A “Câmara de Gás” de Félix Fischer – Parte II

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Para que você entenda melhor a “Parte I”, nesta segunda parte vamos focar no retrospecto dos fatos. Como trabalha em perfeita sintonia a organização criminosa Tucana de Curitiba e os seus muitos tentáculos, inclusive na imprensa. Uma engrenagem montada para fortalecer a estrutura que foi apresentada à sociedade como “a maior operação de combate à corrupção da história do Brasil”, mas que é apenas produto de um marketing sustentado principalmente pela Globo.

Comecemos pelo caso do advogado Roberto Bertholdo, ligado ao falecido deputado do PP José Janene, acusado de lavagem de dinheiro, tráfico de influência, entre outros crimes. Bertholdo é também acusado pela justiça do Paraná por compra de sentenças judiciais. Trata-se da Ação Penal Pública (Procedimento Criminal) 2005.70.00.029546-2, que corre na 2ª Vara Criminal de Curitiba, em segredo de Justiça.

É aí que entram dois filhos de ministros do STJ – Superior Tribunal de Justiça, Pedro Aciolli, filho do ex-ministro Pedro da Rocha Aciolli e Otávio Fischer, filho do chefão da Quinta Turma da “Câmara de Gás”, ministro Félix Fischer, relator da Lava Jato. Otávio Fischer comandava o esquema de venda de sentenças no STJ junto com Bertholdo.

Como Félix Fischer tornou-se relator da Lava Jato

O então desembargador Marcelo Dantas foi indicado pela presidente Dilma Roussef, para compor a quinta turma do STJ. O ministro Marcelo Dantas passou a ser o responsável pelos processos da Lava Jato, por ter uma postura mais garantista, foi uma água no chopp na quadrilha de Curitiba e passou a acusado de favorecer Marcelo Odebrecht, foi alvo de uma campanha difamatória com objetivo de tirá-lo da relatoria da Lava Jato, mas nada foi provado contra ele.

Em novembro de 2015 o ministro Marcelo Dantas havia votado pela prisão domiciliar de executivos da Andrade Gutierrez, causando um reboliço na Lava Jato e na imprensa. Numa armação de Fischer, acabou derrotado pelo restante dos ministros da quinta turma, todos sob influência do Himmler Tupiniquim. Como Fischer foi o primeiro a discordar, assumiu os casos da Lava Jato. Isto porque – com base no regimento interno do Tribunal – quando o relator de um caso é vencido pela turma em uma votação, o primeiro a divergir do voto tornar-se o novo relator.

Fator Tacla Durán

O ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran, denunciou um grande esquema de corrupção em torno da Operação Lava Jato. Comércio de delações premiadas, proteções, extorsões, tráfico de influência e seletividade nas decisões da Força Tarefa, tudo sob o comando do juiz criminoso Sérgio Moro.

Em depoimento feito na audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Tacla Duran afirmou que o esquema de corrupção da Força Tarefa da Lava Jato movimenta milhões de dólares e também pôs em xeque a veracidade de provas apresentadas pela Odebrecht a partir dos sistemas de planilhas Drousys e MyWebDay – largamente utilizados pela Lava Jato para condenar réus.

Tacla Duran garantiu, com base em perícia feita na Espanha, que o sistema de planilhas que controlava as propinas pagas pela Odebrecht a autoridades foi adulterado antes do início da investigação da Operação Lava Jato.

Venda de proteção

Como o denunciado em diversos programas e textos desta página (Duplo Expresso), inclusive com o áudio exclusivo de uma fonte do TI da Odebrecht, além de fraudes nos sistemas eletrônicos de contabilidade da Odebrecht, Tacla tocou no ponto vulnerável de Sérgio Moro e, naquele momento, ainda desconhecido: o seu amigo, padrinho de casamento e ex-sócio de sua mulher, Rosângela Moro, o advogado Carlos Zucolotto Junior.

