mas não sou eu quem carrega a mão. O que realmente pesa são as circunstâncias que o motivam e as conclusões a que conduz. Além, é claro, de tocar a tragédia humana – em sua dimensão individual e coletiva. O agora e o intertemporal.

É em vista dessas dimensões que o comentário dessa leitora especial me tocou em particular. Creio que o texto a tocou de forma semelhante a que tocou a mim, embora nossas vivências sejam tão distintas.

Ao comentário de “Maria”:

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Dilma e o golpe

Prezado Romulus
Lia seus posts ocasionalmente no GGN e depois, à medida que se tornavam mais frequentes, fui atrás de você no twitter. Para meu espanto, constatei o quanto você é jovem. E naturalmente espantei-me mais ainda com sua clareza de visão da política, a abrangência dela, sua rapidez de raciocínio, a sutil erudição que sustenta sua ironia. E rendi-me em admiração e respeito à coragem de sua decisão de usar tudo isso como arma de luta pela nossa frágil democracia, mesmo estando tão longe.
Sou leitora diária do GGN e muitas vezes não concordo com os comentários, às vezes nem mesmo com as criteriosas análises do Nassif [(!)], mas poupo-me de entrar nos debates. Sou de outra geração, vivi 64 na carne e depois de lecionar por mais de 30 anos na Universidade de São Paulo (15 deles dedicados à Ciência Política e outros 7 à Antropologia, passando, entrementes, por estágios europeus e americanos dedicados à Filosofia e à Sociologia), cansei-me de tentar explicar coisas difíceis que seriam longas de se entender, como sempre fiz para meus alunos.
Pois você não (é natural…), e o faz de forma brilhante. Os elementos geopolíticos da crise, a impecável análise do emaranhado institucional para o qual caminhamos com a fusão partidária de Legislativo e Executivo, a aterrorizante compreensão das armadilhas que podem blindar o golpe no day after, o “sorriso da Mona Lisa” que descreve tão bem o enigma do papel das Forças Armadas… Maquiavel na veia, somado à sustentação sólida do seu saber jurídico.
Mesmo com tudo isso, não me animava a comentar seus posts brilhantíssimos. Hoje, porém, não resisto a demonstrar-lhe minha admiração e gratidão por sua análise sobre o significado do discurso heroico de Dilma Rousseff,
 às vésperas de entregar-se mais uma vez ao sacrifício.

[Nota D.E.: tá vendo? Sim, este “gênio” aqui também erra… Dilma Rousseff… ?]

Com ele poderiam esvanecer no ar também a esperança e os sonhos de toda uma geração, que é dela e minha, e que participou com convicção e alegria da construção dessa sociedade menos desigual e mais justa que começamos a vislumbrar a partir do primeiro governo de um novo e admirável Príncipe chamado Luis Inácio, agora correndo o risco fatal de vir a desaparecer .
Mas eis que você recoloca o discurso da Presidenta em sua verdadeira dimensão, para além da “eficácia” política imediata (tão fácil pensar na “conquista e manutenção do poder” como único objeto da política, e assim culpar a vítima pelos seus “erros”, poupando os algozes, ainda que Maquiavel nos tenha ensinado tanto sobre a honra que nem sempre acompanha o poder…).
É certo que esse discurso de retidão e coragem deva ser tomado como legado às gerações futuras. É uma forma de dar continuidade à esperança, na compreensão de que a luta de tantas gerações passadas não foi em vão e que, por mais longa que seja, deverá permanecer na ação dos jovens de hoje, como dever e honra indeclináveis da conquista da dignidade humana.
É pela sua generosa perspicácia de compreender tudo isso e traduzi-lo para os que virão, que hoje eu agradeço a você, Romulus, e a todos os que hoje não esmorecem no combate. Não haverá golpe (mesmo que ele já tenha sido dado), Já há (e continuará a haver) luta. Obrigada, meu jovem amigo.

*************

Resposta de ‘Romulus’:

[Nota D.E.: Sim, sim… olha como “Romulus Maya” sempre soube “escrever direito”, sim… ?]

