45 Anos do Golpe Militar no Chile

Por Lejeune Mirhan e Carlos Krebs, para o Duplo Expresso:

Uma parte do mundo hoje falará dos 17 anos dos ataques às torres gêmeas nos EUA, onde morreram cerca de três mil pessoas. E eu respeito essas pessoas e reverencio a morte de todos [os e as] inocentes tombadas naquele fatídico dia…

No entanto, permitam-me relembrar um outro 11 de setembro, também este trágico, que ceifou, nos anos seguintes, mais de 50 mil vidas em um país sulamericano.

Trata-se do golpe militar perpetrado pelo fascista Augusto Pinochet, contra o socialista e eleito democraticamente pelo povo chileno, Salvador Allende. O poeta Pablo Neruda abriu mão de sua candidatura para que Allende vencesse o pleito de 1970, pois ambos eram marxistas que sonhavam uma América Latina mais justa através do socialismo. Aliás, por ironia da história, hoje teremos a homologação de Haddad/Lula com a vice comunista Manuela D’Ávila, que vencerão as eleições presidenciais no Brasil…

Reverencio aqui a memória de Allende e Neruda… e dos mais de 50 mil chilenos assassinados pela ditadura sanguinária fascista que tem, em nosso país nos dias atuais, muitos seguidores e um candidato à presidente… apesar disso, venceremos!!!

Adelante, compañeros!!!

Abraços do Prof. Lejeune Mirhan

Palacio de La Moneda sob Bombardeio por EFE e Governo Chileno

 

Última foto de Allende vivo por Orlando Lagos

 

 

Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre esta fatídica data, há um “documentário-ficcional” francês, rodado na capital Búlgara – Sofia, dois anos após os acontecimentos ocorridos no Chile. Trata-se do “Chove sobre Santiago” (Il pleut sur Santiago), de Helvio Soto em 1975, e que tem como responsável pela trilha sonora o argentino Astor Piazzolla.

O nome poético do filme é o mesmo da operação engendrada conjuntamente pelas forças reacionárias do Chile com o suporte dos Estados Unidos, através da CIA. A operação “Chove sobre Santiago” ocorreu dentro do âmbito da grande “Operação Condor”, que estendia suas asas por toda a nossa América.

O filme mostra um jornalista que roda seu veículo pelas ruas de Santiago ao longo de um dia chuvoso. Ele acompanha a estranha movimentavão de tropas e veículos militares enquanto vai escutando as notícias que a imprensa divulga pelo rádio.

Graças a isso, é possível fouvir o último discurso do presidente Salvador Allende, transmitido desde o Palácio La Moneda completamente cercado pelos tanques. Há cenas mostrando o bombardeio da sede da Presidência da República e o uso do Estádio Nacional como um presídio gigante para os “subversivos”.

O filme ainda mostra aquele que talvez tenha sido o único manifesto político permitido no país depois que Pinochet tomou o poder: o enterro do poeta chileno Pablo Neruda, cerca de duas semanas depois do golpe. Claro, depois do enterro, inúmeros políticos que participaram do ato foram engrossar os números de presos e desaparecidos…

“Chi Chi Chi  |  Le le le  |  Viva Chile”

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Lejeune Mirhan é sociólogo, escritor, pesquisador, professor e analista internacional. Colaborador da revista Sociologia da Editora Escala, e dos sites Duplo Expresso, Vermelho, Resistência e Fundação Grabois. Foi professor da UNIMEP por 20 anos. Presidiu o Sindicato dos Sociólogos do Estado de SP e a Federação Nacional dos Sociólogos. Tem nove livros editados, dos quais cinco sobre o Mundo Árabe.

Carlos Krebs é arquiteto, cinéfilo, explorador de sinapses, conector de pontinhos, e mais um que acredita que o Brasil ainda tem tudo para dar certo.

 

 

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