Guerra de torcidas – Imprensa provoca Fla x Flu no STF no julgamento do “HC de Lula”

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Quando o réu é visto como um inimigo a ser abatido, a justiça já está condenada. Tem sido assim em relação a Lula desde que o juiz de primeira instância, Sérgio Moro, transformou a condenação do ex-presidente numa partida de futebol. Entre crimes e arbitrariedades, a condenação foi forjada como se tratasse de uma “guerra de torcidas”, mas com o juiz atuando explicitamente como um décimo-segundo jogador, contra o réu.

Reforçado por três juízes do TRF-4, o time de Moro marcou um segundo “gol-de-mão-em-escandalosa-banheira“. Nessa partida ele é simultaneamente árbitro, centroavante e comentarista. Ou ainda, é técnico, cartola e, se preciso for, tropa de choque contra a turma do amendoim. As repetidas jogadas ensaiadas sob um escandaloso agarra-agarra dentro da área são solenemente ignoradas pela arbitragem, acuada pela pequena turba raivosa do outro lado do alambrado.

Lula – o camisa 10 a ser abatido –, com a sua técnica extraclasse empata o jogo e, impulsionado pelo apoio maciço da torcida de quem joga em casa, volta a ser uma ameaça ao time dos togados raivosos na saída em contra-ataque. Juízes da FIFA (STF) percebem que há excessos entre os seus colegas das divisões inferiores e tentam evitar a substituição de última hora da consagrada “regra 18” (a regra do bom senso) pela “regra do arbítrio”.

– “Que rasguem a Constituição!” Berram os celerados.

Nesse ambiente de “derby”, a imprensa usa o microfone aberto dos narradores para engrossar o coro da minoria de torcedores raivosos para que as regras sejam ignoradas. Inconformados com a superioridade técnica do camisa 10 “adversário”, ficam a imprensa, os juízes das divisões inferiores e os torcedores raivosos tentando a todo custo aplicar um cartão vermelho para o craque Lula. Querem tirá-lo de campo a qualquer custo, preferencialmente preso pela polícia e conduzido coercitivamente até a última cabine do banheiro no fundo do vestiário. Somente assim evitarão a humilhação das tabelinhas, dribles e gols de placa.

É neste ambiente de total derrota da ética e da deontologia* que, vinte e quatro horas antes da “grande final”, assistimos ao obsceno papel de publicações que fazem do simples cumprimento das leis um confronto entre Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso. Que esta derrota dos raivosos sirva de parâmetro para o resgate do harmônico “espírito esportivo”, e que adversários políticos sejam apenas adversários e não inimigos. Contra adversários há limites técnicos, de espaço e de tempo, para que uma vitória seja alcançada; contra inimigos, o vale-tudo implica sempre em derrota.

                                              

 

* Deontologia (do grego deon – dever, obrigação + logos – ciência), na filosofia moral contemporânea, é uma das teorias normativas, segundo a qual as escolhas são moralmente necessárias, proibidas ou permitidas. Ou mesmo, segundo o Dicionário de Português Contemporâneo da UNESP, a parte da Filosofia que trata dos princípios, fundamentos e sistemas da moral. Tem como princípio lógico a sequência de atos e meios capazes de oferecer segurança no intuito de descobrir a verdade e evitar erros.

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.