Cara Maria,

Fiquei bastante tocado com as suas palavras. Só as vi agora, pois não recebo notificação de respostas a menos que sejam deixadas por usuários cadastrados. Creio que levou um tempo, pela mesma razão, para a sua resposta ser liberada.

De qualquer forma, mesmo parecendo um pouco cabotino – pelos exagerados elogios –…

[Nota D.E.: Sim, minha mamãe me ensinou a ser modesto, sim… mas escolho quando, onde e com quem… ?]

… vou repercutir o seu relato no meu blog. Como vc mesma diz, é oportunidade rara em que vc se anima a comentar. Vamos aproveitá-la. Os demais merecem ver o seu comentário,…

[Nota D.E.: olha o “millennial” “oversharer” e “socializante” já dando as caras… ?]

… porque traduz exatamente o que proponho no post: a dimensão histórica e o dialogo inter-geracional para a (re)construção da nacionalidade e o avanço do processo civilizatório no nosso país.

Embora vc me considere jovem, creio que a minha “Ordem Constitucional” era também essa que agora está em xeque. Foi sob o sistema de 88 que eu cresci, amadureci, votei pela primeira vez aos 16 e, finalmente, foi esse o sistema que eu estudei. Na faculdade e na vida.

Sempre soubemos de suas muitas limitações. Mas nunca esperamos a sua completa subversão e corrupção. E, no que para mim é mais cruel, com a manutenção hipócrita das aparências. Seja pelas hienas, seja por pessoas probas que não arriscam a atitude corajosa que estes tempos pediriam.

Se o coração do sistema já parou de bater, pode ser que ainda leve anos para que as máquinas que mantêm a aparência de vida sejam desligadas. Mas não tenho dúvida de que as rachaduras que esse estupro institucional deixa nas suas fundações trarão a sua superação mais cedo ou mais tarde.

Espero que não leve tantos posts para podermos contar com as suas palavras novamente.

[Nota D.E.: pois fiquei 5 semanas no escuro!]

De qualquer forma, fico muito envaidecido de ver quanta atenção vc deu aos meus textos, captando a essência de cada um, que vc tão bem resume.

Já falei isso em algum lugar. Mas, se encontrar o amálgama Temer/Cunha um dia, pode ser que, à la Wyllys, eu nele cuspa – nem que figurativamente. Mas depois disso eu o agradecerei por, com sua vileza, ter me empurrado para a escrita em um blog. Só assim pude organizar melhor meus pensamentos, trabalhar meus sentimentos sobre o momento atual e – principalmente – ter trocas tão ricas com o público de primeira qualidade daqui.

[Nota D.E.: o tal “presente do Golpe”]

Mais uma vez obrigado.

[Nota D.E.: adivinha quem correu para mostrar a “estrelinha” que a Professora colocou no caderninho da criança, toda boba, para a mãe?]

*

Assim como Maria, vários leitores — “proto-expressonautas”? — com seus comentários lá no GGN escreviam “junto comigo” os artigos seguintes, num processo de retroalimentação e polinização cruzada. Web 3.0, meus caos!

Pois então!

Veja se eu, lá, ia ficar naquela bagaça, sem suprir-me de tais comentários porque o desonesto Luis Nassif não queria trabalhar e/ ou não sabia mais analisar a realidade?

Ora, comentários?

Primeiramente, para mim!

Para o meu gozo!

O meu mais que justo “pagamento” pelo “serviço” prestado!

Mas, principalmente, comentários indispensáveis para eu — e os demais! — decifrarmos cada vez melhor o mundo!

E para crescer!

Na verdade, crescermos… juntos!

E em rede!

Sim, essa “onda” de “rede” começou lá, com esses “proto-expressonautas” pioneiros… (rs)

(…)

*

*

*

Veja o artigo completo em: Maria-Ariclê Grey detona: “‘Primadonna’ do D.E. se queimou! Só falta nude agora…”. Falta?

 

 

 

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.