Uma Ponte para o Futuro na Era da Pós-Verdade: uma análise sob a ótica do desenvolvimento econômico – Parte V
Por Hélio Silveira¹, Gustavo Galvão² e Rogério Lessa³
O Quinto Ato: Conclusões Desenvolvimentistas
Aviso aos brasileiros: a verdadeira ponte para o presente e futuro já está construída e não é a “ponte para o futuro … sem luz!”. A real está situada sobre a Av Chile, no RJ: é a passarela que liga a sede do BNDES à sede da Petrobras! Por quê?
Vejamos:
1- No pós 2008, o mundo vive um pacto perverso: baixo crescimento denominado pelos liberais falsamente como “novo normal”. Por que falso? Porque escondem que as autoridades monetárias mundiais com a presença dos Estados Nacionais ao invés de se lançarem em um verdadeiro plano de reconstrução econômica com Gastos e Encomendas Públicas (tal qual Roosevelt em 33, optaram e continuam a dar dinheiro grátis para as finanças privadas valorizarem seus ativos financeiros especulativos. É notório o cuidado que as autoridades monetárias dos grandes países relutam em aumentar os juros para não desfazer o falso castelo de cartas do fraco equilíbrio mundial. Ao aumentar os juros podem revelar a crise anestesiada por fortes doses de liquidez. É fato que pararam com a política de doação aberta de dinheiro através do mecanismo do “quantitative easy”, mas é fato que não enxugaram e temem reduzir a liquidez resultante resultando na forte concentração de renda e riqueza dos 1% observada por importantes pesquisadores econômicos. É fato que o desemprego continua aberto, disfarçado por criação de falsos empregos de baixa qualificação. É fato que guerras no Oriente, refugiados na Europa e desemprego é resultante do “austericídio fiscal” que os liberais gostam de alardear como bons administradores pelo mundo. Em resumo: continuar a política de “doar&manter” dinheiro para ricos em detrimento da pobreza não é sustentável no horizonte próximo! É foco de instabilidade permanente, não é um “novo normal”!
2- No imediato pós 2008, o quê se fez no Brasil, no governo Lula?
Ao invés de “doar” dinheiro para salvar banqueiro, como no mundo, optou-se por colocar dinheiro no BNDES, um órgão fomentador de desenvolvimento, para ajudar empresas pegas no contra-pé (endividadas no exterior em operações ditas protegidas- “hedgeadas”), acelerar os investimentos na relevante e densa cadeia do pré-sal e da Petrobras e seu amplo entorno, manter o plano de aceleração do crescimento.
Resultante:
1- No mundo ocidental diferente do oriental a continuidade da manutenção da política de liquidez enriquece 1% e desalenta 99%.
2- No Brasil, a política de Lula tira o país do crescimento 0% de 2009 para 7,5% em 2010!
Resposta: Então a passarela que liga o BNDES à Petrobras sobre a Av. República do Chile/RJ é a verdadeira “Ponte do nosso Presente”! Na verdade, o PRESENTE revelado pelo discernimento e clarividência do presidente Lula!
Interesses externos
Que fique claro, extremamente claro, que fortes interesses externos e seus aliados internos, entenderam que a “Ponte do nosso Presente” consolidada em 2009, seria o caminho para a consolidação definitiva do Desenvolvimento Nacional Soberano! Ou seja, o que muitos brasileiros não perceberam: que a Petrobras (desenvolvendo o Pré-sal, soluciona nossa histórica dependência de divisas) e o BNDES (financiando, em moeda nacional, nosso desenvolvimento interno) um em cada lado da Ponte do nosso Presente, garantem a nossa Autonomia!
E isso não está previsto no papel de “Brasil Eternamente Dependente (o gigante eternamente adormecido ou anestesiado?)”! Então partem para desmanchar o Estado Brasileiro, através do desmanche do BNDES/Petrobras, isso é cristalino quando as atacam e querem a “doação” das Empresas Públicas pilares da Economia Brasileira. Junta-se a isso a “reforma da previdência” e a “precarização da legislação trabalhista” demonstra que eles querem retroceder todos os avanços conquistados pela Nação brasileira! Se conseguirem a resultante será: uma nação fraca vendendo suas riquezas a preços de liquidação (Perdas Internacionais explícitas!). O mundo agradece!
Então que nós, os brasileiros, saibamos:
- Não existiu ou não existe necessidade de constituir uma Dívida Bruta relevante. Mas ela existindo não é preocupante. Porque se não existe necessidade de manter um nível tão grande de poupança financeira (estéril) em mãos privadas, principalmente, em mãos dos banqueiros que se enriquecem sem risco, só com a rolagem, tarifas, diferenciais de taxas etc, ela pode perfeitamente ter parte monetizada e parte rolada, reduzindo o saldo e o custo se isso for necessário a qualquer momento. Se existir excesso de monetização, que derrube em demasia a taxa de juros, isso pode ser monitorado e corrigido pelo Banco Central em sua atuação diária;
- Se não existe necessidade do Estado, aliás qualquer Estado que emita moeda soberana, se financiar por Dívida Pública, como sempre foi dito como uma “pós-verdade” criada por banqueiros e/ou “rentistas” e se a verdade é que ela é constituída, apenas para oferecer um produto seguro de poupança ao público, então, não é necessário a taxa Selic “na lua”, vergonhosamente fora-da-curva de todos os parâmetros mundiais.
- A taxa Selic é alta porque foi fruto de uma “pós-verdade” de Estado Grande Inchado e Quebrado;
- Selic é alta simplesmente porque banqueiros e/ou “rentistas” que, conforme demonstramos, passaram a dominar a economia e o BC desde os anos 80, querem que seja alta.
