Pássaro Barroso
Texto por Carlos Krebs & Arte por Sama, para o Duplo Expresso:
Há uma fauna de avis rara ocupando os puleiros da justiciaria nacional. Dentre todas, há uma que se pia como a mais exúbere. Sua plumagem sedosa vale apenas como disfarce ao passado platinado.
O pavão é uma ave da ordem Galliformes, dos gêneros Pavo, Afropavo e Alopravo, e da família dos faisões (embora alguns se julguem pertencentes à família saudita do Rei Faisal).
Os pavões alimentam-se de biometrias, sementes, frutas e outros itens nutritivos que tenham liquidez garantida em paraísos fiscais. Mas o que eles gostam mesmo são os invertebrados, preferencialmente os lulas.
Os pavões exibem um complicado ritual de julgamento, no qual a cauda extravagante teria um papel principal, junto do latim e de outras pequenas línguas mortas. As características desta cauda, que chega a ter dois metros de comprimento e abre-se como um leque, não têm qualquer utilidade cotidiana para o animal, assim como os babados perfumosos em seus metacarpos. Serviriam apenas como um exemplo de seleção genética ou meritocracia, dependendo se discursam aos seus pares animalescos, ou aos populachos.
No Brasil, há uma semelhança muito grande destes com as aves de rapina, com a diferença que o Pavão suprema nacional drena todo o fluido vital de sua vítima antes de negar-lhe quaisquer habeas corpus ou embargos infringentes. É raramente chamado por seu nome indígena pytá, mas quando ocorre, isso lhe faz corar as plumas de madeira da face.
Saudações Samânicas!
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