Segundo turno: traidor tem redenção? Pode des-trair? Ou só dis-trair?

Por Romulus Maya, para o Duplo Expresso

  • Antecedente – o trágico 7 de abril em que, contando com indispensável traição, o Golpe nos tirou Lula: “TODO TRAIDOR UM DIA SERÁ TRAÍDO” – TABACO. Ou melhor, do ator Osmar Prado para Lula, em bate-bola nada espontâneo.
  • Pergunta fundamental: traidor tem redenção? Pode des-trair? Ou só dis-trair? – o resumo do massacre “eleitoral” (sic). E também de nossas perspectivas no segundo turno.
  • Mais: o “surpreendente” (?) papel do whatsapp nesta nossa Guerra Híbrida.
  • E o fim: se Haddad casar com Globo/ “Mercado”, Bolsonaro abocanha Nordeste (e também as periferias das áreas metropolitanas do Centro-Sul).

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“TODO TRAIDOR UM DIA SERÁ TRAÍDO” – TABACO

Ou melhor, do ator Osmar Prado para Lula, em bate-bola nada espontâneo:

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Traidor tem redenção? Pode des-trair? Ou só dis-trair? – o resumo do massacre “eleitoral” (sic). E de nossas perspectivas no segundo turno

 

 

 

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Programa da noite de domingo:

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Programa do dia seguinte ao massacre:

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O WHATSAPP NA GUERRA HÍBRIDA

 

 

SE HADDAD CASAR COM GLOBO/ “MERCADO”, BOLSONARO ABOCANHA NORDESTE

(e as periferias das áreas metropolitanas do Centro-Sul)

Por Piero Leirner, PhD, para o Duplo Expresso

Quem viu ontem a “live” do Bolsonaro? Repararam que ele não fez o “tradicional discurso” com correligionários e festa? Que ele apareceu lá numa porcaria de vídeo com o Paulo Guedes do lado parecendo um boneco de cera? Pois bem, tudo isso é PENSADO.

O ponto não é pegar O QUE ele disse, mas COMO ele disse. Esse smartphone é o “x” da questão; é a ideia, que “ele” (sim, entre aspas, porque não é ele, é sua assessoria militar) está tirando todo o poder das emissoras de TV e passando esse poder para seus “propagadores da rede de whatsapp”. E o que significa isso? É uma tática de “empoderamento” em que se utiliza uma espécie de “transferência horizontal” de sua autoridade carismática para a sua rede de colaboradores. Isso é o que se faz em células de combate, por exemplo, no oriente médio, deixando a hierarquia invisível. Podem ver que a qualidade horrível do vídeo tem um duplo objetivo: não consumir a banda larga das pessoas e permitir seu envio e download de forma rápida.

Por esse mesmo motivo ele fala em fraude mesmo ganhando, e tendo TSE e STF na mão. A ideia toda é passar a mensagem que todo mundo está sendo enganado pelas instituições tradicionais e que somente a rede formada no “boca-a-boca” (ou melhor, celular-a-celular) é confiável. Trata-se, novamente, de uma estratégia de guerra. Por isso ele bate tanto nessa tecla de que ele é “anti-sistêmico”, e empurra cada vez mais o PT para o plano de um “parido do establishment”. Podem perceber que esse também é o discurso da Lava-Jato, que encarna o personagem do “juiz corajoso” que conseguiu desbaratar um esquema dos poderosos. Não é à toa que institucionalmente são essas corporações de Estado que estão bancando toda sabotagem a Lula e pavimentando o caminho do Bolso.

Se de fato Haddad selar um compromisso com a Globo e o “Mercado”, podem ter certeza que Bolso vai aprofundar essa tática e abocanhar os votos do Nordeste que ainda estão com o PT (aliás, as capitais já estão com Bolso). O PT corre o risco de assim repetir a façanha de Alckmin em 2006, perdendo votos do 1o para o 2o turno. Qual a possibilidade de passar a perna nessa estratégia? Vamos lá.

Repararam como Bolso sequestra a pauta do “empoderamento” dos movimentos de esquerda e torce ela? Quando ele diz que o verdadeiro empoderamento feminino é dar uma arma para uma mulher em casa, mais uma vez ele está dizendo que está transferindo uma parcela do poder do Estado para a pessoa. Isso “empodera” muito mais, do ponto de vista da maior parte das mulheres, do que a “garantia” de uma “justiça” que não existe: “protege o bandido”. Ele tem a justiça na mão, e o tempo todo fala contra ela. Pois é exatamente aí que Haddad tem sua “janela de oportunidade”: assumir a defesa de Lula e mostrar como o Judiciário é coligado a Bolsonaro.

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ƒ0D€µ!

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EM “CAMPANHA MILITAR”, BOLSONARO USA OPERAÇÕES PSICOLÓGICAS DE GUERRA HÍBRIDA

Aí vão algumas dicas de quem está vendo o outro lado agir como uma “campanha militar”, e não exatamente política. Talvez seja tarde para dizer essas coisas, mas no 2o turno essa guerra aumentará sua intensidade. Deixo aqui então uma contribuição para o anti-Bolsonarismo.