- Selic é alta porque o Banco Central entra no final do dia, no interbancário, fechando as posições possivelmente abertas, eliminado o risco de volatilidade das taxas e mantendo a característica de aplicações pós-fixadas sem risco da época da correção monetária elevada. Se o BC deixar de fechar as posições diárias, seguramente com uma grande liquidez no sistema, dado a recessão, os juros cairão no médio prazo.
- Ao eliminar a “pós-verdade” do “Estado Inchado” e dependente de dívidas, e com a liquidez e crédito normalizados a economia girará novamente gerando mais Receitas Tributárias contribuindo para ter redução de Impostos.
- Bancos Públicos podem e devem atuar para melhorar a liquidez do lado real da Economia e ajudar a baratear o crédito.
- BNDES sempre será um financiador de longo prazo porque é da sua natureza, bancos privados comerciais têm aversão a longo prazo, preferem no máximo financiar giro e normalmente ficarem aplicados em títulos do Governo! Agora mesmo, diante de risco de inadimplência travam o mercado de rolagem.
- Análise de crédito de banco privado é completamente diferenciado de análise de projeto de médio prazo, então cada um, em sua raia de atuação, cada um, na sua especialidade.
- Bancos de Desenvolvimento e Eximbanks convivem com bancos comerciais em todos os países desenvolvidos, “com créditos direcionados (vide Santayana abaixo)”.
- Se normalizada a situação de liquidez e crédito e se as taxas se aproximarem não haverá necessidade de debates entre taxas e subsídios.
- Entretanto, os participantes da economia real sempre deveriam estar atentos contra a dominância das “pós-verdades” das altas finanças. Afinal os parasitas podem acabar matando o hospedeiro!
- Eliminadas as “neuras” das “pós-verdades” financistas e recuperado o raciocínio da economia real em funcionamento normal, pode-se de novo falar no conceito de dívida pública líquida. Então, veremos que nossa dívida em torno de 50% do PIB e à uma taxa Selic civilizada está em condições normais para um relançamento da economia. Veremos a importância de um controle de câmbio e o abandono do “tripé” das altas finanças!
- Que a extensa cadeia produtiva da Petrobras e o Pré-sal soberanamente retomados junto com o BNDES, com recursos do TESOURO, garantem, tal qual, já comprovado e testado, em 2010, a instantânea retomada e financiamento do desenvolvimento, a qualquer momento, e a autonomia definitiva com completa igualdade de renda!
Post Scriptum:
Mostramos, nesse conjunto de 5 atos, as razões, porque uma Nação que crescia a 7%a.a. retrocedeu para um crescimento baixo e desigual!
Desfizemos tecnicamente as “pós-verdades” quando afirmam que é um “Estado Quebrado” e que é necessário muito sacrifício e, infelizmente, desemprego!
Então se a nação brasileira libertar a Economia Nacional da condição de “rentista de mercado” e aumentar o giro dos negócios, bem como promover uma política desenvolvimentista de fomento industrial e resgate da dívida social que aumente o número de empresas nacionais produtivas dinâmicas e competitivas (inclusive externamente) e o nosso mercado interno, o PIB crescerá muito mais do que proporcionalmente à carga tributária.
Enfim: “Abaixo todas as “Pós- Verdades” que nos rodeiam que dizem que estamos quebrados e que precisamos vender nossas empresas e da “necessidade permanente da ajuda externa” e dos capitais internacionais!
Final
Entretanto, na situação atual, isso só poderá acontecer mediante um Governo Legitimo, estabelecido pelo amplo apoio popular e que implante um Plano Estratégico de Desenvolvimento e Resgate da Dívida Social, popular e soberano, que priorize todas as necessidades sociais de uma nação a ser desenvolvida no médio prazo, que dê continuidade à forte inclusão social iniciada, hoje ameaçada, e como consequência produza uma renda bem distribuída e uma Nação Reintegrada e Feliz. Que elimine o que Leonel de Moura Brizola sempre afirmou: “Eliminem as ‘Perdas Internacionais’ e Eduquem as Crianças!”.
Isso é perfeitamente possível quando:
1-Tecnicamente: voltarmos a controlar soberanamente a riqueza e os recursos intrínsecos de nossa nação: material e humano. Eles garantem e permitem o desenvolvimento econômico a qualquer momento que afastarmos o ilógico “rentismo” que nos ataca, desde 1983, ao cairmos nas “orientações benéficas” do FMI!
2- Politicamente: brasileiros autênticos, afastarem da economia o complexo de viralata que o auto definido nacionalista Nelson Rodrigues tão bem explicitava em suas crônicas: http://www.releituras.com/nelsonr_viralatas.asp
E ainda resta a “sempre e intencionalmente” esquecida disposição constitucional da Auditoria da Dívida!
Em homenagem a Mauro Santayana pelo texto: http://www.maurosantayana.com/2016/06/o-porta-avioes-bndes.html
https://4.bp.blogspot.com/-AExNf21Kmxw/V1RrLc31hhI/AAAAAAAAGX0/XuT6K9zR5PECe3Ig8mZXHuxcUPnJWWxrQCLcB/s1600/BND.PNG
Dialeticamente em homenagem ao debate democrático, encerramos mostrando duas opiniões:
- Ortodoxa: http://www.valor.com.br/brasil/4968016/investimento-so-vem-forte-apos-definicao-eleitoral-diz-arminio
- Heterodoxa: http://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2017/08/03/vivemos-uma-situacao-ditatorial-afirma-belluzzo
Hélio Silveira – Economista aposentado do BNDES
Gustavo Galvão – Economista do BNDES, doutor em economia pela UFRJ
Rogério Lessa -Jornalista Econômico da AEPET – Associação de Engenheiros da Petrobras
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