Lula x Bretas – um clássico exemplo de desvio de foco

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

O público do Duplo Expresso considerou tímida a cobertura desta página sobre a “primeira aparição” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida na terça-feira (5 de junho), desde que foi consumada a sua prisão política, há pouco mais de dois meses. Lula foi ouvido pelo juiz Marcelo Bretas, numa videoconferência, na condição de testemunha de defesa do ex-governador Sérgio Cabral (MDB) que, neste processo, é acusado de fazer parte de um esquema que envolveria compra de votos em favor do Rio na escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

O Duplo Expresso não acredita em coincidências e sabe que a guerra híbrida imposta ao Brasil e brasileiros se dá para o roubo do petróleo. O depoimento, como testemunha, de Lula foi marcado no mesmo momento da quarta rodada do leilão do pré-sal, por exemplo. A nossa página não reproduz notícias do PIG ou de agências viciadas de notícias. Por isso, no lugar de fazermos longas e inúteis análises sobre o que foi dito aqui e ali sobre qualquer tema, focamos no pré-sal e publicamos vasto material em entrevistas, comentários e textos com os maiores especialistas do Brasil na matéria.

Outro fator que chamou a atenção na guerra híbrida que sofremos foi o resgate, para perguntas ao sabor “pastel de vento”, do advogado Tacla Durán. Um claro desvio de foco no momento em que o STF, sob argumentos inacreditáveis, se negava a cumprir a Constituição e decidia pela manutenção do inseguro, violável e obsoleto modelo de votação sem o voto impresso. Mais um duro ataque contra a soberania popular, pois está comprovado em todo o mundo que o modelo brasileiro é frágil e incapaz de sofrer auditoria. Uma farra onde o povo vota e quem escolhe o vencedor é um esquema suprapartidário favorecido pela manipulação dos resultados da totalização dos votos.

A nossa página considera que a prisão do ex-presidente Lula descortinou a verdadeira “cara” da Justiça brasileira, ocupada – na sua maioria – por concurseiros medíocres, corporativistas, que não entendem nada de história, política, geopolítica e geografia. A prisão expõe também os Procuradores e magistrados alienados, muitos deles sem nenhuma visão de mundo, que saíram das faculdades e se matricularam nos cursinhos onde papai e mamãe pagaram fortunas durante anos para que essas figuras bizarras estudassem através de apostilas. O resultado é este que temos, a nossa máquina judiciária inoculada por pessoas que representam um verdadeiro câncer, que precisa ser extirpado, na nossa democracia.

De volta à videoconferência, nos foi possível constatar o baixo nível técnico dos dois procuradores, um homem e uma mulher, que fizeram questionamentos infantis e imbecis, sempre numa narrativa medíocre, com a predominância do velho discurso sorrateiro da demonização da política para gerar manchetes na mídia hegemônica e “causar” nas redes sociais da turba de “manifestoches”. Houve até a tentativa de Bretas – o pastor que rouba o Estado com o recebimento duplo do auxílio-moradia – posar de “insentão” e grande moralista, com o resgate da sua desinteressante história de que “aos dezoito anos de idade participava dos comícios do Lula na Candelária”.

É inacreditável que o ex-presidente Lula, um estadista, que saiu do governo com 87% de aprovação, primeiro lugar nas pesquisas para presidente do Brasil, tenha sido usado como desvio de foco pelos braços do judiciário e mídia hegemônica na guerra híbrida. Lula foi estrategicamente escolhido a participar de uma farsa, com atores de quinta categoria, onde o despreparo e a pequenez dos “magistrados” foi mais uma vez escancarada, mas que ocupou – pela presença de Lula – todas as manchetes da imprensa brasileira no mesmo momento em que mais uma fatia do nosso petróleo era roubada.

Esta videoconferência consolidou mais uma vez a importância, a grandeza e o significado do ex-presidente Lula para o Brasil. Perseguido e injustiçado, mostrou que é um nacionalista mesmo quando, sem saber, era usado para desviar a atenção do povo de temas tão estratégicos, como no caso é o petróleo. Lula, que luta por uma sociedade mais justa, é vítima do arbítrio praticado por um bando de canalhas corruptos que vivem à margem da lei com todas as suas vantagens nababescas. Pior, um bando que serve a interesses alheios aos do Brasil e dos brasileiros. E que, neste episódio específico, se utilizou da popularidade de Lula para tirar do debate o verdadeiro objetivo da ditadura vigente: facilitar a entrega do nosso petróleo.

Até quando iremos suportar esta ditadura da toga e o sequestro da nossa soberania popular?


Para atender aos pedidos do nosso público, disponibilizamos aqui dois vídeos sobre o depoimento, como testemunha, de Lula. O primeiro, uma visão antropológica do nosso comentarista João de Athayde. O segundo, a íntegra do depoimento.

Vídeo 1 – O Antropólogo João de Athayde, comentarista do Duplo Expresso, comenta o depoimento de Lula, na condição de testemunha:

Vídeo 2 – Íntegra da videoconferência:

 

 

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.