– Tática do Bolso é mentira e dissimulação. Isso vocês já sabem bem. O problema IMEDIATO é o COMO eles mentem, e não SE eles mentem. Já sabemos que não vai ter como desmentir tudo.
– TUDO QUE SE FALAR CONTRA BOLSONARO SERÁ RESPONDIDO POR ELES COM SINAL TROCADO. Não adianta acusá-lo de “roxo” achando que vai forçá-lo a dizer “amarelo”, pois é mais provável que ele responda “uva”.
– Por isso, insisto de novo: eles estão usando táticas de Operações Psicológicas que estão em manuais de guerra de 3a e 4a gerações (assimétrica e híbrida). Cansei de ver isso. É a filigrana dos “Human Terrain Systems” norte-americanos, usam muita psicologia, linguística e antropologia. E não tem marqueteiro, é uma tática de dissipação, e os agentes, ao assimilá-la, dão prosseguimento ao formato. Então vamos lá, alguns pontos interessantes sobre isso:
1) a maior parte da informação deles é passada em rede. Isso não se deveu só aos 8 segundos de TV, mas ao fato de que essa ferramenta desestabiliza os canais tradicionais e traz um “empoderamento” ao “cidadão comum”. As teorias da guerra híbrida usam as redes de comunicação descentralizadas para desestabilizar nações; desestabilizar uma campanha eleitoral de adversário é fichinha. Não sei se é eficaz a essas alturas responder apenas no sentido de “negar as fake news”, tem que produzir um contra-discurso (não estou sugerindo fakenews, é claro) que opere na mesma lógica;
2) essa estrutura de rede foi muito bem aprendida pelas FFAA norte-americanas no Iraque e Afeganistão. Não tem cabeça, elas operam de forma mais ou menos autônoma. Não duvido que a essas alturas o bolsonarismo já é um tanto independente do seu emissor central: as redes estão fazendo campanha por si próprias, e agem como estações repetidoras umas das outras. Como a maior parte delas é semi-fechada e independente, e só mantem conexões parciais entre si, isso garante a sua eficácia: se uma “célula” cai, outras ocupam o espaço;
3) a descentralização e horizontalidade dessas redes criam essa sensação de maior amplitude, indestrutibilidade, resiliência, e, o que é mais importante, resistência à comunicação exterior que venha de um emissor que atua em outra esfera de consagração; por exemplo, a Globo, a campanha eleitoral. Tudo vai ser “mentira”, só se aceita aquilo que está na própria “célula” e em outras “confiáveis”. Não adianta dizer que a Veja é de direita e publicou aquela matéria: trata-se de uma “imprensa suja e esquerdista”, toda ela. É preciso entender que para esse mecanismo funcionar ele precisa abandonar toda emissão de signos “de fora”. Lembra do Matrix? Pois é.
4) ao mesmo tempo, é preciso perceber que eles não abandonam totalmente uma referência aos centros. No entanto, estes são etéreos: toda essa tática é fundada na ideia de que eles visam um “bem maior”, moral, Deus , família, etc. Por isso mesmo esse pessoal vai bater muito na tecla do identitarismo, trata-se de jogar o adversário para a ideia de que ele só quer representar “grupos pequenos”. Para cada vez que você falar “mulher”, eles vão responder com uma “perversão para a família”, tipo “mulher lésbica”. Manuela será o principal foco de ataque nesse campo, pela história política dela. Vão bater que ela é comunista e traz o “perigo vermelho”. Vão abusar da Venezuela. Não adianta responder com “Finlândia”. Mas é possível, por exemplo, mostrar alguma foto de Manuela fazendo turismo na frente de uma igreja na Europa. Quando eles vierem com “kit gay”, vocês contra-atacam com Haddad jogando futebol. O ponto é esse: quando eles vierem com a “uva”, vocês respondem com “suco”, não com “banana”. É básico, nessas PsiOps, que sempre se opere com uma “shifting scale”, tirando o pé da referência que o emissor inimigo enviou, e sempre com mensagens subliminares. Por exemplo, mostre a cena de uma caminhada de Haddad e Manuela pela rua, passando por um muro com uma imagem do palhaço Bozo. Depois é só deixar o apelido colar no próprio fora de nossas redes.

O que fazer para minar essa tática é realmente um problemão. Certamente há muita coisa para resolver em uma campanha, estou longe de saber como se faz isso. No entanto, se fosse seguir os manuais de contra-insurgência que pensam esses assuntos, sugeriria que se dedique alguns segundinhos a isto: atuar onde eles menos esperam, usar mensagens subliminares, fugir dos lugares que eles estão associando a vocês. Mostrem várias imagens do Moro com tucanos de black-tie, com militares, em paraísos fiscais. É preciso deixar bem claro que estes são agentes coligados, e que a situação atual de Lula se deve à política, que isso não tem nada a ver com justiça. Não adianta só falar, tem que mostrar imagens que sugiram por A+B essa história. Ela deve ser montada na cabeça das pessoas (e não vir pronta), elas têm que acreditar que chegaram a isso pelas próprias convicções. Outra coisa: é preciso passar, de maneira inconsciente, a ideia de que a “mudança” que Bolsonaro propõe não é “reestabelecer a ordem”, mas propagar o caos. Use e abuse da imagem de um vice-presidente que não aceita comando do seu chefe, e que Bolsonaro representa um perigo à hierarquia militar. Sugira que ele pode causar instabilidade nas Forças Armadas e que isso pode levar a um golpe (lembrando que é preciso conversar com os comandantes, e mostrar que isso representa um perigo real. Eles sabem disso, mas é bom se deixar claro que o lado de cá sabe também e que está preocupado com isso). Associe ele ao Collor, isso é fácil demais. Não precisa fazer essas coisas diretamente, basta jogar imagens, e deixar a nossa rede funcionar também.

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AD HOMINEM: FALÁCIA QUE NÃO FUNCIONA NEM “AQUI” – ONDE QUER QUE SEJA – NEM NA CHINA

 

 

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.