De acordo com Tacla Duran, Zucolotto ofereceu a ele, exatamente no momento em que o ex-advogado da Odebrescht negociava uma delação, a venda de proteção na Lava Jato. Segundo Tacla, Zucolotto propôs uma redução de US$ 10 milhões da sua multa, que cairia de US$ 15 milhões para US$ 5 milhões, mediante o pagamento em uma conta bancária em Andorra.

Tacla Duran afirmou ainda ter percebido “que as preocupações eram estritamente financeiras”, pois este pagamento, segundo o próprio Zucolotto, serviria para “melhorar” o acordo da sua delação com os procuradores da Lava Jato, sob a liderança de Deltan Dallagnol, conhecido no mundo do crime pela alcunha de “DD”.

Cerceamento do direito de defesa

Tacla Duran denunciou também mais um crime de Moro: o cerceamento do direito de defesa. Moro tentou ouvir clandestinamente Tacla Durán lá na Espanha. O famoso “documento do Duplo Expresso”, vazado do Ministério da Justiça, deixava claro isso. Duran acredita ter sido impedido de depor por Moro porque foi arrolado como testemunha de defesa de Lula.

De volta à “Câmara de Gás”

Recordemos esta nota divulgada pela defesa de Lula:

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ingressou, nesta segunda-feira (2), com um novo recurso junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) visando reverter a decisão do ministro Felix Fischer que ratificou a decisão do juiz Sérgio Moro e manteve a proibição da tomada de depoimento do ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran.

Moro já negou o pedido de oitiva de Dura em quatro ocasiões. As negativas foram mantidas pelo Tribunal Federal da 4ª Região (TRF-4) e, também por meio de decisão singular do STJ. Agora, a defesa de Lula pede que o novo recurso seja acolhido pela 5ª Turma da Corte.

“Destaca-se, no entanto, que a decisão monocrática proferida pelo Exmo. Ministro Relator Felix Fischer causou singular prejuízo ao AGRAVANTE, que se vê impedido de produzir prova essencial para demonstração da sua inocência, muito embora não seja este ônus que lhe caiba, em ato atentatório ao contraditório e à ampla defesa. Nesta hipótese, indubitável a pertinência desta via, tendo-se em conta o teor da r. decisão monocrática e à vista da dicção dos dispositivos legais acima apontados”

Camara de Gás” – Quinta Turma

Podemos concluir que a decisão monocrática do “Himmler da Lava Jato”, ignorando todas as denúncias gravíssimas feitas por Tacla Durán – que tem colaborado com vários países e já esteve por vídeo conferencia em duas CPIS no Congresso Nacional – trazendo fatos que, de tão escandalosos, chegam a ser pornográficos.

Quando temos no nosso judiciário pessoas como Félix Fischer que sem o menor pudor chancela qualquer imoralidade oriunda da quadrilha de Curitiba, que tem a desfaçatez de simplesmente ignorar denúncias como estas de Tacla Duran – que colocam em cheque toda uma organização criminosa chamada Lava Jato – esse fato mostra que não há limites para que canalhas, como Félix, e por isso tem sido cada vez mais frequente o comportamento de células da justiça que se acham acima do bem e do mal.

O fato desta Quinta Câmara Criminal “se gabar” de não conceder HC, uma garantia constitucional de todo cidadão, é um atentado ao nosso Estado Democrático de Direito. Uma “Câmara de Gás” é incompatível com a democracia.

Quem sobreviverá, a “Câmara de Gás” ou a democracia?

Transformaram os trabalhos da justiça em uma novela. O roteiro parecia perfeito, mas o “telhado de vidro” dos envolvidos foi uma arma contra eles mesmos. É revoltante concluir que graças ao monopólio midiático foi possível criar no imaginário dos cidadãos que nada no Brasil prestava e que tudo era “corrupção”. Isso, mesmo quando todos viviam em um país em situação de pleno emprego, investimentos em educação, saúde, pesquisa científica, etc.

Como o abuso de autoridade foi, e ainda é, utilizado por uma estrutura montada para que o Brasil chegasse ao atual nível de degradação em todos os níveis?

Lutemos!

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.