O regabofe da Carminha e a nova liturgia do cargo: “Quebra, ordinária!”

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Funcionando como um dos tentáculos do Regime Temer, a Ditadura da Toga esgota todos os dias as derradeiras possibilidades de resgatar algum fiapo de credibilidade e respeito aos olhos dos cidadãos que bancam este que é o mais caro e ineficiente sistema judiciário do planeta.

Um vídeo que circula desde ontem nas redes sociais revela um deboche de figuras do alto escalão deste judiciário que ignora a gravidade do momento vivido no país e faz questão de publicar banalidades para “lacrar” entre os assuntos mais comentados, no estilo “fale mal, mas fale”.

No seminário organizado pela ministra, Cármen Lúcia, presidente do STF (pago por nós), com o nome “Elas por Elas”, do qual a cantora Alcione participou, estavam também as “sambistas do vídeo”, a advogada geral da união – Grace Mendonça, a presidente do STJ – Laurita Vaz, a procuradora geral da república – Raquel Dodge e a dona do Magazine Luiza. Uma beleza!

“Não deixe o samba morrer”, cantam desafinadas e pouco entrosadas com este ritmo – conhecido internacionalmente como um forte traço característico do povo brasileiro – as “figuronas” da justiça. 

Uma empresária na farra, “jogada” entre as “figuronas”, consolida a nova PPP – Promiscuidade Público/Privada como a nova maneira de decidir os destinos dos trabalhadores e do nosso país. Tudo em um único vídeo.

Não há aqui espaço para os bajuladores que dirão que “o samba é de todos”. Estamos inseridos num dos piores momentos da nossa vida política. Isso se deve exatamente ao fato do judiciário brasileiro ter sido transformado em um escritório de advocacia do 1%.

O regabofe da Carminha, com dinheiro público, revela que a famosa “liturgia do cargo” agora é um concurso para escolha da bailarina do Faustão. Mesmo cantando muito mal e sambando como um gringo, as “figuronas” da justiça sambam em cima dos brasileiros. Principalmente dos pobres do morro, os alvos mais visados no holocausto dos pobres em curso no Brasil sob a batuta dos togados.

Cármen Lúcia está escrachada e deslumbrada com o poder. A promiscuidade dos poderes, ministério público PGR (que denuncia), sambando junto com (quem julga) STF e ao lado de uma empresária que pode ser beneficiária de todos eles. Não existe imparcialidade. Com esta farra da justiça, este vídeo escancara a promiscuidade entre os poderes da república e o setor privado.

O simbolismo da cantora Alcione nisso tudo é a “cereja no bolo” do mesmo vídeo. A cantora que já foi vista como uma mulher comprometida com a democracia, agora surge como uma feliz capitã do mato entre os algozes do povo, sobretudo o negro, que a ajudou a ter fama e dinheiro.

Enquanto isso elas sambam em cima também das ADCs sobre a inconstitucionalidade da prisão em segunda instância. Nunca é demais lembrar o ex-presidente Lula está preso injustamente com mais 14.000 mil pessoas aguardando julgamento.

Alcione comenta no seu Instagram: “Não tem como medir o prazer de estar na companhia dessas mulheres incríveis. Obrigada ministra Cármem Lúcia.” Realmente, Alcione! Não tem como medir.

Na festa das golpistas depois do aumento de salário em 17%, a música bem que poderia ser a de outra negra, a falecida – e eterna – Aparecida:

Com sua sagrada permissão, nossos trabalhos iremos começar!

Foram dezessete anos, dezessete, sete, sete

Foram dezessete anos, dezessete, sete, sete

Se o destino andando, dezessete meu freguês

Dezessete eu esperei, dezessete eu desesperei

Foram dezessete anos, dezessete, sete, sete

Foram dezessete anos, dezessete, sete, sete”

O vídeo para “lacrar”

Quem publicou o vídeo foi Alcione. Como sabemos, jamais isso seria feito sem a permissão (e aconselhamento) das “chefonas”. Só faltou chamar o “Compadre Washington” para ele “cravar” com um grito às “chefonas”: “quebra, ordinária!”

O certo é que enquanto Cármen Lúcia canta e samba, 26,4 milhões de pessoas estão desempregadas, houve aumento da mortalidade infantil depois de 15 anos, 52 milhões de brasileiros estão abaixo da linha da pobreza, 61, 7 milhões de brasileiros estão com o nome negativado, segundo SPC. E vai piorar! “Quebra, ordinária!” (Compadre Washington)

Isso sem contar que a animada Cármen Lúcia não moveu uma única palha para minimizar a inconstitucional e desumana situação das 726 mil pessoas nas superlotadas masmorras medievais. Pelo contrário, ainda aumentou este contingente com a condenação em segunda instância.

A ministra Cármen Lúcia gosta dos holofotes da Globo. Nitidamente incompetente, desprovida de notório saber jurídico, é uma magistrada medíocre que não está à altura do cargo que ocupa. Aliás, como a maioria dos ministros do STF. Deve ter sido fácil cooptá-la.

Durante a sua gestão na presidência do Supremo Tribunal Federal, o seu maior feito foi acabar com a presunção de inocência, cláusula pétrea, rasgando a nossa constituição. Foi peça chave para a efetivação do Regime Temer e para manter o ex-presidente Lula preso.

“Quebra, ordinária!” (Compadre Washington)

 

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.